domingo, 27 de março de 2016

Cinema Independente (3)

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PÓS-PRODUÇÃO


Concluída a filmagem, inicia a fase de pós-produção e finalização do trabalho. Em linhas gerais, inicialmente você monta o filme, ordenando as cenas de acordo com o roteiro (se seu filme for de ficção), ou faz a decupagem, cria o roteiro da edição e então monta (se for um documentário). Depois, trabalha na edição do som, adicionando ruídos a cenas, equalizando diálogos e narração e, eventualmente, dublagem. Vem então o momento de adicionar a trilha sonora, inserindo nas cenas músicas compostas especialmente para o filme ou que você tenha permissão para usar (seja por estarem em domínio público, seja por você ter adquirido seus direitos). As etapas seguintes são a criação dos créditos iniciais e finais, a mixagem do som e o tratamento digital da imagem, para então termos o filme finalizado.

É evidente que, quanto maior for a verba disponível para o projeto, melhores serão os equipamentos disponíveis para a pós-produção. Mas, como já vimos, desde o surgimento dos equipamentos digitais, qualquer pessoa pode criar um filme com qualidade profissional. Veja como isso é fácil, através desse passo-a-passo em que detalho como montei os curtas-metragens da série As Tias do Marabaixo. Eu utilizei um computador com o sistema operacional Windows 8.1.

·         1º Passo – Instalando os programas

Inicialmente, você precisa ter um notebook ou computador, se possível com um bom processador (o ideal é o Intel Core i7; se o processador for da linha Celeron, o trabalho será mais lento, e talvez você nem consiga abrir arquivos de vídeo mais pesados). 

Para editar e finalizar meus curtas, eu utilizei 11 programas, todos eles gratuitos e com versões compatíveis com o Windows (alguns deles têm versões para outros sistemas operacionais também, e não será difícil achar programas similares para diferentes plataformas, como Linux e Mac). Vamos começar então baixando e instalando todos os programas:

- Any Audio Converter - http://www.any-audio-converter.com/

Alguns você já pode ter, porque fazem parte de vários pacotes Windows, como o Windows Media Player e o Movie Maker – ressaltando que ter este último é fundamental, pois esse tutorial é baseado no uso do Movie Maker. Vou falar um pouco sobre cada programa no momento em que eles começarem a ser usados, com exceção do Cool Beans, que não chega a ser um software específico para edição de áudio ou de vídeo. Sua função é monitorar o uso da CPU e da memória RAM de seu computador, alertando quando o uso compromete o desempenho do aparelho. O Movie Maker é um programa pesado, que utiliza praticamente toda a capacidade de processamento na hora de salvar um filme, portanto é importante usar o Cool Beans para evitar de tentar fazer outras tarefas simultaneamente e causar algum problema para seu filme ou seu computador.

·         2º Passo – Editando o filme

Transfira todos os arquivos de vídeo para o notebook. Feito isso, abra o Movie Maker e clique em "Clique aqui para procurar vídeos e fotos" - é possível juntar partes de vídeos diferentes ou cortar, além de inserir fotos em vídeos ou ainda fazer um vídeo unicamente de fotos. Dica: faça sempre uma cópia de todos os arquivos de vídeo, para evitar que você não tenha mais como voltar atrás se alguma coisa der errado na edição. Faça uma cópia e trabalhe com a cópia, preservando o arquivo original. 

Dificilmente você vai usar no filme tudo o que gravou, o que significa que você irá fazer cortes no que foi filmado (no caso de filmes de ficção, é comum filmar mais de uma versão da mesma cena, para usar a melhor; já num documentário, sempre pode acontecer de a fala do entrevistado sofrer alguma interrupção, que deve ser eliminada do produto final). Comece assistindo o vídeo e selecionando o trecho que pretende manter. Digamos que o trecho que lhe interessa inicie em 9:48. Vá à aba 'Editar' e selecione 'Definir ponto inicial'. Localizado o final pretendido, digamos 11:10, clique em 'Definir ponto final'. Dica: o melhor é ver o ponto final primeiro, pois se for definida a parte inicial, você deixa de ter a referência do tempo marcado. No exemplo acima, se cortasse primeiro em 9:48, o trecho final, que é 11:10, ficaria sendo 1:22.

