domingo, 31 de maio de 2015

Exposição Belém: Spam Xumucuis



Professor do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da UFPA, o curador Ramiro Quaresma é o responsável pelo Salão Xumucuís de Arte Digital. A mostra foi composta por ele a partir de imagens das redes e blogs dos artistas: 

- Baixei as imagens, fiz a proposta de exposição e eles toparam. Eram obras de arte em potencial que estavam perdidas nesse grande acervo de possibilidades que é a internet.  

Sobre o nome, Quaresma explica que a palavra 'SPAM' "remete àquelas  mensagens em massa enviadas pela internet, sem público certo, atingindo a todos indiscriminadamente”. 

O SPAM Xumucuis é uma proposta de ocupação que teve sua primeira mostra no espaço da Universitec na UFPA: “A ideia de ocupar espaços não convencionais com arte contemporânea, pulando os muros dos museus e das galerias, vem tomando força por aumentar as possibilidades de discursos e com outro perfil de público. Talvez isso seja a democratização da arte, esse transbordamento”.  

Agora em sua segunda mostra, o Xumucuis inicia nova temporada no Casulo Cultural, uma casa de artista que abre suas portas para encontros, vivências e relações entre pessoas e idéias, para a criação e difusão de saberes artísticos e culturais. O evento de abertura será dia 3 de junho, em programação diversificada com a participação dos DJs Iacy Castro e Vitor e o coletivo de culinária vegetariana Verde Cuca. A exposição permanece no espaço até agosto.

O Casulo Cultural tem a proposta de dialogar com diferentes linguagens artísticas e culturais em torno das temáticas de exposições de artes visuais. A partir da temática de arte digital, ocorrerão em paralelo a exposição, oficinas de vídeo mapping, fotolambe (lambe-lambe de fotografia digital) e iniciação à música eletrônica.   


Evento São Gonçalo (RJ): Diário da Poesia


sábado, 30 de maio de 2015

Opinião Cinema: Mad Max é melhor filme de ação do ano



Por Bianca Oliveira,
de Macapá




Mad Max: Estrada da Fúria é demais! Super, hiper, mega demais. Cara, eu confesso que fiquei impressionada com toda aquela qualidade, roteiro, trilha sonora, tudo maravilhoso.  É muito difícil expressar tudo que senti naquela sala, empolgação tá a mil aqui, é aquele tipo de filme que você não consegue explicar, só vendo, só sentindo, uma arte fascinante mesmo (Aaaah como o cinema é incrível). Esse é o melhor filme de ação desse ano, sem dúvidas, e acho quase impossível alguém superá-lo. O diretor George Miller acertou em cheio.

Ok! Vou respirar e contar um pouco da história... O que tem por trás de Mad Max é curioso e intrigante. Após o sucesso da trilogia original nos anos 1980, muitos comentavam e queriam uma continuação, projetos e mais projetos foram pensados, mas nada saía do papel. Em 2003, parecia que finalmente vinha o tão esperado Mad Max 4, George Miller e Mel Gibson (NR: protagonista dos três longas originais, de 1979, 1981 e 1985) estavam prontos, só que infelizmente (ou não) a dificuldade em se filmar na Austrália acabou adiando a produção e Gibson resolveu pular fora do navio; a crítica achou que sem o ator o filme não funcionaria, não ia dar certo, mas os produtores não só fizeram justiça aos originais como criaram o melhor filme da série, do ano, do século (tá, sou exagerada mesmo - risos).

Mad Max: Estrada da Fúria : Foto

Após um holocausto nuclear o mundo inteiro se tornou uma grande Austrália: desertos mortais, criaturas mutantes que desafiam a lógica e gente faminta e enlouquecida. Nesse mundo sem recursos e sem esperança, o negócio começa a ficar maluco quando a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) decide roubar um carregamento precioso do dono da cidadela local, Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne): as parideiras (inclusive, ô mulherada linda). É obvio que ele não vai perder assim os seus “objetos preciosos”, então com todo seu exército o cara cai na estrada matando todo mundo. Onde entra Max, afinal? Bom, após ser capturado por essa comunidade, Max (Tom Hardy) é usado como banco de sangue para soldados feridos. Por acaso, um dos soldados coloca Max para ficar pendurado e dando-lhe sangue enquanto o cara dirige que nem doido.

Mad Max: Estrada da Fúria : Foto Charlize Theron
Charlize Theron

Tudo se resume a isso, a história é essa. Immortan Joe enfurecido correndo atrás da Imperatiz, é ação o tempo todo, sem descanso, pausa ou cenas demasiadamente chatas, e não é apenas uma questão de ter muita ação, a ação aqui é muito realista. Miller evitou ao máximo a utilização de efeitos especiais, o que resultou em sequências incríveis e brutais, apesar das “viagens”, verdadeiras.  Palmas também para John Seale, que fotografia, meu Deus! Que fotografia!!! Ele inovou ao acelerar as tomadas, contribuindo para a experiência do espectador. A sensação é de que estamos em outro mundo, aquele deserto pós-apocalíptico foi o mais lindo que eu já vi. Também merece destaque a trilha sonora de Tom Holkenborg, o DJ holandês criou uma trilha original, impactante que te entusiasma muuuito. Do ponto de vista musical, a opção de Miller de criar uma espécie de "carro de som", em que vemos uma guitarra e tambores em cena é no mínimo divina, diferente de tudo que já vimos, meio surreal mas, é um mundo louco mesmo.

