segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Opinião Cinema: É Fada!

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro




Um fato é inegável: os youtubers estão tomando conta de tudo. Eles influenciam essa nova geração, sendo verdadeiros ídolos para eles. E Kéfera Buchmann é um desses fenômenos da internet. Com 23 anos, ela mantém há seis o canal 5minutos no YouTube, um dos primeiros no Brasil a atingir um milhão de inscritos (atualmente são quase 10 milhões), possuindo portanto um grande número de seguidores que são bem devotos. No entanto, com tanta exposição assim, ela também conquistou fervorosos haters, que “perdem” horas da sua vida criticando absolutamente em tudo que a youtuber faz e toca. E claro, se Kéfera lança um filme é impossível não ter polêmica.  E mais claro ainda, se tem treta e babado  aqui estou para comentar. É importante deixar bem claro que aqui eu vou falar sobre o longa e não a vida pessoal dela.
O filme é baseado no livro Uma Fada Veio Me Visitar, de Thalita Rebouças. A adolescente Júlia  (Klara Castanho) foi criada de uma forma muito simples pelo pai (Sílvio Guindane), mas com o retorno de sua mãe socialite precisa trocar de colégio, indo para uma escola de meninas riquinhas que agem bem estilo “Meninas Malvadas”. Para ajudar Júlia a conseguir amigas e se adaptar a este novo mundo aparece uma fada madrinha, Geraldine (Kéfera). A fada precisa ajudar a menina para conseguir de volta suas asas, que perdeu por aconselhar mal o técnico Felipão no famoso jogo dos 7x1 contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014. Juntas Geraldine e Júlia tentam se adaptar, se conhecer e buscar atingir seus objetivos, mesmo que... de forma errada.
Mas por que de forma errada? Bom, o roteiro de Patrícia Andrade, Fernando Ceylão e Sylvio Gonçalves é mal desenvolvido, não empolga e está repleto de preconceitos. Os personagens são rasos demais, Geraldine tenta “ajeitar” Júlia de todas as formas, diz que ela precisa alisar cabelo, mudar de roupa, personalidade, mentir que viajou para vários lugares, renegar o pai... Mas que bela mensagem, não?  Claro que no final há aquela ideia bonita dizendo que é errando que se aprende e blábláblá, mas é tão rápida que a gente nem percebe. Não adianta passar o filme todo com um discurso preconceituoso e bastante elitista e nos 2 minutos finais vir com um discurso de arrependimento. Não cola não.  O que aprendemos com o filme é que temos que ser superficiais para assim podermos ser “reconhecidos”. Além de tudo isso, o roteiro no final opta por soluções simples, inocentes, previsíveis  e bobas demais, mesmo para o público mais jovem.
O trabalho de Cris D'Amato como diretora deixa muito a desejar. Ela não deu conta de desenvolver as situações criadas pelo roteiro. Além disso, os diálogos, a fotografia e a montagem tem uma enorme pegada publicitária (parece mais aquelas propagandas bizarras da Jequiti);  há ainda uma enorme quantidade de imagens aéreas,  bem desnecessárias, inclusive, e há cortes demais, a gente fica perdido, não entende a cena toda. Foi preguiça na hora de montar? Vontade de dar ritmo? O que terá acontecido? Faltou criatividade, se arriscar,  se jogar de cabeça e se lançar em um projeto melhor. Por fim, ainda preciso dizer o quão sofrível foi ver em cena aqueles efeitos visuais, digitais e a maquiagem. A floresta parece que saiu do Sítio do Pica-pau Amarelo, os “poderes” da fada não convencem ninguém e para piorar até a orelha do guardião das fadas tinha uma tonalidade diferente da sua pele. 
Antes que vocês me perguntem por que ainda não falei da Kéfera, vou logo respondendo: porque ela está nos pontos positivos. Sim! A menina tem talento, seu carisma na tela é inegável! Claro que há espaço para ela se aperfeiçoar na interpretação, mas é inquestionável a relação entre a YouTuber e Klara Castanho. A pequena Klara, com todo seu talento, consegue explorar bem as mudanças que sua personagem sofre e juntas, elas fazem as melhores cenas do longa, cheias de caras e bocas e personalidade. A trilha sonora, embora não chegue a surpreender, também é outro ponto positivo. 

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