Com o trecho definido, você pode, ainda na aba Editar, aplicar efeitos como fade in e fade out do áudio.

Também em Editar, ajuste o volume do vídeo para o máximo.

Faça o mesmo com outros trechos do mesmo vídeo ou de outros vídeos que você queira inserir no mesmo filme.

A aba Animações é interessante quando você vai fazer um filme com trecho de vários vídeos, pois permite escolher animações para abrandar a transição, evitando 'pulos' na imagem.

Na aba Projeto, escolha se você quer realçar a narração, o vídeo ou a música, ou deixar sem realce, e qual a proporção da imagem na tela (o padrão é Widescreen 16:9, eu costumo deixar desta forma).

A aba Efeitos Visuais permite você alterar bastante o visual do seu filme em relação ao que foi captado, podendo tornar tudo sépia, ou preto-e-branco, por exemplo (o que pode ser interessante para inserir algum flashback). Mas você também inserir fade in e fade out da imagem, inverter a imagem horizontal ou verticalmente etc.

Com o filme completo, você pode também aplicar efeitos da aba Editar como Estabilização de vídeo (baixo ou alto) ou Antivibração, mas tenha o cuidado de assistir a versão já com esses efeitos antes de finalizar, pois algumas vezes esse efeito acaba tendo o efeito contrário e deixa o vídeo com mais tremores do que o original!

O VLC Media Player é um tocador de vídeo bastante útil, e que funciona com a maioria dos formatos de vídeo usados atualmente, então é minha sugestão para que você utilize durante as fases de edição e finalização para ver “a quantas anda” o seu filme.

OBS: Algumas versões antigas do Movie Maker só editavam arquivos no formato proprietário do Windows, o WMV (Windows Media Video). Se este for seu caso, você irá precisar do Any Video Converter para passar seu arquivo MOV, AVI, MP4 ou de outro formato para WMV e assim poder trabalhar. A versão atual aceita diversos formatos.

·         3º Passo – Editando trilha sonora

Bom, até aqui temos um filme em processo de edição no Movie Maker, e sem outro som que não o captado diretamente pela câmera. Para inserir uma música em seu filme, vá na aba Início/Adicionar uma música, que vai lhe pedir para você adicionar uma música em formato MP3 que já esteja em seu PC ou em algum CD inserido ou pen drive conectado, ou ainda de alguns sites específicos da internet. Antes de escolher o arquivo, selecione se ele vai ser usado para o filme todo, ou apenas a partir de um determinado trecho (neste caso, o cursor deve estar no ponto desejado, e você seleciona Adicionar uma música no ponto atual).

Se os arquivos de áudio que você irá usar em seu filme não estiverem em MP3, você precisará usar o Any Audio Converter – use como padrão o som de CD: 128kbps, taxa de amostra 44000, 2 canais; acima disso, você apenas terá um arquivo mais pesado, mas sem diferença de qualidade sonora perceptível pelos ouvidos humanos.

Se você quiser usar uma música que esteja em um CD (lembre-se, porém, que você precisa ter autorização para usar obra alheia). Neste caso, use o Fast CD Ripper para selecionar a faixa, ou as faixas, que você irá usar. No Fast você pode optar por já salvar as músicas em MP3 no seu notebook.
Caso você não vá usar a música inteira, precisará do Audacity para editá-la. O Audacity é um editor de áudio em certos pontos semelhante ao Movie Maker. Primeiro selecione o arquivo de áudio em MP3 (o Audacity só aceita este formato) na aba File/Open. Depois que o arquivo for carregado, você poderá cortar apenas o trecho que irá usar. Dica: faça também uma cópia dos arquivos de áudio, assim como fez com os de vídeo.

