quarta-feira, 29 de julho de 2015

Opinião: Obra e Legado


Parece que passei a existir depois do CD. Isto é maluco, você estuda e toca anos a fio, grava com muitos, vai a todos os festivais mas você só existe se tiver um disco.(Maurício Marques, violonista gaúcho, em entrevista que fiz com ele em 2005). 
Tenho pensado muito nesta frase do Maurício Marques ultimamente, mais especificamente desde que lancei os curtas-metragens da série As Tias do MarabaixoNa minha cabeça, sendo eu jornalista, editar veículos como os blogs Jornalismo Cultural Som do Norte já seria a minha 'obra', ou seja, algo que me garantisse o respeito alheio. Mas por incrível que (me) pareça, muita gente boa ainda não considera o trabalho jornalístico veiculado na internet como jornalismo, então até pouco tempo atrás ainda eram frequentes as perguntas sobre quando eu iria procurar emprego em um jornal... (risos). Então, de algum modo, é como se eu também tivesse "passado a existir" com o lançamento dos curtas (mesmo que o fenômeno citado acima ainda se repita de algum modo; o lançamento aconteceu de forma virtual, no YouTube e no blog do projeto, e cheguei a notar a decepção de algumas pessoas que imaginavam que o lançamento seria em algum cinema ou mesmo já direto em DVD - chegamos lá!). Enfim, estas obras já me propiciaram algumas alegrias, primeiro com a circulação da mostra de curtas e da exposição de fotos em Macapá, e mais recentemente com a primeira exibição fora do Amapá, na cidade de Paraíso (TO)(veja aqui)(a foto que ilustra a matéria, de autoria de Cláudio Macagi, retrata um momento deste evento). 
Mas talvez tão ou mais importante do que ter um trabalho para chamar de seu, seja o legado que você possa deixar para a sociedade a partir deste seu trabalho. Minha atenção para este item foi despertada em uma conversa que tive com o produtor cultural André Donzelli, o Porkão, em Palmas, no dia seguinte à exibição em Paraíso, quando eu já me preparava para vir para Salvador. No longo trajeto (22h de ônibus), em dado momento o pensamento voou da recordação desta conversa para a ideia de criar uma Oficina de Cinema Independente.
A ideia é dividir com os participantes a minha experiência de realizar audiovisual "na raça". Fazer cinema hoje é algo bem mais acessível do que era há até, talvez, 15 ou 20 anos atrás. Atualmente, você pode filmar com seu celular, editar em seu notebook e, tendo uma conexão com a internet, postar seu material no YouTube e nas redes sociais e mesmo se inscrever em festivais de cinema (vários aceitam o envio de um link, dispensando o envio de DVDs pelo Correio). A primeira edição da Oficina já tem data: será nos dias 13, 14 e 15 de agosto em Jequié (BA). 
* Publicado originalmente no LinkedIN

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