Mad Max: Estrada da Fúria : Foto Tom Hardy
Tom Hardy

O melhor de tudo é que os personagens são perfeitamente criados, não são invulneráveis, e Miller deixa o espectador pensar por si mesmo, tirar suas conclusões. Ele faz o milagre de nos deixar comovidos e apegados aos personagens sem nem ao menos sabermos de seu passado. Theron interpreta Furiosa, ela está linda no papel, e bem longe de ser a mocinha indefesa que espera seu príncipe encantado. Trata-se de uma personagem complexa e forte, não há nada de sexo frágil. Ela é tão boa em cena quanto Max, um “casal” que se encaixa perfeitamente. Tom Hardy está ótimo no papel, sua voz de Bane é excelente para fazer narração, sua expressão, sua vitalidade, sua força, ah que incrível!!! E Nicholas Hoult então....rouba a cena cada vez que aparece.

Fazia tempo que eu não assistia e amava um filme assim, empolgação que dura uma semana, um trabalho encantador. A expectativa, que já era alta, se cumpre com louvor, o melhor do ano até agora. É um verdadeiro presente ver uma obra assim nas telinhas, super recomendo, é impossível alguém não gostar.


Mad Max: Estrada da Fúria : Foto Charlize Theron, Nicholas Hoult, Riley Keough, Tom Hardy, Zoë Kravitz


Música Rio de Janeiro: Jaime Alem e Nair Cândia


Cinema Bahia: Guido Araújo


O cineasta baiano Guido Araújo completa 80 anos em 2015 e será o homenageado do 5º FECIBA - Festival de Cinema Baiano, que acontece de 7 a 13 de junho em Ilhéus. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Música Rio de Janeiro: Júlia Vargas e Chico Chico


Evento Salvador: Encontros de Domingo




O tradicional evento mensal Encontros de Domingo do Espaço Xisto Bahia, espaço cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), tem uma novidade: a partir da edição de maio, que acontecerá no próximo dia 31, todas as atividades contarão com tradução em LIBRAS, permitindo assim um maior acesso às crianças e familiares com deficiência auditiva. Os Encontros acontecem sempre no último domingo do mês.

Na programação, além de um café da manhã regional que acontece às 9h, seguido de um ateliê de desenho para as crianças, acontece também, às 10h30, a contação de histórias. Encerrando a programação, às 11h, o público confere o espetáculo Baú de Histórias, da Cia de Teatro Capim Rosa, que trabalha a cultura da oralidade através do diálogo com o Teatro, Música, Dança e Artes Visuais.   

As entradas custam R$ 20 e R$10 (meia) e o passaporte adulto-criança custa R$20. Os moradores do bairro dos Barris, mediante apresentação de comprovante de luz ou água têm entrada franca (limite de quatro convites por residência).

Debate Salvador: Internacionalização da Música da Bahia


Música Fortaleza: Monique Kessous


Palestra Salvador: Orientações para Prestação de Contas

Aula-show Porto Alegre: Casa Voz!



domingo, 17 de maio de 2015

Nova seção: Editais Culturais

Em minha atividade profissional, tanto no campo do Jornalismo Cultural quanto no meu trabalho artístico como cineasta e fotógrafo, ou ainda como produtor ou assessor de imprensa de artistas, me chama a atenção de que, apesar da enorme demanda dos artistas por informações relativas a editais lançados por entidades públicas ou privadas, a imprensa no geral dedica pouco espaço a este tipo de informação. Quase sempre os editais noticiados são os abertos por grandes empresas, sejam públicas (em especial a Petrobras), sejam privadas, e mesmo quando se noticia é comum isso ser feito apenas às vésperas do encerramento das inscrições, quando não apenas no último dia, o que torna muito difícil que alguém leia a edição e consiga montar o projeto e se inscrever a tempo. Com a pouca atenção da imprensa a esta pauta, as informações a respeito acabam sendo disseminadas através de boletins do MinC e órgãos afins, ou por meio de redes sociais (porém, paradoxalmente, mais através do Facebook do que do LinkedIn, nascido para ser uma ferramenta profissional). 

É portanto para tentar suprir esta lacuna que lanço hoje esta nova seção do blog Jornalismo Cultural, dedicada a noticiar e eventualmente comentar os editais que estejam abertos. sempre com uma certa margem de tempo para que você possa acessar a íntegra do edital, ler (e eventualmente decifrar a linguagem rebuscada em que muitos são redigidos) e se inscrever. 

