segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Opinião Cinema: Porta dos Fundos - Contrato Vitalício

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




"Porta dos Fundos" é um dos canais brasileiros do YouTube que mais tem acessos e inscritos, neste momento exatamente 12.623.794, que viram os 597 vídeos postados  2.781.348.255 de vezes (eu disse mais de 2 bilhões de vezes!). A turma já é conhecida pelas suas esquetes curtas, com no máximo 3min, e sátiras bem humoradas e inteligentes. E agora vem com um longa, um formato totalmente diferente do que estão acostumados, para tentar provar a sua capacidade nos cinemas. Talvez por causa desse formato, o filme não consegue se encontrar, acaba indo para o pior lado da comédia: o pejorativo e vulgar.




A história já é ruim por si só. Depois de serem premiados em Cannes, o ator Rodrigo (Fábio Porchat) e Miguel (Gregório Duvivier) saem para uma bebedeira. Entre umas doses e outras eles estabelecem um contrato vitalício de trabalho, em um guardanapo, onde eles deveriam trabalhar juntos em todos os filmes que Miguel fosse dirigir, caso contrário, seria multado. Sim. Sério. Mas depois disso, Miguel desaparece sem explicação, retornando após dez anos, dizendo que foi abduzido por alienígenas e por causa do contrato, força Rodrigo  a trabalhar em seu próximo filme, A Batalha de Klinglonfland, onde contaria o tempo que passou no cativeiro. Basicamente é isso, e só isso.


O roteiro de Fábio Porchat parece uma cópia, quase fiel, do  filme norte-americano Se Beber Não Case (2009). Esta foi sem dúvidas uma fonte de inspiração para o roteiro, que exagerou em praticamente tudo, o que nos deixou saturados de tantas piadas sem graças e frases de efeito chatas. O roteiro focou em ter personagens estereotipados: Thati Lopes (ao lado), uma blogueira fitness superficial; Marcos Veras, o colunista que mostra o lado sensacionalista da mídia; Luis Lobianco é o agente egoísta de Rodrigo, que só pensa no exibicionismo. Todos acabaram se mostrando repetitivos e rasos.


O lado bom é que o elenco estava entrosado e definitivamente caíram de cabeça no projeto. A direção de Ian SBF é certeira também.  Ele consegue trabalhar no ponto certo a câmera,  os closes, detalhes e passagens de um cena para outra, a transição era suave e gostosa de ver. Ele deixou sua marca, o que já estávamos acostumados, claro que fez isso certinho, mas o lado ruim é que foi certo demais, sem surpreender ninguém. Faltou ser mais cinematográfico, em determinados momentos parecia que estávamos assistindo as esquetes do grupo, no YouTube, só que dessa vez esquetes longas que pareciam infinitas. Esse formato pode até dar certo no canal, mas no cinema ninguém quer pagar o que pode ver de graça. Faltou inovação e se arriscar de verdade. Quem sabe no próximo filme o grupo consiga superar tudo isso, porque potencial para isso eles têm.




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