quinta-feira, 31 de março de 2016

Opinião Cinema: A Garota Dinamarquesa

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



primeira transexual a passar por uma operação de mudança de sexo nasceu na Dinamarca com o nome de Einar Mogens Wegener. Aos 48 anos, na década de 1920, o artista plástico Einar fez a operação e passou a se chamar Lili Elbe. Inspirado nesta história tão bela, e no livro de David Ebershoff que a retrata, Tom Hooper dirigiu o filme A Garota Dinamarquesa. Hooper só poderia ter ousado mais e abordado esse tema com um olhar bem mais sensível.

O filme se passa em Copenhagen, onde Einar (Eddie Redmayne), é casado com Gerda (Alicia Vikander), em um casamento feliz. Ele pinta paisagens delicadas e tem uma carreira de sucesso. Ela faz retratos e está em busca de seu lugar no mercado de arte. A dinâmica desse relacionamento muda quando Einar posa para sua esposa, para um quadro de uma bailarina. Gerda pede que seu marido calce sapatilhas, coloque meia-calça e segure sobre seu corpo um vestido branco. Naquele momento ele se encontra instantaneamente com alguém adormecido na sua personalidade, a detalhista e corajosa Lili Elbe. A partir daí, passa a se descobrir mais confortável como mulher e se joga em uma jornada de auto-descoberta.




O maior erro de Tom Hooper é que seus personagens não são fiéis ao real, à história, à toda a luta. Não que isso em si seja um problema, em alguns filmes dá um bom resultado, mas nesse caso ele tinha personagens reais com histórias fantásticas, qual seria o motivo de não investir nelas? A Gerda de verdade foi uma artista transgressora, que fazia pinturas e ilustrações eróticas com mulheres nuas masturbando umas às outras. A Lili encontrou um amor, quis ter filhos, foi forte e assumiu todos os riscos por uma vida plenamente verdadeira. Ela passou por muito mais coisa do que Hooper mostrou, parecia que ela estava no filme mais para mostrar sua relação com Gerda, o quanto Gerda foi forte e corajosa. Um filme que tinha tudo para demostrar luta e força se tornou algo melodramático demais, penso que chega até a ser uma traição a tudo que a verdadeira Lili Elbe passou.

O engraçado (ou não) disso tudo é que Tom Hooper engana todo mundo. Quando vamos assistir nós juramos que o filme fala sobre Lili Elbe, que ela é a Garota Dinamarquesa, mas a verdade é que Gerda é A Garota Dinamarquesa. O pior é que o estúdio conseguiu convencer todos de que ela é coadjuvante em um filme em que ela aparece na tela por mais tempo que o próprio “protagonista”. É a ela que alguém se refere como “garota dinamarquesa”, na única vez em que a expressão é mencionada, e o longa ainda abre com um close de seu rosto e encerra com uma fala sua (confuso, não?).


A atriz Alicia Vikander é que mais entra em seu personagem, sua atuação é convincente, sutil e real. Ela emociona, sabe passar perfeitamente a angústia que sua personagem deveria transmitir. Foi a quem mais chamou atenção e que mais se dedicou. Já Eddie Redmayne estava, como sempre, tecnicamente impecável. Suas expressões, os seus trejeitos, tudo estava incrivelmente certo. Mas o que mais senti falta foi da emoção, ele parecia frio, como se não soubesse construir o personagem de fato e isso foi bem decepcionante.

Apesar de tudo isso a fotografia de Danny Cohen estava linda demais, ele acertou em cheio e conseguiu transmitir a angústia nos momento certos. Já liberdade de identidade estava presente não só na maquiagem mas nos tecidos e no guarda-roupa. Tudo estava se encaixando, Paco Delgado pesquisou a arquitetura e as fotos de época do casal, ele fez questão de reproduzir fielmente o primeiro vestido branco, usado por Lili ao posar para Gerda e na primeira aparição em público como mulher, Lili usa um vestido cedido do departamento de figurino da Ópera de Copenhague. Outro ponto é para o tamanho exagerado dos ternos e chapéus que Einar passa a vestir, na segunda metade, eles apontam seu desconforto ao usar roupas masculinas o que ajuda e muito para a construção do personagem.