A seção também estará aberta para publicar questionamentos sobre questões controversas da execução dos editais, como o célebre edital do Prêmio de Música Brasileira 2013 da Funarte, que nos levou a escrever nada menos de 3 artigos da série Chutando o Balde (aqui, o link do último publicado, com link para os dois primeiros).

Caso você queira informar a abertura de editais que não constem do nosso blog ou mesmo apresentar questionamentos sobre editais abertos, entre em contato através do nosso e-mail gomesfab@gmail.com



  • Atualização 6.8.15: 
Ontem criamos dois grupos no Linkedin para divulgar e debater editais da área cultural:


  • Editais Culturais - https://www.linkedin.com/grp/home?gid=8360497&trk=my_groups-tile-flipgrp
  • Editais e Festivais de Cinema - https://www.linkedin.com/grp/home?gid=8358822&trk=my_groups-tile-flipgrp 

  • Editais Culturais: inscrições abertas até final de maio


    • Poemas no Ônibus e no Trem - Promovido pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre (RS), está aberto a poetas de todo o Brasil, sem restrição de idade. As inscrições encerram em 22/5 e podem ser feitas ou pessoalmente na sede da SMC ou por Correio. Quando você clicar no link do edital, começará a baixar um arquivo .doc para seu PC. Só pode ser inscrito um único poema, inédito em impresso ou na internet (incluindo redes sociais). Não há premiação em dinheiro; os organizadores irão selecionar até 50 poemas que serão afixados nas janelas dos ônibus urbanos e nos vagões do trem metropolitano que liga a capital gaúcha a municípios vizinhos (o Trensurb), e também publicados em livro a ser lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, que sempre acontece na primeira quinzena de novembro. Os autores dos poemas selecionados irão receber como quitação autoral uma parcela (correspondente ade metade da edição.  

    • 6ª Mostra de Artes Visuais de Pinhais - Promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer do município de Pinhais (PR), encerra as inscrições em 29/5.  Podem se inscrever brasileiros maiores de 18 anos ou estrangeiros residentes no país há no mínimo 2 anos, de qualquer parte do território nacional. As inscrições podem ser feitas ou diretamente em Pinhais, ou via Correio, ou por e-mail. As obras selecionadas serão expostas em julho e agosto, e será concedido troféu aos 3 primeiros lugares da Mostra, que também já têm garantida presença na edição seguinte do evento. Não há premiação em dinheiro. Link do edital 


    • 7º Festival Latinoamericano de Cortometrajes ImageneSociales -  Para curta-metragens (ficção, documentário ou animação) com temática social e duração de até 30 minutos produzidos a partir de 2013 (salvo para realizadores da província argentina de La Rioja, que só podem apresentar trabalhos feitos a partir de 2014). O concurso é promovido pela Secretaria de Cultura de La Rioja, Argentina e pela associação civil “El Jaguar”. As obras não precisam ser inéditas, mas não podem ter participado de edições anteriores do evento. A inscrição se encerra em 29/5 e é toda feita online; o curta deve ser hospedado em alguma plataforma digital, havendo as opções gratuitas como o Vimeo, o Google Drive e o Dropbox. Os filmes que não forem falados em espanhol devem estar legendados nesse idioma. Há prêmios em dinheiro, que serão pagos em pesos argentinos em valores equivalentes a 3 mil e 8 mil dólares a organização do evento se compromete a pagar a metade do valor de impostos que porventura encarguem premiados não-argentinos. O edital, em espanhol, está disponível a partir deste link (de onde você será redirecionado ao site Mega para efetuar o download do pdf). 

    • Prêmio Foco Bradesco ArtRio - Aceita inscrições de artistas visuais brasileiros, com no máximo 15 anos de carreira, até 30/5, por meio online. Os selecionados irão expor durante o ArtRio, em setembro (a organização garante a hospedagem dos selecionados em hotel do Rio de Janeiro), e posteriormente farão residência artística no primeiro semestre de 2016 em uma instituição parceira do evento (ou no Rio de Janeiro, ou em São Paulo, ou em Cali, na Colômbia). È preciso fazer um rápido cadastro para baixar o edital a partir deste link 



    OBS: Outros editais que encerrem até o dia 31/5 
    podem ser acrescentados a qualquer momento. 

    Opinião Cinema: Cinderela

    Por Bianca Oliveira
    de Macapá




    Imagine uma menina que vive em uma fazenda com seus pais e seus melhores amigos (os animais). Lá ela é bastante feliz e adorada por todos mas, como nem tudo são rosas, sua mãe adoece e minutos antes de falecer faz um pedido a sua amada filha: “Tenha coragem e seja gentil”. A menina cresce e seu pai decide se casar, pois ele viaja muito e não quer mais deixá-la sozinha. E é assim que a moça ganha uma madrasta e duas meias-irmãs. Não demora muito e outra coisa acontece: seu pai acaba falecendo em uma das viagens. Tenho certeza que você já ouviu essa história, que já viu milhares de versões dessa moça cheia de magia, encanto, fé e na nova versão cheia de força. Essa é a história de Cinderela, filme cuja primeira versão, realizada em desenho animado em 1950, salvou a Walt Disney Productions da falência. Sua nova versão com atores, estreada agora em 2015, não tem por trás nenhuma intenção revolucionária. Há, ao contrário, uma opção pelo resgate de velhos valores românticos.