Selecionado o trecho, escute-o e, se for o caso, aplique algum efeito (como os de Fade In e Fade Out, disponíveis na aba Effects) antes de salvar, através da opção File/Export as MP3. Atenção: algumas vezes o Audacity irá informar que não pode salvar o projeto como MP3, devido à falta do arquivo lame_enc.dll (atualmente o próprio Audacity já permite o download do Lame com apenas um clique, mas se precisar o link para baixar está informado na lista dos programas, no começo do capítulo).

Bem, se antes tínhamos um filme sem outro som que não o das cenas filmadas, agora temos um com sons de duas ou mais fontes. Pode acontecer então que, com isso, o volume das várias partes do filme oscile – sim, pois o som da música inserida pode estar mais alto ou mais baixo do que o som original do filme. Para evitar esse desnível que gera desconforto em quem vai assistir, ou que até pode deixar algum trecho do seu filme incompreensível, vá à aba Início do Movie Maker, clique em Salvar filme e selecione Somente áudio. O som do filme será salvo em um arquivo M4A, que só é reproduzido pelo Windows Media Player. Mas para poder deixar o volume do filme uniforme (o que se chama 'normalizar' o áudio), você precisa convertê-lo para MP3 no Any Audio Converter (ou mesmo no Any Video Converter, há nele a opção de converter áudio).

Convertido o áudio do filme para MP3, abra o MP3Gain. Clique em Add File(s), selecione o arquivo convertido e clique em Track Analysis, que vai mostrar o desnível do arquivo em relação ao padrão (‘default’, em inglês; o padrão do M3Gain é 89,0, que você pode alterar, mas eu sugiro não mexer, pois você ainda irá editar o áudio no Movie Maker). Concluída a análise, clique em Track Gain, para que o volume seja normalizado. Dica: o MP3Gain altera o próprio arquivo analisado, então por segurança você também neste caso deve fazer uma cópia antes de normalizar.

Voltando ao Movie Maker, um cuidado a tomar é com a inserção do áudio editado, isso porque o Movie Maker não permite a eliminação do áudio original. Primeiro, com o cursor posicionado no começo do filme, vá à aba Início/Adicionar uma música. Selecione o arquivo editado e normalizado. Se você apertar o play na miniatura do filme no Movie Maker, vai ouvir o áudio original. Para que o áudio adicionado ficar incorporado no filme, você deve ir na aba Projeto, clicar em Mixagem de áudio e arrastar a seta para a direita, na direção do símbolo de música (se arrastar para a esquerda, na direção do símbolo de cinema, vai realçar o áudio original). Quando você insere um áudio, o Movie Maker cria uma nova aba, a Opções, que permite que você possa aumentar o volume da música (passe para o máximo), crie fade in e/ou fade out e determine a partir de que momento o áudio deve iniciar e/ou terminar, se for o caso.

O Winamp serve para você ir ouvindo os arquivos de áudio que for selecionando, editando etc. Gosto de usá-lo por ser um programa leve e que pode tocar os mais diversos formatos de áudio. Mas você pode usar o programa que preferir, desde que ele também cumpra estas funções.

·         4º Passo – Finalizando

Seu filme está editado e sonorizado, ou seja, quase pronto! Falta a adição de créditos, legendas (se for o caso) e salvá-lo como filme.

É através dos créditos que você identifica todos os profissionais envolvidos com a realização do filme. A praxe é no começo do filme apresentar elenco e principais funções técnicas (direção, produção, fotografia, música etc) e deixar para o final a relação completa, incluindo eventuais agradecimentos (digamos que você tenha filmado na casa do seu primo, o nome dele deve estar nos agradecimentos – a menos, claro, que ele peça para não ser citado. O mesmo com pessoas que tenham emprestado roupas para o figurino, ou no caso de um documentário ajudado você a localizar alguma das pessoas que entrevistou). Mas isso não é regra geral; filmes comerciais costumam deixar os créditos todos para o final. Além disso, as produções da Marvel tornaram padrão algo que antes era muito eventual – a exibição de uma cena após os créditos.

