quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Opinião Cinema: Linda de Morrer

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Eu sei que todas as vezes que comento sobre o cinema nacional sempre reclamo, critico e alguns podem até achar que já vou para o cinema pensando em “falar mal”. A verdade é que sempre vou orando para que dessa vez dê certo, o problema é que não vejo crescimento no cinema nacional, noto muita insistência no mesmo gênero, mesmo roteiro, mesmo ritmo, tudo igual, se está dando dinheiro por que não continuar, não é?! Pior ainda é que sempre a massa vai assistir e aceitar esse “padrão”. Acreditem em mim, existem filmes nacionais muito bons, que vão além da comercialização e de tantas futilidades, infelizmente esses que são realmente bons não têm o mesmo apoio da mídia (por motivos que não tem como aprofundar aqui).

Maaas, vamos falar desse filme em si. Peguem tudo que falei das outras comédias nacionais e coloquem aqui; o que muda? A sinopse. Confesso até que me surpreendi e acreditei que dessa vez ia. Só que foi a mesma fórmula, os mesmos estereótipos, alívios cômicos secundários, mais uma vez subestimando o espectador brasileiro, ao invés de alimentar a educação de seu público. O ritmo estava super acelerado, foi bem estranho, cortaram demais, pareciam “correr contra o tempo”. A direção de Cris D’Amato é muito presa à linguagem televisiva, focando nos personagens e desperdiçando aquilo que é mais gostoso no cinema: narrativa que vai muito além de meros diálogos, porque somos cativados também por meio da direção de arte, da fotografia, figurino, trilha sonora, etc. Coisa que não aconteceu.

Linda de Morrer gira em torno de Paula (Glória Pires), dona da famosa Imagem Clínica e Laboratório, que em parceria com Fran (Ângelo Paes Leme) cria nada mais, nada menos que a cura para a celulite: “Milagra”. Entretanto, no dia da grande festa em comemoração ao lançamento, Paula falece, e adivinhem o motivo?! Efeito colateral do remédio. Daí surge então Daniel (Emílio Dantas), psicólogo, tímido, contido, retraído, e que nem imaginava que tinha herdado o dom da sua avó recém-falecida: mediunidade.  Paula precisa salvar aquelas que estão fazendo filas só para comprarem o que tirou sua vida, por isso, persegue de todas as formas Daniel para ele entrar em contato com sua filha Alice (Antonia Morais, filha de Glória Pires na vida real) e  explicar tudo pra que ela possa interromper as vendas do remédio.


História diferente não? De fato, tinha tudo para dar certo, acredito que o maior erro tenha sido o gênero. Nada contra comédias mas, por que não aproveitar a oportunidades para informar e fazer com que as pessoas saiam dos cinemas pensando e indagando as futilidades que estamos expostos? Só que no fim, foram para o lado mais fácil: roteiro preguiçoso, atuações forçadas, alívios cômicos comuns e aquelas “piadas” sem nexo e dificilmente fariam alguém rir.


Antonia Morais é nova, está iniciando sua carreira ainda, claro que não posso julgá-la taaanto mas, em cena parecia insegura, fria, não acertou muita coisa não.  Glória Pires, claro, sempre tão elegante, sem dúvidas deu um charme maior para Paula, só que o que mais me deixou curiosa foi o porquê de Susana Vieira ter feito um papel tão simples daquele? Não tenho duvidas de que ela poderia ter dado uma cara e um ritmo bem melhor ao filme. Não é algo que aconselho para assistirem, pois o ritmo é acelerado demais, final previsível, aliás, muitos personagens nem tiveram um “final”, ficou tudo muito vago. Espero que um dia o cinema comercial brasileiro perceba que merecemos muito mais e que queremos algo inovador.

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