    Cinderela : Foto Lily James
    Lily James como Cinderela

    Cinderela é essencialmente dramático, e é legal demais ver um filme para crianças com um ritmo calmo, linear como o filme original, criando diversas cenas sem recorrer à tela verde, sem efeitos mirabolantes, com personagens exageradamente estranhas (as crianças amaram, eu assisti rodeada por miniprincesinhas que se encantavam a cada minuto). A personagem não foi completamente remodelada como nas outras versões. Na pele de Lily James, Cinderela é tão bela, gentil e justa quanto a princesa da animação. O filme apenas redimensiona a sua história, tornando-a mais humana em um mundo surreal. Aliás, a Disney está começando a efetuar um movimento contrário dos grandes estúdios de animação, eles estão levando o estilo mágico da animação à filmagem com atores.

    Cinderela : Foto Lily James, Richard Madden
    Cinderela humilhada pela
    madrasta (Cate Blanchett)


    Cinderela : Foto Richard MaddenA produção acertou em cheio com a escolha do elenco, os atores atuam além do realismo. Cate Blanchett é a atração principal, excelente no papel da madrasta malvada Lady Tremaine, ela tem o mesmo tom caricato e sombrio da versão animada. Os trejeitos demoníacos e os olhares fulminantes da personagem nos prendem na tela, ao mesmo tempo a odiamos e a aplaudimos de pé pela brilhante atuação. Drisella (Sophie McShera)  e Anastasia (Holliday Grainger) são um escândalo de ótimo timing e precisão no humor visual, sem características irreais ou muito fantasiosas, são pessoas normais que se destacam com um figurino meio exótico e um “jeito chamativo”. O príncipe é um fofo, vontade de pegar no colo e encher de beijo: Richard Madden (à direita) é a encarnação do príncipe encantado, com uma ingenuidade corretamente ajustada para uma realidade de amores à primeira vista, além de olhos lindos e um sorriso encantador.

    Cinderela : PosterQuem nunca sonhou em ter uma fada madrinha, hein?! Helena Bonham Carter ficou ótima como Fada Madrinha, e melhor ainda como narradora da história - o  desempenho vocal da atriz é impressionante. Longe da maternal versão animada, compensa pelo exagero nas suas expressões e gestos. Ela é uma bela saída cômica e sua cena é uma das mais deliciosas do filme.


    O melhor de tudo é que essa versão tocou em pontos raros nas animações da Disney, como a infância do personagem, mostrando a mãe e até o passado da madrasta (o que me surpreendeu). O roteirista Chris Weitz fugiu a algumas regras e o diretor Kenneth Branagh contribuiu ainda mais para esse conto de fadas nos fazer sonhar se deliciar com essas fantasias. Claro que com esse filme a Disney quis mostrar  que  pode se perpetuar por mais algumas gerações, que ela fará sucesso com todas as idades. O filme, mesmo querendo inovar, apresenta aquela velha sociedade patriarcal. Mas sem sombra de dúvidas é um filme gostoso e que te prende no mundo encantado das princesas sonhadoras e desastradas que perdem seu sapatinho de cristal...ou não.


    Cinderela : Foto Lily James

    sábado, 16 de maio de 2015

    Opinião: Em que dia morrem os teatros?

    Por Edyr Augusto Proença e Wlad Lima,
    de Belém

    Os bares, às quartas, escreveu o Elias Pinto. E os teatros, morrem exatamente em que dia da semana? O Grupo Cuíra está fechando seu teatro, na esquina da Riachuelo com Primeiro de Março, após nove anos de atividades. É uma morte lenta, não anunciada, sem pompa nem cerimônia. Como um corpo jovem que falece, seus orgãos são imediatamente doados para fazer viver tantos outros. Já saíram as cadeiras e arquibancadas. As cadeiras, uma doação para uma instituição religiosa, afinal precisamos de todas as orações possíveis, nesses tempos de luto. As arquibancadas foram devolvidas para o nosso grande parceiro, a Loc Engenharia, que tanto acreditou em nós, a ponto de, durante nove anos, manter suas estruturas de ferro para nos sustentar sentados, e nosso público. Agora o prédio está vazio. Antes de fecharmos pela última vez a porta e sairmos, queremos deixar no espaço os nossos desejos: que aqui, continuem a circular os fabulosos personagens que aqui se apresentaram; que essa esquina seja um marco para todos nós de teatro da cidade. Temos certeza que já é para os moradores daquela esquina.



