sábado, 13 de fevereiro de 2016

Opinião Cinema: Até que a Sorte nos Separe 3

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




Após dois filmes chatos com a mesma história, a franquia Até que a Sorte nos Separe ganha seu terceiro e último filme (é a primeira série cômica brasileira recente a chegar ao terceiro filme).  O filme foi gravado em tempo recorde, menos de dois meses, e a produção fez de tudo para conseguir lançá-lo ainda em 2015, o que aconteceu na véspera do Natal. Com a direção de Marcelo Antunez e Roberto Santucci (este dirigiu sozinho os dois filmes anteriores, de 2012 e 2013), o longa tem tudo para conquistar os brasileiros.

Pela primeira vez, Tino (Leandro Hassum) trabalha, é um vendedor ambulante de biscoitos Globo, e em um dia normal de trabalho ele é atropelado. Depois de ficar 7 meses em coma, o moço acorda e descobre que foi atropelado por Tom (Bruno Gissoni), e que ele é o filho do homem mais rico do país, Rique Barelli (Leonardo Franco) - pior ainda, sua filha Teté (Júlia Dalávia) está apaixonada pelo “playboy” e eles decidiram se casar. Assumindo o papel de pai da noiva, Tino decide que vai bancar todo o casamento; para ajudar nisso, Rique lhe dá um emprego em sua empresa, mal ele sabia que esse seria um erro enorme, e adivinhem só? Após atender uma importante ligação, ele não só irá falir sua família (como nos outros filmes), mas sim o Brasil inteiro.

A trama tem um diferencial, uma sacada muito boa, cheio de significados. O filme é audacioso, chega a assustar por tirar sarro de situações que o Brasil vivenciou nos últimos anos e envolvem pessoas influentes, utilizando nomes fictícios é claro. O bilionário magnata do mercado de ações seria o Eike Batista? E sua mulher Malu de Carmo (Emanuelle Araújo) é a Luma de Oliveira? Sem contar que uma das cenas mais engraçadas é quando Tino e Amaury (Kiko Mascarenhas) estão no gabinete presidencial de Dilma Rousseff, Hassum aproveita e fala pelo povo indignado as mais diversas provocações à presidenta, embora uma ou outra sejam até ofensiva demais..

Leandro Hassum é perfeito para o papel, aliás, ele é o que está mais em destaque, as cenas em que ele não aparece ficam sem graça, e o melhor é que dessa vez foi um humor mais contido. Camila Morgado também é o destaque, sua interpretação dá uma forma para Jane, nesse filme a sintonia dos dois tá muito boa mesmo. Já Emanuelle (à direita) está muito contida, parece não estar à vontade com o papel, poderia ter dado um ar mais “perua”.

Infelizmente nem tudo são flores, há cenas entediantes que não tinham motivo de estar ali, enquanto o roteiro deixou algumas lacunas inexplicáveis (a história de amor entre Teté e Tom passou despercebida) sem contar que, como gravaram em pouco tempo, os efeitos são bem toscos, há muitos erros nas coisas mais básicas. A trilha sonora pode ser definida como muito irritante, pelo menos a fotografia estava bonita, mesmo sendo muito clara.



Mesmo assim, o filme foi surpreendente e até engraçado, mesmo com erros e piadinhas bestas. O mais legal é que dá para notar, nem que seja um pouquinho, que aos poucos o cinema brasileiro está evoluindo. Ainda temos um longo caminho mas Até que a sorte nos separe 3 consegue atingir seu objetivo de entreter o público e passar seu “lema” de que a família é mais importante que o dinheiro.



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