quarta-feira, 18 de maio de 2016

Belém: Protesto contra fim do MinC

Belém - Há poucos minutos, andando pela Travessa Quintino Bocaiúva, ouvi um batuque que vinha do sentido da Av. Governador José Malcher, com alguém cantando "Maracatu Atômico" (Jorge Mautner - Nelson Jacobina) e "Vai Passar" (Chico Buarque). Em seguida, localizei a origem: o som vinha do pátio de um dos prédios do Iphan no Pará, onde por artistas se manifestam contrários ao fim do Ministério da Cultura, cuja estrutura passará à esfera do Ministério da Educação, num retrocesso de 31 anos.













A direção da representação regional do Iphan no Pará se encontra reunida neste momento; comunicado oficial deverá ser emitido às 17h de hoje. 

domingo, 15 de maio de 2016

Opinião Cinema: Capitão América: Guerra Civil

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



Dirigido pelos irmãos Joe e Anthony Russo, Capitão América: Guerra Civil deveria ser só a continuação de Capitão América 2: O Soldado Invernal  (2014), só que ele vai muito além disso. Ele se transformou em um enorme evento cinematográfico, todo mundo estava ansioso pela estreia, escolhendo seu lado e tudo o mais, afinal, no mesmo filme teríamos o Capitão América, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Homem-Formiga e muitos outros. Eu sei que parece até piada, algo surreal, mas foi real e foi incrível, garanto que é a produção mais madura da Marvel, o filme mais bem produzido (prometo que vou tentar não dar spoiler).

O filme está na pós-Era de Ultron (sim, para entender esse filme você tem que assistir pelo menos o 2° do Capitão e o Vingadores: Era de Ultron) todos estão abalados após o rastro de destruição que o supergrupo deixou tentando salvar o mundo, o que leva os políticos a criar o Tratado de Sokóvia, que regulamenta todos os que tenham superpoderes. Sendo assim, os heróis se dividem, Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) é o líder do grupo que é contra o tratado e Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) é o líder do grupo a favor, não há um lado certo, cada um tem seu motivo. Steve acredita no anonimato, ele sabe que é melhor trabalhar sem depender das vontades políticas, enquanto Stark se sente culpado pelo que aconteceu no passado, quando viu uma criação sua quase causar a destruição o mundo e ele está nitidamente cansado disso. E desse jeito vemos cada herói de uma forma diferente, o bad boy está seguindo as regras e o mais patriota possível, o cara todo certinho, virou um fora da lei!

O longa tem um ritmo intenso, parece mais um capítulo de série que um filme, e é dessa forma que os irmãos Russos estão sabiamente nos prendendo. Desde o começo há diálogos e muitas cenas de ação e perseguição que deixam nossos corações apertados, a tensão vai aumentando gradualmente, tudo isso é muito empolgante. Mas não é só ação não, tem um fundo político importante, abre espaço para debates dramáticos sobre o que é certo e errado, sobre responsabilidades, consegue tratar sobre vingança de uma forma realista e dolorosa também e ainda tem aquela quebra maravilhosa com um toque de humor.

Outro ponto que conta e muito é em como foi introduzido a história os novos heróis, foi de uma forma sutil, que ajudou a manter o interesse do público. Homem-Aranha (Tom Holland)(todos estavam ansiosos para vê-lo que eu sei) entra para o grupo com sua língua solta, trazendo humor e aliviando a tensão toda (pareceu que era só uma amostra do que está por vir em seu filme solo previsto para julho de 2017). 

E o que falar de Pantera Negra (Chadwick Boseman)? Nada de muita explicação, em uma cena já conseguimos entender todas as questões, tudo foi construído cuidadosamente, menos blablablá e mais ação. Sim, tantos heróis em um só filme fica difícil para nosso pequeno coração.

Guerra Civil é diferente de tudo que já vimos,  a questão central do filme é que não existe um grande vilão, é estranho ver personagens que amamos brigando,  serem procurados ou estarem presos. Mas ao mesmo tempo nós conseguimos vê-los de uma forma mais humana, não eram inimigos lutando, vimos na nossa frente uma família desmoronando, amigos, possíveis paixões se distanciarem, foi dolorido também de ver. Só que tudo isso aumenta as expectativas paras os próximos da franquia que estão por vir, tenho absoluta certeza que Os Vingadores nunca mais serão os mesmos.






quarta-feira, 11 de maio de 2016

Oficina Paragominas (PA): Cinema Independente




Nos próximos dias 19, 20 e 21 de maio, estarei pela primeira vez em Paragominas, interior do Pará, realizando novamente a Oficina de Cinema Independente - pela segunda vez no ano (houve uma Oficina em Belém em abril), e também pela segunda vez numa cidade de interior (a estreia foi em Jequié, Bahia, no ano passado).