    Elenco da montagem de Quatro versus Cadáver,
    que fez temporada no Cuíra em 2009

    Para compreenderem nosso amor por um lugar, um galpão, uma zona, vamos contar um pouco de nós para deixarmos uma memória viva para uma cidade dita desmemoriada: sem lugar para ensaiar ou encenar, procuramos um espaço, encontramos aquele galpão vazio, servindo de estacionamento para um clube de bingo. Ele está no centro da cidade, praticamente na Presidente Vargas, bem no caminho da Virgem de Nazaré. Um galpão vazio pronto para dar abrigo a ações artísticas em meio a um processo de destruição da Cultura no Pará, principalmente em Belém, desenvolvido pela Secult? Parecia coisa dos céus! Sem bolso nem documentos, o Cuíra inaugurou sua casa, às custas do próprio suor, igualzinho a que fazem todos do mundo das artes. Sem tempo de realizar montagem própria, porque estava as voltas de produzir o Espaço Cuíra, o grupo deu a honra da inauguração a um grande companheiro de estrada, o Gruta, uma companhia de teatro de Belém de mais de meio século – grupo sem sede, sem casa, como tantos outros. Aí veio o “Laquê”, primeiro espetáculo da casa, do Grupo Cuíra. A ideia foi dialogar com o entorno da nova sede, respeitando e brindando seus moradores mais famosos: as meninas da zona do meretrício. Foi com elas que o Cuíra compôs metade do elenco. Com o Laquê, vieram uma série de espetáculos: Quando a sorte te joga um cisne na noite, Prc5 – A Voz que Fala e Canta para a Planície, Barata, pega na chinela e mata

    Grandes trabalhos, grandes elencos, textos, músicas, músicos, equipe técnica; tudo de cima. Com todo esse repertório, fomos acreditando cada vez mais na potência do espaço como TEATRO. Uma empresa emprestou as arquibancadas. Comprou-se poltronas. O palco, banheiros, aparelhos de ar condicionado. Sem nenhuma ajuda das autoridades competentes, o Cuíra abriu pauta para espetáculos da cidade, do Estado, do Brasil. E foram tantos! Cacá Carvalho, que em São Paulo desenvolve projeto semelhante de manutenção de grupo e espaços de criação teatral, esteve por conosco e muito nos honrou. O mais irônico é que de repente, o Cuíra acreditou que poderia compartilhar seus ganhos: inventou o projeto Pauta Mínima. Através do projeto Pauta Mínima, o pessoal da cidade não só teve direito a cachê por participação, como ensaio, divulgação e 50% da bilheteria. Por seu lado, através de diversos prêmios nacionais do MinC e da Funarte, proporcionou oficinas profissionalizantes, parcerias com o Gempac e outros órgãos independentes. Sim, o Cuíra enfrentou todas as adversidades, uma das piores: o medo da população em chegar até ele, por conta da fama daquela esquina. Como convencer as pessoas? Como convencer alguém que não gosta de teatro a ir até lá, não para ver globais bobocas e interesseiros, mas para ver o teatro paraense? Agora, não adianta ganhar prêmio Funarte, ensaiar e realizar um belo espetáculo, com toda qualidade. Quem vai ao teatro aqui em Belém? Poucos. Muito poucos. Então, temos peças de alta qualidade e apenas vinte pessoas na plateia. Hoje, os amantes do teatro local são como aqueles cristãos na Roma de César, encontrando-se em catacumbas. O Teatro Cuíra fechou. Parabéns às autoridades. O serviço está completo. Em resumo, a dizimação da Cultura está em seu ápice. Enquanto isso, a cada semestre, a Escola de Teatro da Ufpa habilita vários jovens às Artes Cênicas. Mas para quê, mesmo? Para quem?

    O Teatro Cuíra fechou suas portas na esquina da Primeiro de Março com Riachuelo. O Teatro Cuíra fechou, num dia qualquer da semana. Foi bom enquanto durou. Encheu o peito de alegria, orgulho, felicidade. Dever cumprido. Agora é mais um “já teve”. Quem não foi, não viu, perdeu! Vitória da incivilidade, da cretinice, da estupidez. Doeu. Doeu muito. Mas houve muita felicidade. Viva o Cuíra! 

    Mas como CHEGA é nossa palavra de ordem, dizemos a nós mesmos: chega de choro e de velas! O Grupo Cuíra do Pará continuará seu trabalho, como vem fazendo nesses últimos 35 anos. Tem projeto aprovado na Myriam Muniz e já está preparando um novo local, menor, mais caloroso e caseiro, mais condizente com a realidade artística inóspita da cidade de Belém, proporcionada, a mais de duas décadas, por uma fria e elitista política cultural do Estado do Pará, reforçada, silenciosamente, por todos os dirigentes e gestores da cultura, velhos ou recentes. Como estamos ao relento, abrigados pelas estrelas, logo anunciaremos as ruas por onde passará nosso novo espetáculo: o Auto do Coração. Uma declaração de amor a uma cidade que agoniza.