Mesmo com erros e acertos considero o longa um ótimo representante LGBT. Hooper em algumas cenas conseguiu transmitir a importância de conversar sobre esse assunto, de debater e de entender que é algo que vem de dentro para fora.  Não uma doença, loucura e todas essas coisas que, mesmo no século XXI, ainda tem muita gente pensando e agindo com preconceito, muito mais do que imaginamos. 


domingo, 27 de março de 2016

Cinema Independente (3)

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PÓS-PRODUÇÃO


Concluída a filmagem, inicia a fase de pós-produção e finalização do trabalho. Em linhas gerais, inicialmente você monta o filme, ordenando as cenas de acordo com o roteiro (se seu filme for de ficção), ou faz a decupagem, cria o roteiro da edição e então monta (se for um documentário). Depois, trabalha na edição do som, adicionando ruídos a cenas, equalizando diálogos e narração e, eventualmente, dublagem. Vem então o momento de adicionar a trilha sonora, inserindo nas cenas músicas compostas especialmente para o filme ou que você tenha permissão para usar (seja por estarem em domínio público, seja por você ter adquirido seus direitos). As etapas seguintes são a criação dos créditos iniciais e finais, a mixagem do som e o tratamento digital da imagem, para então termos o filme finalizado.

É evidente que, quanto maior for a verba disponível para o projeto, melhores serão os equipamentos disponíveis para a pós-produção. Mas, como já vimos, desde o surgimento dos equipamentos digitais, qualquer pessoa pode criar um filme com qualidade profissional. Veja como isso é fácil, através desse passo-a-passo em que detalho como montei os curtas-metragens da série As Tias do Marabaixo. Eu utilizei um computador com o sistema operacional Windows 8.1.

·         1º Passo – Instalando os programas

Inicialmente, você precisa ter um notebook ou computador, se possível com um bom processador (o ideal é o Intel Core i7; se o processador for da linha Celeron, o trabalho será mais lento, e talvez você nem consiga abrir arquivos de vídeo mais pesados). 

Para editar e finalizar meus curtas, eu utilizei 11 programas, todos eles gratuitos e com versões compatíveis com o Windows (alguns deles têm versões para outros sistemas operacionais também, e não será difícil achar programas similares para diferentes plataformas, como Linux e Mac). Vamos começar então baixando e instalando todos os programas:

- Any Audio Converter - http://www.any-audio-converter.com/

Alguns você já pode ter, porque fazem parte de vários pacotes Windows, como o Windows Media Player e o Movie Maker – ressaltando que ter este último é fundamental, pois esse tutorial é baseado no uso do Movie Maker. Vou falar um pouco sobre cada programa no momento em que eles começarem a ser usados, com exceção do Cool Beans, que não chega a ser um software específico para edição de áudio ou de vídeo. Sua função é monitorar o uso da CPU e da memória RAM de seu computador, alertando quando o uso compromete o desempenho do aparelho. O Movie Maker é um programa pesado, que utiliza praticamente toda a capacidade de processamento na hora de salvar um filme, portanto é importante usar o Cool Beans para evitar de tentar fazer outras tarefas simultaneamente e causar algum problema para seu filme ou seu computador.

·         2º Passo – Editando o filme

Transfira todos os arquivos de vídeo para o notebook. Feito isso, abra o Movie Maker e clique em "Clique aqui para procurar vídeos e fotos" - é possível juntar partes de vídeos diferentes ou cortar, além de inserir fotos em vídeos ou ainda fazer um vídeo unicamente de fotos. Dica: faça sempre uma cópia de todos os arquivos de vídeo, para evitar que você não tenha mais como voltar atrás se alguma coisa der errado na edição. Faça uma cópia e trabalhe com a cópia, preservando o arquivo original. 

Dificilmente você vai usar no filme tudo o que gravou, o que significa que você irá fazer cortes no que foi filmado (no caso de filmes de ficção, é comum filmar mais de uma versão da mesma cena, para usar a melhor; já num documentário, sempre pode acontecer de a fala do entrevistado sofrer alguma interrupção, que deve ser eliminada do produto final). Comece assistindo o vídeo e selecionando o trecho que pretende manter. Digamos que o trecho que lhe interessa inicie em 9:48. Vá à aba 'Editar' e selecione 'Definir ponto inicial'. Localizado o final pretendido, digamos 11:10, clique em 'Definir ponto final'. Dica: o melhor é ver o ponto final primeiro, pois se for definida a parte inicial, você deixa de ter a referência do tempo marcado. No exemplo acima, se cortasse primeiro em 9:48, o trecho final, que é 11:10, ficaria sendo 1:22.