É uma grande alegria, além de constituir também um desafio, viajar realizando esta atividade, que não leva o nome de 'Independente' por acaso. A Oficina não é bancada por patrocinadores nem leis de incentivo, ela é viabilizada pelas inscrições a cada edição. Por isso é importante que os interessados atentem para o fato de que as inscrições se encerram no dia 16, próxima segunda-feira.

Esta edição da Oficina irá ocorrer na Casa Mágica do Ifac (Instituto Fernando Arapiranga), espaço cultural recentemente inaugurado que já vem movimentando a cena cultural de Paragominas.
As inscrições podem ser feitas no próprio Ifac, à rua Gaspar Dutra, 166, Uraim, no valor de R$ 180,00. Serão emitidos certificados para todos aqueles que comparecerem a pelo menos dois encontros.
O programa da Oficina inclui noções de conceito e história do Cinema Independente, roteiro, montagem e finalização de curtas-metragens, além de abordar legislação do setor e informações sobre mercado exibidor, circuito de festivais e também o registro na Ancine.
Durante a Oficina, iremos filmar e editar curtas-metragens, com a participação de todos os inscritos.

OBS: A Oficina não irá ocorrer, devido a não ter 
se formado uma turma mínima (8 inscrições). 

domingo, 8 de maio de 2016

Opinião Cinema: Sinfonia da Necrópole

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



Imagine um musical que se passa em um cemitério misturando romance, suspense, crítica, humor e um toque de “terror” também. Sim, esse é o Sinfonia da Necrópole que, acima de tudo, é um filme ousado que tirou muitas risadas e aplausos da plateia presente no Paulínia Film Festival em 2014 (onde ganhou o prêmio de Melhor Trilha Sonora). A diretora e roteirista Juliana Rojas resolveu inovar mesmo, nada de fazer um filme voltado para aquele público que só busca entretenimento, o que ela busca é quem queira um material inovador e alternativo. E com certeza ela conseguiu isso, criando personagens apaixonantes, carismáticos e naturais - e tudo isso na sua primeira experiencia solo dirigindo (antes ela já co-dirigira dois longas e um curta).

A história também é muito interessante. Deodato (Eduardo Gomes) é um aprendiz de coveiro, que foi indicado por seu tio para trabalhar no cemitério, mas seu chefe vive reclamando porque ele é sensível demais, medroso e tem crises recorrentes. Ele precisa trabalhar ao lado de Jaqueline (Luciana Paes), uma mulher forte, independente que tem como função reorganizar o cemitério, que está lotado, ou seja, uma boa quantidade de túmulos precisa ser transferida para um cemitério vertical, assim poderá abrigar mais corpos e consequentemente o dono vai ganhar mais dinheiro. Mas Deodato consegue ver coisas sobrenaturais com o passar do tempo, afinal, é claro que os mortos que ali estão não iam gostar que mexessem com seu descanso eterno.



O título é uma referência ao filme São Paulo, Sinfonia da Metrópole (1929) de Rodolfo Lustig e Adalberto Kemeny, uma critica social relacionado aos espaços. E Sinfonia da Necrópole, além de ser engraçado, também nos mostra os interesses comerciais, especulação imobiliária e como o mundo anda tão chato e monótono, ao mesmo tempo que tem um ar de esperança e de romance entre os protagonistas, nada disso em um jardim ou uma casa bonita, mas em um cemitério (o filme foi rodado em três cemitérios diferentes em São Paulo). A criatividade da diretora é fantástica.

O filme é belo do começo ao fim, e seus números musicais então, nem se fale. Cada detalhe, batucada, tudo foi nitidamente planejado. As letras, compostas por Juliana com Marco Dutra, são sempre de acordo com o momento, conduzindo a história de um modo muito puro. É o próprio elenco que canta - Juliana disse que não queria que eles cantassem maravilhosamente e sim que soassem de forma natural, nada muito musical de Hollywood.

O que parece mesmo é que tudo é uma brincadeira, os atores claramente se divertem tanto atuando quanto cantando. Aliás, Eduardo Gomes é nitidamente carismático e talentoso, ele se diverte, canta, pula e ainda assim não perde a concentração e sabe o momento exato de usar cada expressão. Luciana Paes também, ela demonstra que sabe o que está fazendo e eu tenho certeza que ela vai ter uma trajetória muito bonita, porque talento tem de sobra aí.  E o que falar dos coadjuvantes então? Eles conseguem dar um charme extra ao longa, são inseridos de uma forma suave e gostosa e provavelmente conseguem tudo isso porque são personagens reais sem qualquer idealização.


Eu espero que todo mundo assista esse filme um dia, de verdade. Não há nele mega-efeitos, nem nomes de peso mas há uma bela história, com músicas provocantes e que ficam na mente com aquele clima de romance que todos gostam e que vai fazer você sair gargalhando da sala. É um verdadeiro sopro de esperança e originalidade no nosso cinema nacional, que finalmente está conseguindo enxergar outros artistas.