    (Publicado no Diário do Pará
    Caderno TDB, Coluna Cesta, 15.05.15)

    Música Rio de Janeiro: Osmar Milito e Thaís Motta


    Belém: Roda de Conversa Cultural MinC Norte


    Teatro São Paulo: Vida, Momentos Marcantes


    segunda-feira, 11 de maio de 2015

    ES: Movimento #OcupaSecult divulga nota sobre a reunião do Conselho de Cultura

    Após a reunião ordinária do Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo, ocorrida na quinta, 7 de maio, em Vitória,  o movimento #OcupaSecult / Fórum Livre de Cultura Capixaba publicou a seguinte nota no Facebook: 




    "NOTA DO MOVIMENTO #OCUPASECULT SOBRE A 73ª REUNIÃO DO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA

    O movimento #OcupaSecult se reuniu em Assembleia Aberta após a 73ª Reunião do Conselho Estadual de Cultura, ocorrida no Palácio da Fonte Grande, no dia 7 de maio de 2015. Discutiu-se sobre os encaminhamentos dados pela Secretaria de Estado da Cultura e o posicionamento do movimento frente a estes encaminhamentos.

    Observamos que o Secretário João Gualberto não adotou uma metodologia clara de condução da Reunião do Conselho, fazendo com que as pautas corressem de forma aberta e aprovando da maneira que lhe fosse conveniente – não os colocando em votação pelo conselho.

    O movimento #OcupaSecult acredita que é FUNÇÃO da Secretaria de Estado da Cultura EXECUTAR as políticas públicas e EXTRAIR dos espaços de debate público - como o Conselho e o Fórum Estadual de Cultura -, bem como as demandas expostas pela sociedade civil. Para isso é necessário que a Secretaria tenha métodos para conduzir os debates e extrair das colocações dos presentes as possibilidades de encaminhamento. É necessário também que após estas reuniões, os técnicos e gestores, se reúnam e encaminhem ações para execução destas políticas com base nas discussões populares. O movimento #OcupaSecult é um movimento social independente e não possui vínculo com o governo do estado. Buscamos espaço de diálogo público e direto, possibilitando o dialogo entre artistas, sociedade civil e governo, para acompanhamento das pautas e a execução das políticas públicas de cultura. 

    Diante do exposto, consideramos o seguinte a respeito de cada ponto colocado pelo movimento #OcupaSecult na Carta entregue ao conselho no dia 4 de maio de 2015:

    PRIMEIRO: Da necessidade de formalização e execução do Fórum Estadual Permanente de Cultura do Espírito Santo com representações governamentais, civis e populares;

    Como encaminhamento deste ponto, o Conselho Estadual de Cultura deliberou pela criação de uma comissão para contribuir com a implementação do Fórum Estadual. Entretanto, não foram encaminhadas diretrizes para o trabalho da comissão, não esclarecendo o seu papel de fato. Compreendemos que é prerrogativa da Secretaria de Estado da Cultura cumprir a Lei do Plano Estadual de Cultura, planejar e executar as políticas públicas, mantendo diálogo direto com a sociedade civil. A criação da Comissão poderá contribuir com a fiscalização e a execução da demanda, cobrando o cumprimento dos prazos. Todavia, a metodologia de organização e continuidade dos Fóruns é de competência da Secretaria. De acordo com o Plano Estadual de Cultura do Espírito Santo, a proposta da criação de fóruns regionais foi colocada no sentido de capilarizar a atuação da Secretaria e referenciar um Fórum Estadual Permanente de Cultura do Espírito Santo. Ou seja, a Secretaria de Estado da Cultura precisa dar conta do diálogo direto e público com artistas e sociedade civil. O movimento #OcupaSecult acredita que todos os pontos da carta enviada e entregue ao CEC anteriormente podem ser exaustivamente discutidos a partir da criação do Fórum Estadual. Para o movimento, o Fórum atuará de forma a reforçar o trabalho do Conselho Estadual de Cultura a partir do estabelecimento de uma metodologia que vise dirimir os principais anseios da sociedade civil e artistas, certificando a permanência de diálogo entre sociedade, classe artística e governo, garantindo um espaço contínuo e amplo de debate. Reconhecendo o Conselho Estadual de Cultura (CEC) como espaço representativo e de fundamental diálogo entre governo, sociedade civil e artistas, reiteramos que seu tempo é ainda limitado para debater todas as questões referentes à política estadual de cultura. Desta forma, torna-se uma demanda urgente a implementação do Fórum Permanente de Cultura do Espírito Santo para respaldar e ampliar a representatividade do CEC.

    SEGUNDO: Comprovação pública da existência da conta e CNPJ do FUNCULTURA;

    Segundo a técnica da Secretaria de Estado da Cultura, a conta está em processo de registro e ainda não existe. Não nos foi apresentado o número do CNPJ do FUNCULTURA, apenas foi afirmada sua existência. Para comprovação do processo de criação da conta, gostaríamos de ter acesso ao número do protocolo - desta forma poderemos acompanhar a criação da mesma. 

