terça-feira, 3 de novembro de 2015

Opinião Cinema: Um Senhor Estagiário

Por Bianca Oliveira
do Rio de Janeiro



São tantos livros adaptados, grandes lançamentos, sequências e blablablá que uma produção hollywoodiana simples como Um Senhor Estagiário acaba passando despercebida (por mim quase passou, eu confesso). E olha, vale a pena, tem um roteiro original, moderno, bastante leve e o melhor é que é protagonizado pelo maravilhoso Robert De Niro e a incrível Anne Hathaway.

Ben (De Niro) é um senhor de 70 anos que está aposentado e extremamente entediado; em uma de suas tarefas de rotina ele encontra um panfleto onde diz que uma empresa está contratando “estagiários sênior” (ou seja, acima de 50 anos), e é aí que ele vê uma nova oportunidade de se sentir útil. Com todo seu charme e elegância é obvio que ele foi contratado e, adivinhem só, ainda colocaram-no para trabalhar com a fundadora e diretora de uma empresa de e-commerce, Jules (Hathaway). A toda-poderosa é jovem, casada, tem uma filha e cresceu rapidamente na carreira devido à sua persistência e liderança mas, com isso ela precisa fazer malabarismo pra ser uma boa mãe, esposa e profissional. Infelizmente acaba deixando algumas coisas de lado - coisas do tipo comer, dormir e se cuidar. Apesar de Jules achar que Ben pode atrapalhá-la, ou mesmo invadir seu espaço, ele no fim acaba conquistando a confiança da moça, aí nasce uma linda amizade, mesmo os dois sendo de gerações diferentes.

A diretora Nancy Meyers já é conhecida por seus filmes românticos com doses de humor e drama, além de toques feministas. Ela já mostrou saber tirar o máximo de seus atores, como já pudemos ver em Alguém tem que ceder, Simplesmente Complicado e O Amor não tira férias. O roteiro, também assinado pela diretora, tem ótimas sacadas sobre as diferenças de estilo de vida e de trabalho entre os jovens atuais e as pessoas mais velhas. A fotografia de Stephen Goldblatt também chamou bastante atenção e acentuou o clima gostoso do filme. Tudo isto junto com uma simples, porém forte trilha sonora composta por Theodore Shapiro. Claro que mexeu com a emoção de todos, nos fez dar risadas e até trouxe lições, só que sem forçar nada, o filme nos faz pensar sobre como subestimamos a experiência. Só que calma, nem tudo foram flores, eu senti falta de “subidas e descidas”, conflitos mais aprofundados com resoluções coerentes, tudo ficou muito “clean”, não sei se a intenção era essa, só que nós queríamos mais.

De Niro está muito fofo e fez uma interpretação cativante com o gestual, na maneira de falar, na força contida que ele exala e suas caras e bocas (e piscadas) na frente do espelho, TUDO. Ele não está perdendo nada com o passar dos anos.  

Anne Hathaway está afiadíssima e bastante envolvida no papel, conseguindo transmitir a determinação, a garra e a força de vontade que a personagem tem. Mas não são só eles que se destacam não, quer um exemplo? Anders Holm, que faz Matt, marido de Jules, Matt, se encaixa perfeitamente na ideia do papel atual do homem e da mulher, além dos dois serem uma fofura só em tela. Além de Rene Russo, Andrew Rannells, Zack Pearlman, Adam DeVine - e a grande surpresa fica por conta da atriz-mirim Jojo Kushner, que faz a filha de Matt e Jule, Paige. Ela atuou tão bem, adoravelmente linda, e vejam bem, é seu primeiro papel, imagina o que a experiência não irá fazer com essa menina?


Não é uma super-hiper-mega-ultra produção, nem tão pouco é um fiasco, é simplesmente um filme leve e que nos proporciona boas gargalhadas, suspiros e um espírito bem mais leve do que estávamos antes dele. Sem dúvidas vale a pena a família assistir.





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