Com o trecho definido, você pode, ainda na aba Editar, aplicar efeitos como fade in e fade out do áudio.

Também em Editar, ajuste o volume do vídeo para o máximo.

Faça o mesmo com outros trechos do mesmo vídeo ou de outros vídeos que você queira inserir no mesmo filme.

A aba Animações é interessante quando você vai fazer um filme com trecho de vários vídeos, pois permite escolher animações para abrandar a transição, evitando 'pulos' na imagem.

Na aba Projeto, escolha se você quer realçar a narração, o vídeo ou a música, ou deixar sem realce, e qual a proporção da imagem na tela (o padrão é Widescreen 16:9, eu costumo deixar desta forma).

A aba Efeitos Visuais permite você alterar bastante o visual do seu filme em relação ao que foi captado, podendo tornar tudo sépia, ou preto-e-branco, por exemplo (o que pode ser interessante para inserir algum flashback). Mas você também inserir fade in e fade out da imagem, inverter a imagem horizontal ou verticalmente etc.

Com o filme completo, você pode também aplicar efeitos da aba Editar como Estabilização de vídeo (baixo ou alto) ou Antivibração, mas tenha o cuidado de assistir a versão já com esses efeitos antes de finalizar, pois algumas vezes esse efeito acaba tendo o efeito contrário e deixa o vídeo com mais tremores do que o original!

O VLC Media Player é um tocador de vídeo bastante útil, e que funciona com a maioria dos formatos de vídeo usados atualmente, então é minha sugestão para que você utilize durante as fases de edição e finalização para ver “a quantas anda” o seu filme.

OBS: Algumas versões antigas do Movie Maker só editavam arquivos no formato proprietário do Windows, o WMV (Windows Media Video). Se este for seu caso, você irá precisar do Any Video Converter para passar seu arquivo MOV, AVI, MP4 ou de outro formato para WMV e assim poder trabalhar. A versão atual aceita diversos formatos.

·         3º Passo – Editando trilha sonora

Bom, até aqui temos um filme em processo de edição no Movie Maker, e sem outro som que não o captado diretamente pela câmera. Para inserir uma música em seu filme, vá na aba Início/Adicionar uma música, que vai lhe pedir para você adicionar uma música em formato MP3 que já esteja em seu PC ou em algum CD inserido ou pen drive conectado, ou ainda de alguns sites específicos da internet. Antes de escolher o arquivo, selecione se ele vai ser usado para o filme todo, ou apenas a partir de um determinado trecho (neste caso, o cursor deve estar no ponto desejado, e você seleciona Adicionar uma música no ponto atual).

Se os arquivos de áudio que você irá usar em seu filme não estiverem em MP3, você precisará usar o Any Audio Converter – use como padrão o som de CD: 128kbps, taxa de amostra 44000, 2 canais; acima disso, você apenas terá um arquivo mais pesado, mas sem diferença de qualidade sonora perceptível pelos ouvidos humanos.

Se você quiser usar uma música que esteja em um CD (lembre-se, porém, que você precisa ter autorização para usar obra alheia). Neste caso, use o Fast CD Ripper para selecionar a faixa, ou as faixas, que você irá usar. No Fast você pode optar por já salvar as músicas em MP3 no seu notebook.
Caso você não vá usar a música inteira, precisará do Audacity para editá-la. O Audacity é um editor de áudio em certos pontos semelhante ao Movie Maker. Primeiro selecione o arquivo de áudio em MP3 (o Audacity só aceita este formato) na aba File/Open. Depois que o arquivo for carregado, você poderá cortar apenas o trecho que irá usar. Dica: faça também uma cópia dos arquivos de áudio, assim como fez com os de vídeo.

Selecionado o trecho, escute-o e, se for o caso, aplique algum efeito (como os de Fade In e Fade Out, disponíveis na aba Effects) antes de salvar, através da opção File/Export as MP3. Atenção: algumas vezes o Audacity irá informar que não pode salvar o projeto como MP3, devido à falta do arquivo lame_enc.dll (atualmente o próprio Audacity já permite o download do Lame com apenas um clique, mas se precisar o link para baixar está informado na lista dos programas, no começo do capítulo).