    A inexistência da conta do FUNCULTURA para captação de verbas privadas é permitir que outras contrapartidas, que não se configuram DOAÇÕES, sejam negociadas entre governo e iniciativa privada, comprometendo a transparência nos trâmites de captação e execução de recursos pelo Governo, e vislumbrar um prazo para criação desta conta. 

    TERCEIRO: Prestação de contas detalhada e pública na reunião do Conselho Estadual de Cultura da parceria entre o Governo do Estado e Instituto Sincades;

    A apresentação sobre orçamento durante a reunião não cumpre os questionamentos que fizemos. Solicitamos uma prestação de contas da Secretaria de Estado da Cultura a respeito de suas ações em parceria com o Instituto Sincades. Queremos a exposição de todas as ações da Secretaria, no período de 2008 a 2015, e a exposição da quantia do orçamento que foi investido pelo Governo do Estado e a quantia do orçamento investido pelo Instituto Sincades. Acredita-se que esta exposição possibilite uma visão geral a respeito das ações desenvolvidas pela SECULT e sua continuidade, bem como expõe as quantidades de verba pública ou privada que sustentam as ações da Secretaria de Estado da Cultura. Este controle de ações e investimentos deve ser apresentado pela SECULT, tendo em vista que ela é o órgão estadual responsável pela execução de políticas públicas de cultura.
    Esclarecimento: o movimento não defendeu em nenhum momento a proposta de não-recebimento de verba privada, apenas pediu transparência nas transações entre SECULT e instituições privadas. Assim, o movimento não pode ser responsabilizado por medidas arbitrárias do Governo em não receber as referidas verbas – que devem ser alocadas na conta do FUNCULTURA, que ainda está em processo de criação. 

    QUARTO: Publicação imediata da portaria de criação da comissão cultural de análise de portos aprovada por unanimidade há dois anos no Conselho Estadual de Cultura; 

    O Secretário justificou que há dois anos ele ainda não estava no cargo e para publicar tal portaria ele precisa ser respaldado legalmente pela Procuradoria Geral do Estado. O Conselho Estadual de Cultura tem caráter deliberativo, logo, a função do Presidente do Conselho Estadual de Cultura é publicar o que foi aprovado, ainda que em atraso.

    QUINTO: Criação imediata do Instituto de Patrimônio Cultural do Espírito Santo e reestruturação do Conselho Estadual de Cultura;

    O secretário não nos deu retorno sobre prazos para a criação do Instituto, tampouco para a reformulação do Conselho Estadual de Cultura. De acordo com as discussões anteriores, levantadas pelo antigo Secretário de Estado da Cultura Maurício Silva, para que o CEC seja reestruturado e as novas câmaras sejam criadas, é necessária a criação do Instituto de Patrimônio. Logo, para que haja a reformulação do CEC, a criação do Instituto de Patrimônio está vinculada a ela. 

    Ainda em relação ao Instituto de Patrimônio, é necessário que o Governo do Estado encaminhe a minuta original da SECULT sem as alterações da SEGER.

    SEXTO: destinação de 11 milhões em verbas públicas do Governo do Estado do Espírito Santo aos editais FUNCULTURA 2015;

    O presidente do Conselho reafirmou que a pasta não dispõe de recurso para atender à reivindicação do #OcupaSecult; não apresentou as ações previstas para o exercício de 2015 e propôs que a comissão formada como encaminhamento do primeiro ponto de pauta também se responsabilize por um estudo que traga recursos do Tesouro para a pasta de Cultura. Nesse momento, já não havia quórum para deliberar se a comissão acumularia também essa função; deste modo, não houve votação, e sendo assim, o movimento não valida esta proposta.

    O movimento #OcupaSecult é irredutível em relação à proposta de 11 milhões de reais em verbas públicas para os Editais FUNCULTURA 2015. Este valor foi acordado entre o movimento tendo como base os 8 milhões investidos em 2014 pela SECULT nos editais setoriais e o acréscimo de 3 milhões para que sejam investidos em 2015 diretamente nos editais transversais. 

    Fórum Livre de Cultura Capixaba
    Vitória, 08/05/2015

    ***

    Até as 22h48 desta segunda-feira, a página de Notícias da Secult-ES não publicou nenhum informe relativo à reunião do dia 7. 


    Música Belo Horizonte: 15º Prêmio BDMG Instrumental


    Teatro João Pessoa e Recife: Teresinhas


    Curso São Paulo: Lutas Cênicas


    Oficina Salvador: Teatro para Iniciantes




    Período de inscrição: 11 a 20 de maio

    Período de seleção: 21 a 23 de maio

    Período de realização da oficina: 25 a 29 de maio, 14h às 17h

    Público-alvo: jovens a partir de 16 anos, atores amadores, atores iniciantes
     
    Contato: 71-3324.4522

    Inscrições pela Internet através do link:

    *O preenchimento deste formulário não garante a sua inscrição. Haverá um processo seletivo, levando em consideração experiências apresentadas, e os participantes serão informados da confirmação de sua inscrição dentro do período informado no cronograma acima. 

    domingo, 10 de maio de 2015

    Dança Porto Alegre: Workshop com Didi Pedone


    Teatro Macapá: Cabras Cabras


    Opinião Cinema: Os Vingadores: Era de Ultron


    Por Bianca Oliveira,
    de Macapá



    Vingadores, Vingadores, Vingadoooooreees.... esse texto vai ser um pouco pessoal, sou suspeita para falar: estava muito ansiosa para assistir o segundo longa, pois o tema é mais complexo que as questões de poder e as relações familiares do primeiro do grupo de super-heróis, lançado em 2012. Talvez por isso tanto tenha se falado sobre o tom "mais sombrio" do filme, claro que foi quebrado por algumas cenas de humor e romance (ou não). O certo é que houve alguns excessos...

