quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sejamos multiplicadores

Foto: Fabio Gomes
Salvador - Estou desde final de julho na Bahia, divulgando meus curta-metragens da série As Tias do Marabaixo e minha Oficina de Cinema Independente (cuja ideia me ocorreu já em solo baiano, quando eu vinha para cá procedente de Palmas, Tocantins). A primeira edição da Oficina, que seria em meados de agosto em Jequié, a 366km da capital baiana, foi remarcada para os próximos dias 11, 12 e 13 de setembro. É claro que meus amigos imaginam que eu passe os dias na beira da praia tomando água de coco apreciando o pôr-do-sol (como o da foto acima), e à noite corra atrás do trio elétrico (ah, os estereótipos etc - risos), mas a verdade é que minha rotina aqui envolve bastante trabalho, incluindo o contato com possíveis contratantes de minha Oficina. Nesta semana, ao conversar com a responsável por uma ONG de arte-educação que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, ela assim comentou após eu lhe descrever a Oficina: "Vejo que você investe na formação de multiplicadores". 
É muito interessante quando a gente recebe um retorno como esse, um olhar vindo de fora mas que paradoxalmente consegue captar num instante uma síntese do que se nos passa por dentro. Confesso que nunca havia pensado na Oficina nesses termos, mas com certeza de imediato reconheci, aceitei e assumi o novo termo (assumi, ou para usar uma expressão da moda, me apropriei dele).
Sim, invisto na formação de multiplicadores. Não só na Oficina, onde isso é de fato mais visível - eu, enquanto cineasta, compartilho com os inscritos minha experiência na área, o que vai ter como efeito multiplicar o número de pessoas que a partir dali irão se dedicar ao cinema, seja como hobby, seja profissionalmente. 
Mas também não posso deixar de considerar um investimento na formação de multiplicadores a nova orientação editorial do meu blog Jornalismo Cultural, no ar desde 2005 (o 10º aniversário é no dia 6 de outubro). Em boa parte desta década, o blog (atualizado como site nos primeiros seis anos) priorizava a publicação de agenda cultural (shows, filmes e peças em cartaz, lançamento de livros) e opinião (comentários sobre os frutos desta movimentação cultural). A estes dois aspectos, está sendo acrescido um terceiro - a cobertura de editais públicos na área de cultura e da política cultural como um todo.
Há uma infinidade de editais abrangendo todas as vertentes artísticas sendo lançados anualmente por empresas privadas e também pelas três instâncias governamentais - o Governo Federal, os governos estaduais e uma grande parte dos 5.570 municípios brasileiros. Isso sem falar dos editais lançados por entidades de outros países, abertas a qualquer pessoa do mundo (bastante comuns nas áreas de cinema e fotografia). Infelizmente, quem acompanha os veículos da mídia de massa tradicional tem acesso a muito pouco dessa infinidade - os "jornalões" costumam dar mais destaque a editais abertos por grandes empresas privadas, que não são os únicos, nem necessariamente os melhores caminhos. 
Se levarmos em conta que na quase totalidade desses editais estamos falando de verbas públicas (ou por investimento direto do Estado, ou por renúncia fiscal em boa parte dos editais privados), considero que ao priorizar a cobertura de editais estou não só cumprindo o meu papel jornalístico de prestador de um serviço ao público de meu país, mas igualmente investindo na formação de multiplicadores, ou ao menos sendo mais um canal de acesso a informações que lhe são vitais. 
E você? Já parou para pensar como pode ser um multiplicador em sua área de atuação?

Nenhum comentário:

Postar um comentário