Bem, se antes tínhamos um filme sem outro som que não o das cenas filmadas, agora temos um com sons de duas ou mais fontes. Pode acontecer então que, com isso, o volume das várias partes do filme oscile – sim, pois o som da música inserida pode estar mais alto ou mais baixo do que o som original do filme. Para evitar esse desnível que gera desconforto em quem vai assistir, ou que até pode deixar algum trecho do seu filme incompreensível, vá à aba Início do Movie Maker, clique em Salvar filme e selecione Somente áudio. O som do filme será salvo em um arquivo M4A, que só é reproduzido pelo Windows Media Player. Mas para poder deixar o volume do filme uniforme (o que se chama 'normalizar' o áudio), você precisa convertê-lo para MP3 no Any Audio Converter (ou mesmo no Any Video Converter, há nele a opção de converter áudio).

Convertido o áudio do filme para MP3, abra o MP3Gain. Clique em Add File(s), selecione o arquivo convertido e clique em Track Analysis, que vai mostrar o desnível do arquivo em relação ao padrão (‘default’, em inglês; o padrão do M3Gain é 89,0, que você pode alterar, mas eu sugiro não mexer, pois você ainda irá editar o áudio no Movie Maker). Concluída a análise, clique em Track Gain, para que o volume seja normalizado. Dica: o MP3Gain altera o próprio arquivo analisado, então por segurança você também neste caso deve fazer uma cópia antes de normalizar.

Voltando ao Movie Maker, um cuidado a tomar é com a inserção do áudio editado, isso porque o Movie Maker não permite a eliminação do áudio original. Primeiro, com o cursor posicionado no começo do filme, vá à aba Início/Adicionar uma música. Selecione o arquivo editado e normalizado. Se você apertar o play na miniatura do filme no Movie Maker, vai ouvir o áudio original. Para que o áudio adicionado ficar incorporado no filme, você deve ir na aba Projeto, clicar em Mixagem de áudio e arrastar a seta para a direita, na direção do símbolo de música (se arrastar para a esquerda, na direção do símbolo de cinema, vai realçar o áudio original). Quando você insere um áudio, o Movie Maker cria uma nova aba, a Opções, que permite que você possa aumentar o volume da música (passe para o máximo), crie fade in e/ou fade out e determine a partir de que momento o áudio deve iniciar e/ou terminar, se for o caso.

O Winamp serve para você ir ouvindo os arquivos de áudio que for selecionando, editando etc. Gosto de usá-lo por ser um programa leve e que pode tocar os mais diversos formatos de áudio. Mas você pode usar o programa que preferir, desde que ele também cumpra estas funções.

·         4º Passo – Finalizando

Seu filme está editado e sonorizado, ou seja, quase pronto! Falta a adição de créditos, legendas (se for o caso) e salvá-lo como filme.

É através dos créditos que você identifica todos os profissionais envolvidos com a realização do filme. A praxe é no começo do filme apresentar elenco e principais funções técnicas (direção, produção, fotografia, música etc) e deixar para o final a relação completa, incluindo eventuais agradecimentos (digamos que você tenha filmado na casa do seu primo, o nome dele deve estar nos agradecimentos – a menos, claro, que ele peça para não ser citado. O mesmo com pessoas que tenham emprestado roupas para o figurino, ou no caso de um documentário ajudado você a localizar alguma das pessoas que entrevistou). Mas isso não é regra geral; filmes comerciais costumam deixar os créditos todos para o final. Além disso, as produções da Marvel tornaram padrão algo que antes era muito eventual – a exibição de uma cena após os créditos.

O Movie Maker tem na aba Início as opções para inserir Título, Legenda e Créditos. O ideal é você escrever tudo o que precisará ser inserido como texto no filme em um arquivo de processamento de texto (Word, Rich Text ou Bloco de Notas). Não se preocupe em usar itálicos ou negrito, essa formatação é perdida ao se incluir o texto no Movie Maker. Por uma questão de praticidade de uso, eu acabei inserindo todos os dizeres dos meus curtas através da opção Legenda, mas se você preferir pode usar as outras duas também.

