terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Opinião Cinema: Jogos Vorazes: A Esperança - O Final

por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro 



O jeito é esperar, em 2015 vamos ver a senhorita Everdeen chegando ao fim na luta contra o Presidente Snow para salvar o povo de Panem, confesso que estou ansiosa e esperando muito desse filme. ”  - assim eu encerrei minha resenha de Jogos Vorazes - A Esperança (Parte 1) . E, olha aí, chegou! O dia em que descobrimos se uma das franquias mais importantes da atualidade tem um desfecho digno e também fiel ao livro (essa foi a adaptação da segunda metade do terceiro livro da série literária de Suzanne Collins) e infelizmente também foi a nossa despedida do ator Philip Seymour Hoffman (1967-2014) nas telas de cinema, ele faleceu durante as filmagens. Uma mistura de sentimentos, expectativas e esperança (bam-dum-tss), assim se pode resumir “O Final”.


Como já de costume da franquia, o 4° filme começa exatamente do mesmo ponto que o 3° terminou: Katniss (Jennifer Lawrence) está com o pescoço machucado e nem consegue falar após ser estrangulada pelo seu ex-amor, ou não, Peeta Mellark (Josh Hutcherson), que passou uma temporada sob tortura na Capital. A ameaça de guerra está cada vez mais forte, os distritos estão unindo-se para tomar Panem do Presidente Snow (Donald Sutherland) e o tordo da revolução está divido entre matar Snow e sua aversão à violência, que é praticada pelos próprios companheiros como parte da guerra. Com a ajuda de seus melhores amigos Gale (Liam Hemsworth) e Finnick (Sam Claflin), Katniss parte para a capital com o grupo do Distrito 13, encarando desafios nunca enfrentados em qualquer edição dos Jogos Vorazes.

Jennifer Lawrence carrega o filme nas costas, não é à toa que quase 100% de tela é dedicado à ela, seu carisma, a grandiosidade nas cenas de ação, o rosto indiferente durante as discussões políticas, a frieza depois de tanto sofrimento, tudo demonstra o quanto o conflito é cruel com a população e que não há inocentes independente da idade. Só que aí que o diretor Francis Lawrence erra totalmente, ao invés de usar a força do personagem ele demonstra uma menina enfraquecida que é excluída das cenas mais importantes. É tanta explicação, didatismo, que o filme fica com o ritmo totalmente bagunçado, começando dolorosamente lento, para em seguida se apressar quando realmente importa. Nós não queremos isso, queremos ação, queremos ver o que acontece, não precisa explicar, quando uma cena é boa um pequeno detalhe que seja faz com que até o mais leigo dos leigos entenda o que está acontecendo ali. O roteiro de Peter Craig e Danny Strong não conseguiu ganhar a empatia do público com vários dos personagens coadjuvantes, o longa recorreu a soluções simplistas e não mostrou a inovação característica da saga.




Outro erro foi a fotografia do filme de Jo Willems que sempre estava muito escurecida e sombria, tudo bem, eu sei que o país é oprimido por uma ditadura e arrasado pela guerra civil por isso a frieza da fotografia, só que além disso ainda teve o excesso de corte que  já estava dificultando nossa vida, e aliado a um filtro muito escuro então impediu que algumas cenas fossem entendidas. Nem vou comentar do 3D totalmente desnecessário, estava nítido que ali só teve 3D porque os ingressos eram mais caros, assim enchiam mais os bolsos dos produtores, porque não há outro motivo para o uso de tal tecnologia, absolutamente nada, nem em questão de profundidade.

Felizmente, há bons momentos no filme, destaque para Finnick lutando contra os bestantes no subterrâneo da capital (essa foi uma das melhores cenas da saga) e também, claro, o elenco é um dos pontos altos da história. Além de Jennifer, que sem dúvidas foi o maior certo da franquia, a atuação sensacional do mestre Donald Sutherland nos trouxe um presidente cínico, cruel e polido. Josh Hutcherson consegue passar para o espectador a angústia de Peeta, demonstra muito bem o conflito interno sufocante do seu personagem. Julianne Moore e Stanley Tucci fizeram muito bem seu papel, demonstraram que estavam bastante ligados ao seu personagem. Enquanto isso Liam Hemsworth era o perdido da cena, teve uma atuação inexpressiva e foi o “abandonado” tanto pelo roteiro quanto a direção.


O filme não é ruim, só é muito decepcionante. Fica aquela dúvida na cabeça: O que aconteceu com o ritmo e a ação que foi tão bem controlada nos dois primeiros filmes? Impossível não sair do cinema desapontada, nem comi minha pipoca (e vocês sabem como amo pipoca), é triste ver que uma franquia tão boa não soube abordar direito um tema inovador, atual e que tinha tudo para dar certo. Mas não tem o que pague conferir Philip Seymour Hoffman pela última vez nas telas de cinema, sua atuação não teve destaque, pois ele faleceu durante as gravações, mas foi digna de uma carreira fantástica, o seu adeus no filme nos deixa emocionados, com um aperto no coração e uma gratidão enorme pelos risos, choros, conselhos e por tudo que seu talento nos proporcionou.







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