sábado, 31 de outubro de 2015

Opinião Cinema: O Pequeno Príncipe

Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Pela primeira vez está sendo muito difícil escrever esse texto, é impossível descrever toda essa magia e sentimento, tudo que sentimos nos 106 min de animação.  Quem nunca leu O Pequeno Príncipe?  Uma obra atemporal de Antoine de Saint-Exupéry (1900-44), lançada em 1943, que cativou a todos e que é passada de geração em geração. Se você não leu o livro, não se desespere, a animação está tão bem produzida que qualquer um entende e se encanta, é para a toda família mesmo, não se engane achando que só as crianças que vão gostar (Mas, afinal, é para as crianças?) 

Logo no começo já percebemos que não é uma adaptação fiel.  E que roteiro hein?! Irena Brignull e Bob Persichetti foram extremamente felizes e eternamente cativantes com essa história tão bem elaborada. Aliás, o diretor Mark Osborne também, ele tem a brilhante ideia de sem perder a essência da obra original, mesclar duas histórias: a já conhecida do menino que vivia solitário em um asteróide, viajando pelo espaço, onde encontrou um aviador perdido no deserto, com o qual desenvolve uma grande amizade; e a nova agora, onde  uma pequena garota (que não recebeu nenhum nome) leva uma vida bastante regrada: sua mãe tem uma obsessão de controlar tudo à sua volta, incluindo cada segundo dos dias de sua filha só para que ela entre na melhor escola. Mas, graças às estrelas, a menina é interrompida por seu excêntrico e amável vizinho, O Aviador. É aí que começa a jornada mágica e emocionante da Pequena Garota pela sua imaginação e pelo universo do Pequeno Príncipe. O diretor ainda teve a genial ideia de usar duas técnicas diferentes de animação para contar as duas histórias: a animação em CGI para o segmento inédito, e em stop-motion para a história do Pequeno Príncipe (compensa pagar mais caro para ver em 3D, o filme é perfeito, esteticamente falando).




O filme é cheio de lições, mensagens e sem deixar de lado as frases incríveis do original. A animação é uma crítica ao mundo atual, um mundo cinza, quadrado, cheio de rotinas e de pessoas sem vida, sem vontade de viver. Impossível você não parar e pensar: “ O que eu estou fazendo? Por que tanta ambição? O que está acontecendo?” Creio que estamos esquecendo da verdadeira beleza, afinal, “O essencial é invisível aos olhos”. O filme em si já tinha uma enoooorme carga emocional, para mim então, o meu livro favorito na tela, as lições, tudo me tocou e eu chorei igual uma boba na sala. Aí você pensa: “Ah, Bianca! Mas você é coração de manteiga mesmo, vive chorando”, não é assim não, caros leitores, eu olhei para o lado e os outros também estavam chorando (Tá, mesmo assim, confesso que choro por tudo mesmo).


Deixando um pouco o sentimento de lado e olhando com olhar mais crítico, lá pela metade caiu o ritmo, e se perdeu o nexo com o começo da história, mas ai quando vem o final histórias entrelaçadas rola uma lição de moral que você sai do cinema pensando no quão frio o mundo está. Não posso esquecer de ressaltar a trilha sonora de Hans Zimmer e Richard Harvey, não tenho dúvidas de que ela foi a chave para entrarmos na fantasia, para nos envolver ainda mais.

É um longa que todos precisam ver (não os mais novos, mais velhos ou crianças, estou falando de TODOS), ele transmite uma mensagem sobre a importância da imaginação, a amizade, o essencial que muitos abandonaram, e aborda também a perda da inocência que vem com a “vida cinza de adulto” e  que deveríamos manter acessa esse jeito de ver o mundo que as crianças possuem. É uma poesia em tela!


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