Note que quando você cria uma Legenda, irá aparecer nova aba no Movie Maker, a Formato, onde você pode fazer algumas edições no texto, como a fonte e seu tamanho, a hora em que ela inicia e sua duração na tela (o padrão é 7 segundos, você pode aumentar ou diminuir, mas precisa ver se o tempo que o letreiro vai aparecer é suficiente para que ele seja lido pelo espectador) – outro cuidado a tomar, em especial nos créditos finais, que como vimos é onde se costuma colocar a maior parte dos dizeres, para evitar que as diversas telas de texto se sobreponham e fiquem parcial ou totalmente ilegíveis. Também cuida se for inserir o texto sobre imagem; por exemplo, letras brancas sobre fundo amarelo claro irão “sumir”, se for preciso vá testando várias combinações até chegar ao melhor resultado. Você pode optar também por “animar” a exibição dos créditos, mas isso também pode tornar difícil a legibilidade. Dica: Use também as legendas ao longo do filme para identificar algo que você entenda ser necessário – local, data, passagem de tempo.

Você tem duas opções para inserir os créditos iniciais e finais: sobrepostos a cenas do filme já em andamento, ou então sobre fotos. As fotos precisam estar em alta qualidade, e para isso vamos usar o Fotor. Selecione as fotos que você vá usar, crie cópias delas e abra o Fotor, clicando “Edit” e depois em “Click here for start”. Selecionando a foto a ser editada, você pode escolher diversos efeitos para aplicar, cortá-la (através da aba “Crop”) e após isso salvá-la, clicando em “Save as”. Selecione JPG como formato do arquivo (que é um formato aceito pelo Movie Maker) e “High” (para salvar em alta definição) e clique em “Save photo”. Repita a operação para tantas fotos quanto você quiser usar. Depois volte ao Movie Maker e insira as fotos no ponto desejado, antes e/ou depois do filme já editado. Assim como em relação ao áudio, com as fotos você irá escolher o tempo em que ela irá aparecer na tela através da aba Editar/Duração.

Dica: você pode criar fotos do próprio filme usando o VLC. Selecione a cena que você quer usar como foto, pause a reprodução do filme e vá na aba Vídeo/Capturar a imagem. O VLC salva a imagem em formato PNG, que é aceito pelo Movie Maker, mas sugiro você usar o Fotor para converter para JPG e deixá-la em alta definição.

Reveja o filme e, se estiver como você quer, vá à aba Salvar filme e escolha o formato desejado. Eu sempre dou preferência ao primeiro, Recomendável para este projeto. Mas você pode ter algum uso específico em mente, por exemplo, postar no Facebook ou querer assistir em um celular pequeno com Android. Escolha o formato, dê um nome para o arquivo e clique em Salvar. O processo pode demorar um pouco (quanto maior o filme, mais tempo irá levar) e consumir boa parte da memória do seu PC, então o melhor é deixá-lo fazendo só isso nesse momento (é aqui que o Cool Beans mostra o seu valor).

Ao concluir o processo, o Movie Maker irá exibir um aviso na tela, que vai lhe permitir assistir ao filme concluído. Assista no VLC e veja se é necessário mudar alguma coisa (em especial o áudio ou o efeito antitremor). Se for necessário, repita os passos descritos acima. Se não for preciso mudar nada, o próximo passo é divulgar seu filme!

Antes ainda, dois rápidos recados. O primeiro: quando você for fechar o Movie Maker, ele vai perguntar se você quer salvar o projeto; clique em “Não” (do contrário, ele vai pedir para você salvar tudo de novo num formato de projeto que só abre no próprio Movie Maker). O segundo é uma ótima notícia: qualquer filme que você editar no Movie Maker será salvo em HD. 


quinta-feira, 24 de março de 2016

Quem escreve os shows?

Penso ser muito curioso que num país tão musical quanto o Brasil a carreira de roteirista de shows não seja incluída habitualmente nos planos de profissionais das áreas de Artes e Comunicação. O que talvez seja compreensível, porque esta função, como todas ligadas a bastidores da produção artística, raramente é citada com destaque. Mas o fato é que todo show tem alguém que pense seu conceito, decida que músicas vão entrar nele e em que ordem. 
Se hoje há bandas que pedem sugestões de set-list aos fãs via redes sociais, na maioria das vezes o roteiro do espetáculo é definido pelo próprio artista, junto com seu produtor e/ou diretor musical. Pode acontecer ainda que alguém de fora da equipe seja chamado para escrever o roteiro. Afinal, nem sempre um show tem apenas canções, artistas como Maria Bethânia costumam declamar poemas ou textos entre uma música e outra. 
Foi assim que o MPB-4 convidou Millôr Fernandes a fazer o roteiro do show Bons Tempos, Hein?, em 1979. O espetáculo gerou dois produtos: um LP de estúdio e a publicação do roteiro em livro da coleção Teatro de Millôr Fernandes (!) pela editora L&PM. O que é surpreendente, pois desconheço outro roteiro de show que tenha virado livro. As imagens que ilustram o post são a capa e a contra-capa do LP e a capa do livro, todas também assinadas por Millôr. 