O Movie Maker tem na aba Início as opções para inserir Título, Legenda e Créditos. O ideal é você escrever tudo o que precisará ser inserido como texto no filme em um arquivo de processamento de texto (Word, Rich Text ou Bloco de Notas). Não se preocupe em usar itálicos ou negrito, essa formatação é perdida ao se incluir o texto no Movie Maker. Por uma questão de praticidade de uso, eu acabei inserindo todos os dizeres dos meus curtas através da opção Legenda, mas se você preferir pode usar as outras duas também.

Note que quando você cria uma Legenda, irá aparecer nova aba no Movie Maker, a Formato, onde você pode fazer algumas edições no texto, como a fonte e seu tamanho, a hora em que ela inicia e sua duração na tela (o padrão é 7 segundos, você pode aumentar ou diminuir, mas precisa ver se o tempo que o letreiro vai aparecer é suficiente para que ele seja lido pelo espectador) – outro cuidado a tomar, em especial nos créditos finais, que como vimos é onde se costuma colocar a maior parte dos dizeres, para evitar que as diversas telas de texto se sobreponham e fiquem parcial ou totalmente ilegíveis. Também cuida se for inserir o texto sobre imagem; por exemplo, letras brancas sobre fundo amarelo claro irão “sumir”, se for preciso vá testando várias combinações até chegar ao melhor resultado. Você pode optar também por “animar” a exibição dos créditos, mas isso também pode tornar difícil a legibilidade. Dica: Use também as legendas ao longo do filme para identificar algo que você entenda ser necessário – local, data, passagem de tempo.

Você tem duas opções para inserir os créditos iniciais e finais: sobrepostos a cenas do filme já em andamento, ou então sobre fotos. As fotos precisam estar em alta qualidade, e para isso vamos usar o Fotor. Selecione as fotos que você vá usar, crie cópias delas e abra o Fotor, clicando “Edit” e depois em “Click here for start”. Selecionando a foto a ser editada, você pode escolher diversos efeitos para aplicar, cortá-la (através da aba “Crop”) e após isso salvá-la, clicando em “Save as”. Selecione JPG como formato do arquivo (que é um formato aceito pelo Movie Maker) e “High” (para salvar em alta definição) e clique em “Save photo”. Repita a operação para tantas fotos quanto você quiser usar. Depois volte ao Movie Maker e insira as fotos no ponto desejado, antes e/ou depois do filme já editado. Assim como em relação ao áudio, com as fotos você irá escolher o tempo em que ela irá aparecer na tela através da aba Editar/Duração.

Dica: você pode criar fotos do próprio filme usando o VLC. Selecione a cena que você quer usar como foto, pause a reprodução do filme e vá na aba Vídeo/Capturar a imagem. O VLC salva a imagem em formato PNG, que é aceito pelo Movie Maker, mas sugiro você usar o Fotor para converter para JPG e deixá-la em alta definição.

Reveja o filme e, se estiver como você quer, vá à aba Salvar filme e escolha o formato desejado. Eu sempre dou preferência ao primeiro, Recomendável para este projeto. Mas você pode ter algum uso específico em mente, por exemplo, postar no Facebook ou querer assistir em um celular pequeno com Android. Escolha o formato, dê um nome para o arquivo e clique em Salvar. O processo pode demorar um pouco (quanto maior o filme, mais tempo irá levar) e consumir boa parte da memória do seu PC, então o melhor é deixá-lo fazendo só isso nesse momento (é aqui que o Cool Beans mostra o seu valor).

Ao concluir o processo, o Movie Maker irá exibir um aviso na tela, que vai lhe permitir assistir ao filme concluído. Assista no VLC e veja se é necessário mudar alguma coisa (em especial o áudio ou o efeito antitremor). Se for necessário, repita os passos descritos acima. Se não for preciso mudar nada, o próximo passo é divulgar seu filme!

Antes ainda, dois rápidos recados. O primeiro: quando você for fechar o Movie Maker, ele vai perguntar se você quer salvar o projeto; clique em “Não” (do contrário, ele vai pedir para você salvar tudo de novo num formato de projeto que só abre no próprio Movie Maker). O segundo é uma ótima notícia: qualquer filme que você editar no Movie Maker será salvo em HD. 


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