terça-feira, 24 de março de 2015

Teatro Porto Alegre: Ori Orestéia no Teatro Renascença

Adriana Rodrigues, em foto de Jessé Oliveira


Depois de uma bem sucedida estreia no Theatro São Pedro, um dos grupos mais emblemáticos da cena teatral gaúcha e brasileira, o Grupo Caixa-Preta, volta ao cartaz, em abril, no Teatro Renascença, em Porto Alegre, para uma temporada de seu novo espetáculo, ORI ORESTÉIA. A montagem poderá ser vista de sexta a sábado, às 20h, e domingo, às 18h. A montagem foi contemplada com o Edital Prêmio Funarte de Arte Negra 2012, concedido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) em conjunto com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), por meio do Ministério da Cultural.

A peça, baseada na trilogia de Orestes, de Ésquilo, é uma realização do Grupo Caixa-Preta e tem a direção de Jessé Oliveira, que vem notabilizando-se pela apropriação e recriação de clássicos da dramaturgia universal em uma fusão com a cultura afro-brasileira em obras como HAMLET SINCRÉTICO e ANTÍGONA BR. Assim como na última peça citada, a dramaturgia é assinada por Viviane Juguero, que criou o texto a partir de argumento e concepção do diretor e de improvisações dos atores.

Nessa peça, o diretor Jessé Oliveira apresenta uma concepção estética inovadora, trazendo elementos da contemporaneidade negra. Além do sincretismo com elementos da tradição afro-brasileira, a peça dialoga com elementos míticos e místicos de diversas épocas e culturas. A criação, que engloba as três tragédias de Ésquilo (Agamenom, Coéforas e Eumênides) realiza um caminho que vai da raiz da cultura afro-brasileira, passando por batuque, orixás, samba, gafieira e chegando na cultura pop internacional.  

Essa última abordagem sincretiza alguns personagens com figuras emblemáticas da cultura negra atual: o atormentado psicologicamente e perseguido pela justiça Orestes se aproxima de Michael Jackson, Atenas à Ângela Davis, além de referência aos Panteras Negras e estrelas da Black Music.


Na montagem, revela-se uma gama de potentes signos da cultura afro-brasileira, resgatando elementos de uma tradição gestual que se constituiu no Brasil e também signos ligados aos mitos e arquétipos da cultura negra internacional. Investigam-se as raízes do teatro ritual, a partir de um mergulho na cultura africana e afro-brasileira, cultura pop contemporânea e suas composições corporais. A perda de identidade é abordada simbolicamente por meio de aspectos do sincretismo religioso e cultural.  Como sempre, o diretor Jessé Oliveira propõe uma encenação onde a construção plurissignificativa da cena viabiliza múltiplas leituras, demandando um posicionamento crítico do espectador. A beleza e a arte negra, associadas ao preconceito, à exploração e à luta são apresentadas simbolicamente em meio à rede complexa de questões socioculturais em que estão envolvidas. Ampliando a significação da narrativa, Ori Orestéia apresenta diversos estímulos que devem resultar em sensações e reflexões fundamentais para uma percepção ampla da questão afro-brasileira atual.

Sobre o grupo

O grupo Caixa-Preta é formado por artistas negros e surgiu no cenário gaúcho em 2002, tendo, logo, se tornado um expressivo coletivo de teatro do Rio Grande do Sul e no Brasil. Realizou os espetáculos: “TRANSEGUN”, de Cuti (2003); HAMLET SINCRÉTICO (2005), baseado na obra de William Shakespeare; ANTÍGONA BR (2008), por meio do Prêmio Myriam Muniz, da FUNARTE; O OSSO DE MOR LAM (2010), do senegalês Birago Diop, e em dezembro do mesmo ano DOIS NÓS NA NOITE, de Cuti, todos com a direção de Jessé Oliveira. O grupo também realizou o ENCONTRO DE ARTE DE MATRIZ AFRICANA, de 2006 a 2013, evento de discussão da arte afro-brasileira. A nona edição está prevista para dezembro de 2015.

FICHA TÉCNICA:

Direção: Jessé Oliveira
Elenco: Adriana Rodrigues, Diego Naià, Éder Rosa, Glau Barros, Juliano Barros, Marcelo de Paula, Mariana Abreu Marmontel, Pâmela Amaro, Richard Gomes, Viviane Juguero e Wagner Madeira
Dramaturgia: Viviane Juguero
Argumento: Jessé Oliveira
Textos originais: “Agamêmnon”, “Coéforas” e “Eumênides”, de Ésquilo.
Consultoria teórica: Barbara Kastner

Trilha sonora original: Viviane Juguero e Grupo Caixa Preta
Composição de músicas originais: “Presságio”; “Saudação”; “Templo de Apolo” e “Atena” (Viviane Juguero ); Agamêmnon e Jamais te trairei (Grupo Caixa Preta)
Colaboração nos arranjos e sonoplastia: Wagner Madeira e Diego Naià
Colaboração de sonoridades: Grupo Caixa Preta
Seleção das músicas de outros compositores: Jessé Oliveira
Consultoria musical: Álvaro RosaCosta

Figurinos: César Terres
Cenário: Rodrigo Shalako
Artista Gráfico: Waldemar Max Barbosa da Silva
Iluminação: José Luis Fagundes Kabelo
Assistente de Direção: Juliano Barros
Assistência em preparação corporal: Éder Rosa
Direção de Produção e Elaboração do Projeto: Jessé Oliveira
Produção e Divulgação: Silvia Abreu

Apoio: Bortolini | Clube do Assinante ZH |RBS TV |TV E |FM Cultura | Força Sindical |Instituto Girassol |Canal Você |Fatirrê Centro de Beleza Afro|MLGB Escritório Contábil | Studio de Dança Paulo Pinheiro |Faculdades Monteiro Lobato (FATO)
Financiamento: Ministério da Cultura, Fundação Nacional de Arte (Funarte) e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir)

SERVIÇO


O QUÊ: ORI ORESTÉIA, estreia da nova montagem do Grupo Caixa-Preta, dirigida por Jessé Oliveira
QUANDO: De 03 a 26 de abril de 2015. Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 18h
ONDE: Teatro Renascença (Avenida Erico Verissimo, 307), Porto Alegre - Fone 51-  )
DURAÇÃO: 2h                                       
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 16 anos

QUANTO: R$ 20,00
Ingressos à venda na Bilheteria do Teatro Renascença, duas horas antes do início do espetáculo

Descontos:
Idoso: 50%
Classe Teatral: 50%
Estudantes: 50%
Clube do Assinante ZH: 50% titular e acompanhante
Para obter os descontos, é necessária a apresentação de documento comprobatório.

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