sábado, 14 de março de 2015

Opinião Cinema: Para Sempre Alice

Por Bianca Oliveira


Um filme que narra a historia de uma mulher que construiu uma vida maravilhosa, e que simplesmente vai perdendo a consciência de tudo que possui. Para Sempre Alice, baseado no romance de Lisa Genova, conta a história de Alice Howland, uma professora de linguística de sucesso, diagnosticada com Alzheimer precoce, aos 50 anos. E é basicamente disso que o filme trata até o fim, sem graaandes avanços ou surpresas.

Alice (Julianne Moore, que merecidamente ganhou o Oscar por este papel) é uma renomada professora diagnosticada com um tipo precoce de Alzheimer, de maneira que começa a esquecer palavras, nomes, lugares, rostos e tudo que aprendeu durante a vida, que a fizeram ter uma carreira de sucesso, o que, conforme vemos no filme, era de extrema importância para ela. Com um roteiro interessante, o filme vai abordando de maneira rápida e clara o dia-a-dia da personagem principal, sua rotina com o marido John (Alec Baldwin), e os filhos Lydia (Kristen Stewart), Anna (Kate Bosworth) e Tom (Hunter Parrish).  Uma família normal, incrível como o diretor não abordou cenas muito dramáticas com a família, que sofre mas não teve cenas que deixassem evidente a emoção que se pretendia passar com a história. Faltou uma sensibilidade maior, o longa é basicamente a documentação da evolução médica de um quadro clínico.  O foco foi maior na relação de mãe e filha entre Alice e Lydia, e com isso trouxeram alguma empatia por essa ligação que antes da doença era tão fria e distante, mas o objetivo não foi alcançado, pois a relação das duas não despertou nada, e Kristen Stewart teve grande influência nisso: sua atuação foi fraca e chata.


Uma cena emocionante é quando Alice desaba, chora, grita e conta sobre sua doença ao marido, exprimindo tudo que até então estava guardado. Mas minha cena preferida é o discurso na palestra, onde Alice diz o que é ter, viver e sentir o Alzheimer. A arte de se perder (nesse momento caiu algo no meu olho que até lagrimei), pois o Alzheimer toma tudo, junto com a doença vai a personalidade também (a perda da sua autonomia é simbolizada por uma pulseira que Alice carrega tendo gravados dizeres sobre sua condição atual).


O figurino e maquiagem estavam impecáveis, é perceptível o quanto é desgastante tudo que o personagem passa. Mas a trilha sonora, irritante e forçada, podia ter o intuito de orientar a galera, mas tornou até previsíveis os momentos de tensão. Outro problema foi com o final, apático, incompleto, vazio, o filme termina e você nem percebe, simplesmente porque a última cena faz você olhar para o chão e ficar contando, deveria ser um momento em que se sentisse a dor da personagem e principalmente das pessoas ao seu redor mas Kristen falhou (sim, peguei no pé dela!).


Não poderia deixar de falar da Julianne Moore, que ganhou mais de 30 prêmios por sua atuação em Para Sempre Alice (além do Oscar, o Globo de Ouro, o Spirit Award, BAFTA, o SAG e o Hollywood Awards).  Ela foi o centro praticamente durante todo o filme, deu corpo ao personagem e fez uma atuação fantástica; Para Sempre Alice foi salvo graças à sua atuação, que "vestiu” o sofrimento de alguém que se perdeu com uma doença. Sem dúvidas o longa não seria o mesmo sem a linda e talentosa Julianne Moore (sou fã assumida mesmo!).





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