Esse tipo de show com textos, feito em teatros, só virou padrão no Brasil nos anos 70. Antes, durante a Era do Rádio, ídolos como Francisco Alves e Carmen Miranda só se apresentavam em teatro durante programas de auditório transmitidos ao vivo no rádio, ou participando de shows coletivos ou ainda em espetáculos de teatro de revista. 
Também coletivos eram os primeiros shows próximos do padrão atual, que não por acaso começaram em 1964 (ano de golpe militar e também do começo da Censura, que a qualquer momento poderia proibir uma peça em cartaz, deixando os teatros ociosos e... disponíveis para serem ocupados por shows). O marco inaugural, nesse ano, é o show Opinião, com João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão, tendo roteiro de Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes. O primeiro show de Roberto Carlos no Canecão, em 1970, produzido por Mièle & Bôscoli, marca o começo do padrão de show solo que domina o mercado atual, cujo ápice é sem dúvida Falso Brilhante, com Elis Regina, roteiro dela e de César Camargo Mariano, que ficou 15 meses em cartaz entre 1975 e 1977; a produção contava ainda com atores e corpo de baile. 
A rigor, é possível pensar num roteiro de show como equivalente ao texto de uma peça de teatro – sem contar que muitas vezes intérpretes, ao cantar, usam recursos cênicos como gestos e expressões faciais. Quem sabe, então, ainda chegue o tempo em que, assim como peças de Nelson Rodrigues são montadas em vários pontos do Brasil, um mesmo roteiro de show possa estar sendo produzido em diversas cidades país afora, com o devido destaque para seu roteirista. 
* Publicado originalmente na coluna Papo Cabeçado blog RoraimaRock'n'Roll - 22.3.16

sexta-feira, 18 de março de 2016

"Grande oportunidade, você pode ganhar até 1 real (ou não)!"


Em 14 de março, a produtora e curadora de conteúdo Nadja Pereira publicou no LinkedIn um texto com o incrível (principalmente para quem não é da área de Comunicação) título 30 reais por texto e a era da informação barata demaisEla se referiu a propostas que recebe de empresas de Inbound Marketing que oferecem de 30 a 40 reais por texto encomendado (sim!!!), que logicamente deverá ser produzido mediante certos critérios fixados pela empresa. 

