segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cinema Independente (final)

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DIVULGANDO SEU FILME



NA INTERNET

O seu filme já está digitalizado e finalizado em HD, agora é só usar uma conexão com a internet para publicá-lo no YouTube (https://www.youtube.com/). Para subir um vídeo para o site, você precisa criar uma conta usando seu endereço de Gmail – se não tiver, basta criar uma conta gratuitamente em https://gmail.com/. Configurado o seu Gmail, você volta ao YouTube para criar sua conta e já pode subir seu filme para lá. 

Enquanto o vídeo sobe e é processado (o processo por vezes leva horas, depende do tamanho do vídeo), você pode escolher se deixa o vídeo como público, privado ou não-listado, e também editar as informações que serão lidas por quem acessar – use esse espaço para postar informações sobre o filme, e também divulgar a ficha técnica (a relação de quem participou ou ajudou nas filmagens. Aproveite a lista criada para a confecção dos créditos do filme). O YouTube também vai lhe pedir para inserir tags no vídeo; são marcadores que, embora não fiquem visíveis na página do filme, ajudam o próprio site a recomendar seu trabalho para internautas que estejam assistindo vídeos com tags semelhantes. Uma vez postado no YouTube, o vídeo pode ser facilmente compartilhado em sites, blogs, redes sociais, além de você poder enviar o link por mensagens ou e-mail. Se o vídeo for listado como público, outras pessoas também poderão compartilhá-lo, ajudando a aumentar a sua audiência.
Outro site interessante para o compartilhamento de vídeos é o Vimeo (https://vimeo.com). Em relação ao YouTube, ele tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem: você pode postar vídeos que fiquem protegidos por senha, e que só serão vistos e/ou baixados pelas pessoas a quem você informar link e senha (isto é muito usado, por exemplo, para o envio de filmes para festivais). A desvantagem é que a versão gratuita (chamada Basic) do Vimeo só permite postar 500 MB de vídeos por semana, limitado ainda a 10 arquivos por dia. Já as contas Plus podem carregar 5 GB e as PRO, 20 GB.

NAS TELAS

Pode ser que você queira apenas mostrar seus filmes na internet, compartilhá-los com seus amigos e eventualmente até ganhar algum dinheirinho se sua produção bombar no YouTube. Mas pode ser também que você queira mais que isso, ambicione ter seu filme exibido na tela grande do cinema, seja na sua cidade, seja pelo Brasil ou mesmo pelo mundo. Isso é possível? SIM. O que não necessariamente quer dizer que seja fácil.

Um meio simples de fazer seu filme ser visto por pessoas numa sala pode ser o contato com organizadores de eventos culturais, como saraus, que costumam acontecer em centros de cultura e locais alternativos (bares ou mesmo praças públicas) de boa parte das cidades brasileiras. Outra opção são os cineclubes – existem 1.370 cineclubes no Brasil, a maioria em cidades de até 20 mil habitantes. Diferentemente dos cinemas comerciais, os cineclubes priorizam a qualidade artística para selecionar os filmes que irão exibir.