    Vamos por parte, não é?! Tudo começou com Tony Stark. Ele não superou totalmente o estresse pós-traumático apresentado em Homem de Ferro 3 (2013) e continua obcecado pela ideia de manter o mundo protegido, e aí resolveu virar um “defensor global”. Sua busca por redenção passa pela criação de uma legião de robôs, comandados por Jarvis (cuja voz é de Paul Bettany), que patrulham o mundo e pretendem torná-lo mais seguro. Como Jarvis é limitado, Tony Stark e Bruce Banner criam uma inteligência artificial de verdade, almejando a criação de um ser imune ao erro, só que , no entender de Ultron (James Spader - à direita), a salvação da Terra está diretamente ligada à destruição dos Vingadores. Vocês devem imaginar o que acontece daí em diante,  Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Thor (Chris Hemsworth), Capitão América (Chris Evans), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) vão se unir e usar seus ultra-superpoderes para combater as forças do mal.



    Junto com Ultron os gêmeos Wanda (Elizabeth Olsen) e Pietro Maximoff (Aaron Taylor-Johnson) (foto ao lado) são guiados por um desejo de vingança. Apesar do Aaron ter feito uma interpretação muito boa (especialmente na linguagem corporal do veloz personagem), Elizabeth roubou a cena, especialmente pelos seus poderes de manipulação da realidade; seu poder, ao mesmo tempo que amedrontava, era plasticamente bonito e intrigante. Um dos novos heróis a serem trabalhados é o Visão (também Paul Bettany), fruto de inadvertido esforço coletivo, algo extremamente bem pensado dentro da lógica do filme. É chamado de "inocente" logo nos primeiros momentos de vida, mas é alguém movido por uma consciência poderosa, encara a humanidade de um modo mais triste e esperançoso. Quando ele aparece todos ficamos “presos” à tela, em especial numa luta ao lado de Thor, que tem pouco o que fazer na história. Etéreo, poderoso e sutil como deve ser, o Visão é a representação pura da ideia que guia tudo aquilo.

    Em cena, cada um teve o seu momento, apesar que Thor ficou um pouco apagado, exceto pela cena com seu poderoso martelo, a maior surpresa foi o espaço dado ao personagem do Gavião e a Viúva Negra, além do "climinha" dela com o Hulk, mostrando um vínculo emotivo criado entre duas pessoas solitárias justamente por conta dos medos e dos acontecimentos do passado. O Capitão ressaltou bem a sua autoridade natural, mesmo com as brincadeiras, na hora da batalha ninguém questionava seus comandos. A escalação de James Spader como Ultron foi perfeita, o tom sombrio, vingativo, a sua voz o deixou de uma forma mais ameaçadora. Ele ironiza, desafia, seduz, faz piada e mata por pura e fria lógica. Bettany também está perfeito no papel do Visão, complementando o visual exótico do personagem com um olhar ingênuo e maravilhado.


    Clima rolando entre a Viúva Negra
    e Bruce "Hulk" Banner


    O diretor Joss Whedon sabe navegar bem entre a ação, o drama e a comédia, muitas vezes na mesma cena. Exagerou com algumas cenas de ação e se eu fosse vocês saía correndo das salas 3D, que neste caso não acrescentam nada à narrativa; o próprio diretor admitiu que não pensou no filme com a tecnologia em mente. Além da direção, Whedon se saiu bem com o roteiro também, levantando discussões importantes de um tema bem atual: inteligência artificial.

    Há quem diga que adorou o filme, os mais nerds vão dizer que a “Marvel tem repetido a mesma fórmula e feito bastante dinheiro com variadas versões dela” e que eles estão atrasados e não estão abordando de verdade o dilema de ser um vingador. Será que o que vale é quanto a bilheteria arrecadou? Bom, independente do lado que cada um veja, quase todos concordam que Vingadores – Era de Ultron é mais ambicioso e equilibrado que o anterior, além de ter uma trilha sonora muito boa, e mesmo com as bastante longas sequências de combates (o que deixou um pouco chato). Enfim, o filme cumpriu seu papel e deixou o terreno preparado para as duas partes de Vingadores: Guerra Infinita.

    Ah, sim, como sempre nada de sair correndo da sala, há uma surpresa durante os créditos.



    Mercúrio