Ao comentar o texto, eu disse a Nadja que ela deveria até comemorar que pelo menos todos os textos seriam pagos, o que nem sempre acontece. Hã? O quê? Há gente que pede para que um profissional trabalhe de graça? Sim, amigos e amigas, infelizmente tem, e muito - o que me leva a crer que, se há uma insistência tão grande nesta oferta, é porque temos pessoas que simplesmente aceitam....trabalhar de graça.
Aliás, falei nisso no texto anterior, Parcerias, propostas & outras bossasAlém dos exemplos citados ali, já recebi tal abordagem de uma revista de Belém (que contei no meu encontro com alunos da PUC-SP e aqui no blog em 2013), e também de outra revista de Roraima, editada por uma entidade classista da indústria, o que torna simplesmente risível o argumento de não temos como te pagar
Mas até aqui tudo bem, acho que o bom é ser honesto sempre, e se não há intenção de pagar pelo seu trabalho, isso deve ser dito logo, e bem claramente, assim você pode recusar de imediato sem grandes sofrimentos. É o famoso "jogar limpo".
O pior que pode ser feito, no meu entender, é o que a filial brasileira de um grande portal americano me propôs há uns quatro anos, mais ou menos (infelizmente não localizei a troca de mensagens que tivemos na época, se um dia eu achar eu reproduzo na íntegra a proposta e o que respondi. O que segue é citado de memória). Na ocasião, o portal estava inaugurando, ou expandindo, sua redação no país e seu diretor escreveu-me, dizendo que tinha visto textos meus pela internet e gostado muito. A partir daí ele descrevia como seria o processo, em tudo semelhante a um emprego:
- haveria subordinação: eu não poderia escrever sobre o que eu quisesse, ou postar textos escritos pros meus blogs, o editor do portal passaria uma lista (já não recordo se semanal ou diária) dos temas que eu poderia escolher - ou seja, teria que escolher algum. 
- haveria continuidade: como disse acima, o portal esperava que eu tivesse uma produção regular de textos para ele. 
- haveria até pessoalidade: ou seja, já que o portal me escolheu, esperava ter meu texto no ar na periodicidade que ele, portal, fixara, eu não poderia indicar, por exemplo, meu amigo Victor Matheus para escrever em meu lugar (risos). 
Para caracterizar um vínculo empregatício, faltaria apenas o quê? Ela, a re-mu-ne-ra-ção! Pois saibam que nem isso faltaria, pois o editor do portal foi bem enfático em dizer que eu seria pago pela minha produção! Uau! Somando as citações no e-mail e no (nem tão pequeno) manual de redação que eu precisei ler, foram pelo menos quatro menções, quase todas eufóricas, sobre pagamento nesse contato. 
O difícil foi descobrir, lááááá pro final do tal documento, o verdadeiro valor oferecido. O grande portal oferecia a mim - um profissional que eles valorizavam tanto a ponto de me procurar, só lembrando - a incrível, fantástica, extraordinária quantia de UM REAL (R$ 1,00) por texto produzido e aprovado (ainda tinha isso - risos) que...atingisse mais de mil visualizações no site do portal. Mas não era só isso, vejam: seria um real a cada mil visualizações - que tal? hein? hein? Ou seja, 10 mil views, 10 reais!!!! 
Aí fui olhar nos meus blogs quantos textos eu tinha com mais de mil acessos - eram talvez dois ou três, isso ao longo de quatro a cinco anos. Você pode até pensar: "Mas sendo um grande portal, não seria de se esperar bem mais acessos que num blog independente?" Teoricamente, sim, mas será que o portal iria destacar de fato meu texto, sabendo que teria que me pagar - mesmo que fosse esse mísero real? Gente! Um. Real. Ou zero se você não atingir mais que 999 leituras. 
No dia seguinte, respondi educadamente ao editor, agradecendo o convite, porém deixando bem claro que eu sabia que ele não desconhecia que para produzir os tais textos eu iria utilizar meu tempo, meu conhecimento, eventualmente meus contatos etc., que tudo isso é trabalho, e trabalho deve ser remunerado, ponto. Não se condiciona - ainda mais deste modo ridículo (se não usei este termo, foi algo equivalente) - desta forma o pagamento do trabalho realizado por um profissional diplomado, e no qual a própria empresa reconhecia valor, tanto que foram eles que me procuraram, eu jamais lhes pedi nada. 
Como vocês podem imaginar, o editor nunca me respondeu. Ontem procurei no portal a tal área mantida por ilustres convidados pagos tão regiamente #sqn e dela não resta nem poeira virtual. Ainda bem :) 
Afinal, já cantou Zeca Pagodinho que Brincadeira tem hora, brincadeira tem hora....