Mercado exibidor – A possibilidade de você conseguir passar seu filme independente em um cinema de shopping center da sua cidade (mesmo que seu filme seja um longa-metragem de ficção, que é na prática só o que passa nos multiplex localizados em shoppings) é bastante remota. Como já disse a produtora baiana Solange Lima, “o mercado exibidor foi organizado para o filme importado, a produção nacional em geral só pega as sobras de datas” – e isso que devemos considerar que ela se referia a filmes produzidos comercialmente por companhias cinematográficas com algum tempo de atuação no mercado nacional. O circuito multiplex é dominado por distribuidoras ligadas aos estúdios de Hollywood, como a Fox Filmes, a Columbia Tristar e a UIP (United International Pictures) (e isso não é de hoje, como vimos no caso do filme O Cangaceiro, da Vera Cruz, e já naquela época não era exatamente uma novidade). Paralelamente, há uma série de distribuidoras independentes, que atuam no segmento chamado de “filmes de arte”. Empresas como a Downtown Filmes, Europa Filmes, Lumière Brasil e  Pandora Filmes se fazem presentes em rodadas de negociação que acontecem em festivais de cinema, adquirindo os direitos de distribuição de filmes que se destacarem, tanto brasileiros quanto de outras nacionalidades. Esses filmes posteriormente serão exibidos no circuito de filmes de arte, constituído em sua maioria por salas mantidas por Estados e prefeituras (e alguns empreendedores privados), e também nos chamados “arteplex”, conjunto de salas semelhante aos multiplex mas que destina algumas de suas salas ao circuito de filmes de arte. Vale lembrar que aqui estamos falando, sempre, de longas-metragens,  formato padrão do mercado exibidor. Curtas e médias acabam circulando majoritariamente pelos circuitos de festivais, cineclubes e demais canais alternativos. De todo modo, antes de cogitar entrar em uma rodada de negociações em um festival, você deve se registrar na Ancine.

Registro na Ancine – A Ancine é a Agência Nacional do Cinema, foi criada em 2001, vinculada então diretamente à Presidência da República, passando ao âmbito do Ministério da Cultura dois anos depois. Seu papel é atuar como uma agência reguladora do audiovisual brasileiro, cabendo-lhe fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica e videofonográfica nacional.

Quem se registra na Ancine tem acesso aos serviços que a agência presta, como o encaminhamento de relatórios de acompanhamento de mercado, solicitação de Certificado de Produto Brasileiro, recolhimento da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, que incide sobre a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, bem como sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo; o valor recolhido é destinado ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que é utilizado para financiamento público do setor) etc. O registro na Ancine é obrigatório para todos os chamados “agentes econômicos”, ou seja, aqueles que desenvolvem atividades econômicas ligadas ao audiovisual. Segundo a própria Ancine, agente econômico é “Qualquer pessoa natural ou jurídica que participa, independentemente, como sujeito ativo na atividade econômica (audiovisual ou não).” Ou seja, não são apenas companhias e produtoras que podem se registrar na Ancine, pessoas físicas também podem. O registro é extremamente simples e pode ser feito no Sistema Ancine Digital (http://sad.ancine.gov.br/controleacesso/menuSistema/menuSistema.seam). Você começa informando seu CPF, em seguida preenche um formulário, precisando ao final enviar cópias simples de seu documento de identidade, frente e verso. A documentação irá para análise da Ancine, e em no máximo 30 dias, se tudo estiver correto, você recebe seu número de agente econômico.

Tendo seu registro na Ancine, você poderá solicitar o Certificado de Produto Brasileiro para seu filme (registro gratuito) e também o Registro de Título (neste caso o registro deve ser pago e varia de acordo com a duração do filme e o uso comercial pretendido, indo de R$ 200,00 para curtas-metragens até 15 minutos para o mercado de TV por assinatura e chegando a R$ 3.000,00 para filmes acima de 50 minutos destinados a salas de exibição, mercado de vídeo doméstico, TV aberta e outros mercados, exceto a TV por assinatura). Os valores pagos pelo Registro de Título são considerados contribuição Condecine e revertem ao FSA. Valores idênticos são cobrados também de títulos estrangeiros lançados comercialmente no Brasil.

Editais e Festivais – O cinema é uma das expressões artísticas que mais utiliza o financiamento público no Brasil, podendo recorrer a duas leis federais de incentivo à cultura – a Lei Rouanet (que abrange toda a área cultural) e a Lei do Audiovisual (específica para o setor). Vale lembrar que mesmo quando uma empresa privada investe em seu filme por meio de uma destas duas leis, na prática estamos falando de dinheiro público, pois a empresa reverte ao projeto que você apresentou um valor que ela teria que recolher como imposto. A Lei Rouanet não abre editais, o recebimento de projetos pode se dar de 1º de fevereiro a 30 de novembro de cada ano, através do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (SalicWeb)( http://sistemas.cultura.gov.br/propostaweb/). Serão aceitas as inscrições de 1.200 obras audiovisuais por ano. Os pedidos são analisados mensalmente em reuniões da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC); sendo deferido, seu projeto terá autorização para captação de recursos publicada no Diário Oficial da União, e você terá um prazo para obter os recursos junto a empresas privadas.

