terça-feira, 12 de abril de 2016

Opinião Cinema: Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




Essa resenha vai ser diferente. Não vou começar criando suspense, nem contar um pouquinho da história, ou dizer os prós e contras do filme, nada disso. Vou começar logo dizendo o quanto ele é ruim, decepcionante e confuso. É difícil escolher o que criticar, os erros começam desde o roteiro mal estruturado, as cenas sem conexão entre si, o ritmo que é uma bagunça até a perda da essência dos personagens. Se você foi ver, eu lamento, me dá aqui um abraço, e se não foi, não perca seu tempo e nem dinheiro (Ah e aviso logo, esse texto contém vários spoilers).

Eu cresci lendo sobre os super-heróis, lia centenas de quadrinhos e passava horas assistindo seus filmes. E sempre fui apaixonada pelo Batman e o Superman, justamente pela sua essência única.  O Superman simboliza uma pessoa comum que quer fazer a diferença, a sua magnitude é a sua bondade. Eu amo vê-lo desse jeito, ver que toda sua força, poder, não o corrompeu. Já o Batman é a superação em pessoa. A sua capacidade de superar seus medos, suas angústias, de não desistir nunca, lutar até o fim é a sua maior virtude. Ele sabe que tudo isso o deixa ainda mais forte, o transforma e liberta. Sem contar que é um ótimo detetive (um lado seu pouco explorado pelos filmes, acabam sintetizando o herói ao seu cinto, seu batmóvel e seus “amigos” Alfred e Gordon). E aí vem o diretor Zack Snyder, com sua mania de grandeza, e destrói tudo isso.  Não conseguimos reconhecer os personagens.

Snyder nos apresenta um Superman (Henry Cavill) sem personalidade e também sem propósito algum. Ele só reage porque as coisas acontecem ("se me atacar eu vou atacar"), mas qual o motivo? Por que ele faz isso? Por que ele existe? Ele vem destruindo tudo, não se importando com as pessoas. Prédios inteiros, com milhares de pessoas dentro, desabando por sua culpa e ele não liga. Ok, isso é comum com alguns super-heróis, mas ele? Não, isso não, o Superman que conhecemos ama os seres humanos, faz de tudo para protegê-los e não deixaria ninguém morrer por causa de um inimigo.  E Snyder não consegue explicar tudo isso, até tenta mostrar que esse Superman também é o símbolo da pureza, mas não dá certo.


E o erro se repete com o Batman (Ben Affleck) que vira mais um psicopata que fica matando as pessoas sem se preocupar com os danos. Em O Cavaleiro das Trevas (filme de 2008 dirigido por Christopher Nolan)ele prefere ser procurado a que permitir que a esperança de Gotham City seja perdida. Lembra que a sua regra dourada é não matar?! Em outra momento, quando está mais velho, até desiste de lutar porque viu que não conseguia mais vencer sem usar armas. Mas agora o herói sai matando, segura uma metralhadora e aperta o gatilho, parece outra pessoa.  Na HQ em que Zack Snyder se baseou, o mesmo Batman diz que está cansado e que eles não precisam dessas armas, e até usa bala de borrachas quando precisa e também depois de vencer, ele deixa claro para Clark Kent quem ele é, e pára por ai, acabou.

E o que falar do Lex Luthor (Jesse Eisenberg)? Fala sem parar, um cara descolado, moderninho, é algo mais caricato, chega a ser idiota até. Parece mais um Coringa (e dos piores) do que alguém importante e ameaçador. Vocês podem até pensar “Ah mas quiseram dar uma nova roupagem aos personagens, uma releitura”, pode até ser, mas foram por um péssimo caminho. E olha que é notável a influência de várias edições dos quadrinhos da DC, mas erraram quando resolveram unir tudo e fazer uma bagunça só.

O problema não é só na construção dos personagens. O roteiro de Chris Terrio e David Goyer recorre a saídas bestas, com diálogos que chegam até a insultar nossa inteligência. O ritmo é leeento, cada cena tenta ser “épica”, mas tudo fica entediante e nem um pouco marcante. Não foi possível ajustar as cenas de ação e de reflexão, exageraram e muito na câmera lenta, nos objetos em close-up e na trilha sonora chata de Hans Zimmer, aliás, tudo está exagerado, desde as emoções até as cenas de lutas. Ben Affleck e Henry Cavill também não fizeram um ótimo trabalho, mas entendemos que a culpa de toda a frieza e de uma interpretação mediana não é culpa deles, e sim de toda uma produção por trás.



Calma, crianças! Nem tudo está perdido, ainda há esperança nesse mundo. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot chegou para abalar nosso mundo (literalmente), ela é linda e sua atuação mais ainda, sei que estamos acostumados a ver a Linda Carter nesse papel, mas Gadot veio para quebrar estereótipos (ela ainda é a primeira atriz não norte-americana a dar vida à heroína). Quando a Mulher-Maravilha sorri, depois de uma pancada, e ainda sorrindo, volta para o combate, isso já nos informa tudo que precisamos saber sobre sua personagem, sobre qual o motivo dela lutar e principalmente nos deixa ansiosos para seu filme solo com estreia prevista para junho de 2017 (e esse sorriso foi uma decisão da atriz e não do diretor).

No fim, parece mais que Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um trailer, preparando o terreno para Liga da Justiça - Parte Um, que estreia em novembro do ano que vem. Apesar de tudo, o filme tem o importante papel de iniciar a saga da Mulher-Maravilha (sim, estou bem ansiosa meeesmo) e ainda dá uma ideia de outros heróis que serão vistos em Liga da Justiça - Parte Um, o que com certeza vai dar esperança pra gente, ou não, porque Zack Snyder também vai comandar esse...


Nenhum comentário:

Postar um comentário