domingo, 13 de março de 2016

Parcerias, propostas & outras bossas



A vontade de escrever este texto surgiu-me há alguns dias, quando recebi um e-mail com o título pomposo de Proposta de intercâmbio, enviado pela assessoria de uma banda. Pois bem, lendo a mensagem, fiquei sabendo do histórico da banda, o número de seus seguidores em N redes sociais, o link destas redes sociais.... e o e-mail terminou sem propor nada, muito menos um intercâmbio! 
(Não vou nem entrar muito no mérito da questão do intercâmbio, afinal ele é definido pelos dicionários como reciprocidade de relações comerciais, culturais etc. entre nações, o que não parece ser o caso, não é? Usualmente, num intercâmbio você, que está numa universidade brasileira, vai cursar um ou dois semestres no exterior, e nesse mesmo período a instituição para onde você irá manda alguém matriculado nela para o seu lugar aqui no Brasil. Nem sombra disso no e-mail.)
Para que o e-mail fosse portador de uma proposta, faltou algo fundamental: a banda - ou, no caso, sua assessoria - deveria me dizer o que esperava que eu fizesse a partir do recebimento da mensagem.
Num texto do ano passado, Como saber se uma proposta vale a pena?contei de uma colega minha convidada por alguém a ser ghost-writter no Facebook; a pessoa proponente deixou a cargo de minha colega dizer quanto queria receber pelos textos. Isto não é usual; quando alguém lhe faz uma proposta, espera-se que esta venha acompanhada de uma oferta de remuneração. Se alguém me encomenda fotos, sendo eu fotógrafo, tenho uma tabela de preços; mas se alguém me convida a apresentar um concurso de misses, eu não saberia quanto cobrar, já que nunca fiz isto - então cabe a quem está fazendo a proposta dizer quanto quer pagar. 
Em suma, proposta é um convite que você recebe para fazer um determinado trabalho para alguém, em datas/horários/locais especificados, ou ao menos sugeridos, pelo proponente, mediante o pagamento de um valor X. (Pense em  proposta de trabalho, é esta a lógica.)
Já a parceria é um tipo especial de proposta, no qual alguém convida você a lhe prestar determinado serviço, porém também oferecendo a prestação de um serviço para você como retribuição.
Vou dar um exemplo hipotético, mas muito próximo da realidade da produção cultural independente brasileira: uma banda pede a um jornalista que escreva o release do seu novo disco, e em retribuição insere o logotipo e divulga a URL do site do jornalista em seu material durante o período de divulgação do álbum. Claro que quem não é desta área (ou mesmo quem é - risos) pode perguntar: mas o correto não seria a banda pagar pelo release? Sim, óbvio que o certo seria o profissional receber pelo texto que irá fazer, mas aí vai o grande "segredo" da parceria: os termos devem ser combinados de comum acordo.
No mês passado, uma pessoa entrou em contato comigo, propondo uma parceria, ou ao menos foi este o termo que ela usou. Porém a "parceria" consistiria na divulgação do endereço de um site meu em todas as ações culturais que tal pessoa viesse a fazer, sem que me fosse solicitada contrapartida alguma. Ou seja, podia ser qualquer outra coisa, mas não era uma parceria. 
Mas casos como este são muito raros, o mais comum é alguém lhe abordar falando em parceria e isto significar que você irá trabalhar de graça, mediante pequena ou mesmo nenhuma compensação - ou, mesmo que ela exista, pode não ser do seu interesse. 
Um exemplo de compensação que não interessa: há uns sete anos, fiz um site para um artista brasileiro que vivia na França, que foi devidamente pago. Depois disso, me propus a não fazer outros sites para terceiros, primeiro porque não é algo em que eu seja de fato bom, segundo porque, se você fica responsável pela manutenção de um site que não é seu, isso pode gerar algum desgaste (a Lei de Murphy, ou algo equivalente, faz com que sites que você desenvolve para terceiros saiam muito mais do ar do que os os seus próprios sites, e geralmente em meio a finais de semana ou feriados). Um efeito colateral desse trabalho foi receber uma 'proposta de parceria' de outra artista brasileira que vivia no exterior: ela me propôs fazer o site dela, e a parceria consistiria em... anunciar meus serviços como webdesigner para outros artistas brasileiros morando no exterior. Recusei sem hesitar. 
* Publicado originalmente no LinkedIn

quarta-feira, 2 de março de 2016

Municípios do Tocantins já podem se inscrever para o Circuito Regional do 11º Miragem - Festival de Cinema



A Inusitada Produções abre inscrições para os municípios tocantinenses participarem do Circuito Regional do 11º Miragem - Festival de Cinema de Miracema, o maior circuito cinematográfico do Tocantins. As inscrições estão disponíveis para qualquer cidade do Estado do Tocantins até o dia 31 de março.

Exibição no DCE Pedro Tierra, em Porto Nacional 


O Festival de Cinema Miragem tem por objetivo atender a demanda audiovisual de cidades do interior do Tocantins, carentes por produto cinematográfico nacional, em especial o curta-metragem, democratizando o acesso às telas e incentivando a produção cinematográfica local.

Os municípios que firmarem parcerias com o Festival de Cinema Miragem deverão disponibilizar os equipamentos técnicos / audiovisuais e o espaço adequado para a realização do festival. As exibições deverão ser realizadas em auditórios, praças públicas ou em qualquer espaço amplo de fácil acesso, que tenha todas as condições necessárias para a realização do evento.

As entidades interessadas em firmar parcerias ou que já são parceiras do Miragem deverão entrar em contato com a produção do festival através do endereço eletrônico: circuitoregional.miragem@gmail.com, para  solicitar o Regulamento e o Formulário de Inscrição.

Todas as inscrições passarão por processo de avaliação; as cidades selecionadas serão anunciadas em 4 de abril. 


Abertura do 9º Miragem (2014), em Miracema
- foto: Patrícia Vera