Afora esse mecanismo, há uma infinidade de editais sendo lançados anualmente por empresas privadas e também pelas três instâncias governamentais - o Governo Federal, os governos estaduais e uma grande parte dos 5.570 municípios brasileiros. Na área de cinema, os editais são os mais variados, podendo abranger a produção completa de um filme, ou aspectos específicos, como o desenvolvimento de roteiro, ou ainda a finalização de um longa-metragem. Existem ainda os editais de co-produção de longas-metragens com outros países (geralmente da América do Sul e da Europa) e também os para criação de filmes para a rede pública brasileira de televisão.

Também são muitos os festivais de cinema no Brasil todo, durante o ano inteiro. Há festivais específicos para curtas-metragens, para filmes de animação, para filmes captados em celulares ou tablets, filmes de pequena duração (como o Festival do Minuto etc.). Além disso, muitos festivais de cinema de outros países aceitam inscrições de filmes do mundo todo, o que se constitui uma boa oportunidade para os cineastas brasileiros. A Ancine, inclusive, tem como apoiar a participação de filmes brasileiros em um grande número de festivais ao redor do mundo, seja com a confecção de cartazes, seja com a emissão de passagens para que parte da equipe técnica participe do festival. Naturalmente, salvo para festivais em Portugal, é necessário que o filme esteja legendado no idioma do país onde o festival irá acontecer. Legendar seu filme ao menos em inglês e espanhol já poderá lhe abrir muitas portas. É claro que legendar tem seu custo; de resto, a inscrição em festivais no exterior costuma ter uma taxa de inscrição, quase sempre em euros ou dólares (mas os prêmios oferecidos compensam).

Já no Brasil, a inscrição em festivais quase sempre é gratuita, e em muitos casos pode ser feita inteiramente pela internet, se você tiver seu filme no YouTube ou Vimeo basta informar link (e senha, quando houver); alguns exigem que você envie uma cópia em DVD, ao menos quando seu filme de fato é selecionado para exibição no festival. Em relação a premiação, no Brasil há festivais que apenas dão certificado aos vencedores, enquanto outros premiam em dinheiro e troféu; o festival de Gramado chega a remunerar os filmes selecionados por sua exibição, além de patrocinar a ida de ao menos um integrante da equipe dos longas selecionados. De todo modo, inscrever seu filme num festival, principalmente se ele for um curta ou um média, é uma forma de assegurar a ele uma das poucas oportunidades para ele ser exibido em uma tela grande fora da rede de cineclubes ou de eventuais saraus, e quase sempre para um público que inclui, além de cinéfilos, jornalistas especializados e representantes de distribuidoras independentes.  

Listo a seguir alguns endereços na internet que habitualmente divulgam a abertura de editais e festivais de cinema:

- Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura no Facebook - https://www.facebook.com/mincaudiovisual

Você também pode se inscrever nestes grupos para receber e compartilhar notícias sobre editais e festivais:
- Agenda de editais e programação cultural - https://www.facebook.com/groups/1386387018242926
- EDITAIS E FESTIVAIS CULTURAIS - https://www.facebook.com/groups/183275085071184
- EDITAIS na área da cultura de todo o Brasil. - https://www.facebook.com/groups/165578896830828
- Festivais de Cinema e Networking - https://www.facebook.com/groups/373114612747832


·         Você também pode criar um Alerta Google para receber as informações sobre “festivais de cinema” – acesse https://www.google.com.br/alerts?source=alertsmail&hl=pt&gl=BR&msgid=MzAwODQ2MjE1NzM1NzkzNjE para criar o alerta. 



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