domingo, 17 de maio de 2015

Opinião Cinema: Cinderela

Por Bianca Oliveira
de Macapá




Imagine uma menina que vive em uma fazenda com seus pais e seus melhores amigos (os animais). Lá ela é bastante feliz e adorada por todos mas, como nem tudo são rosas, sua mãe adoece e minutos antes de falecer faz um pedido a sua amada filha: “Tenha coragem e seja gentil”. A menina cresce e seu pai decide se casar, pois ele viaja muito e não quer mais deixá-la sozinha. E é assim que a moça ganha uma madrasta e duas meias-irmãs. Não demora muito e outra coisa acontece: seu pai acaba falecendo em uma das viagens. Tenho certeza que você já ouviu essa história, que já viu milhares de versões dessa moça cheia de magia, encanto, fé e na nova versão cheia de força. Essa é a história de Cinderela, filme cuja primeira versão, realizada em desenho animado em 1950, salvou a Walt Disney Productions da falência. Sua nova versão com atores, estreada agora em 2015, não tem por trás nenhuma intenção revolucionária. Há, ao contrário, uma opção pelo resgate de velhos valores românticos.

Cinderela : Foto Lily James
Lily James como Cinderela

Cinderela é essencialmente dramático, e é legal demais ver um filme para crianças com um ritmo calmo, linear como o filme original, criando diversas cenas sem recorrer à tela verde, sem efeitos mirabolantes, com personagens exageradamente estranhas (as crianças amaram, eu assisti rodeada por miniprincesinhas que se encantavam a cada minuto). A personagem não foi completamente remodelada como nas outras versões. Na pele de Lily James, Cinderela é tão bela, gentil e justa quanto a princesa da animação. O filme apenas redimensiona a sua história, tornando-a mais humana em um mundo surreal. Aliás, a Disney está começando a efetuar um movimento contrário dos grandes estúdios de animação, eles estão levando o estilo mágico da animação à filmagem com atores.

Cinderela : Foto Lily James, Richard Madden
Cinderela humilhada pela
madrasta (Cate Blanchett)


Cinderela : Foto Richard MaddenA produção acertou em cheio com a escolha do elenco, os atores atuam além do realismo. Cate Blanchett é a atração principal, excelente no papel da madrasta malvada Lady Tremaine, ela tem o mesmo tom caricato e sombrio da versão animada. Os trejeitos demoníacos e os olhares fulminantes da personagem nos prendem na tela, ao mesmo tempo a odiamos e a aplaudimos de pé pela brilhante atuação. Drisella (Sophie McShera)  e Anastasia (Holliday Grainger) são um escândalo de ótimo timing e precisão no humor visual, sem características irreais ou muito fantasiosas, são pessoas normais que se destacam com um figurino meio exótico e um “jeito chamativo”. O príncipe é um fofo, vontade de pegar no colo e encher de beijo: Richard Madden (à direita) é a encarnação do príncipe encantado, com uma ingenuidade corretamente ajustada para uma realidade de amores à primeira vista, além de olhos lindos e um sorriso encantador.

Cinderela : PosterQuem nunca sonhou em ter uma fada madrinha, hein?! Helena Bonham Carter ficou ótima como Fada Madrinha, e melhor ainda como narradora da história - o  desempenho vocal da atriz é impressionante. Longe da maternal versão animada, compensa pelo exagero nas suas expressões e gestos. Ela é uma bela saída cômica e sua cena é uma das mais deliciosas do filme.


O melhor de tudo é que essa versão tocou em pontos raros nas animações da Disney, como a infância do personagem, mostrando a mãe e até o passado da madrasta (o que me surpreendeu). O roteirista Chris Weitz fugiu a algumas regras e o diretor Kenneth Branagh contribuiu ainda mais para esse conto de fadas nos fazer sonhar se deliciar com essas fantasias. Claro que com esse filme a Disney quis mostrar  que  pode se perpetuar por mais algumas gerações, que ela fará sucesso com todas as idades. O filme, mesmo querendo inovar, apresenta aquela velha sociedade patriarcal. Mas sem sombra de dúvidas é um filme gostoso e que te prende no mundo encantado das princesas sonhadoras e desastradas que perdem seu sapatinho de cristal...ou não.


Cinderela : Foto Lily James

Nenhum comentário:

Postar um comentário