quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Opinião Cinema: Doutor Estranho

Por Bianca Oliveira,
de Macapá



Dr. Estranho é um clássico dos quadrinhos. O personagem sempre foi o preferido de muita gente, e se ele demorou tanto para ir às telas não foi por não ser famoso, mas sim porque o cinema ainda não estava preparado para tê-lo... Como assim? Bom, Dr. Estranho entra em um mundo não muito explorado, pela Marvel, que é a magia. Todo o trabalho anterior foi importante para introduzir esse personagem. E sem dúvidas esse era o maior desafio da Marvel: Como ingressar nesse mundo de tanta magia, força e representar bem o colorismo e traços do maravilhoso Ditko? E tudo isso sem assustar o público?

Dr. Estranho foi criado por Stan Lee e Steve Ditko, em 1963; as histórias eram uma mistura de super-herói, com um pouquinho de horror e a psicodelia da época. Era tudo diferente, ele representava vários mundos e dimensões, era para usarmos nossa imaginação mesmo. No filme, começamos na origem do personagem Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um médico renomado, porém arrogante, e que após um acidente de  carro perde o movimento das mãos, o que o impossibilita de exercer sua profissão. Procurando uma cura ele acaba em Katmandu (Nepal), onde além de recuperar seu corpo o doutor treina sua mente e descobre a magia e um mundo novo com dimensões paralelas. Graças a ajuda da Anciã (Tilda Swinton) e de Mordo (Chiwetel Ejiofor), o doutor finalmente se encontra.  

O diretor Scott Derrickson, com o seu olhar preciso, traz ao longa o tom de terror que já é conhecido em seus trabalhos, essencial aqui. O roteiro simples e coeso, a montagem, o figurino, a trilha sonora pesada, tudo foi feito com capricho e digno de um filme bom mas a edição e os efeitos visuais...nossa! Esses sim foram os elementos-chave para entrarmos de vez nesse mundo.





 supervisor de efeitos especiais Stephane Ceretti foi o responsável por fazer desse um dos filmes mais lindos da Marvel. Os efeitos serviram para entendermos o mago, tudo era muito surrealista e psicodélico, cheio de cores e vida, cada cena era um presente para nós. Por exemplo, logo na cena inicial, onde vemos um prédio  caindo de uma forma impossível para a Física - aliás não tente procurar lógica, como a Anciã diz “Nem tudo precisa fazer sentido”. E não precisa mesmo: ali não há explicação, é simplesmente a pura magia, é impossível não ficarmos hipnotizados com a estética do filme. Obrigada, Ceretti, você merece o Oscar, sem dúvidas.



Depois de  tudo isso ainda temos o elenco. Benedict encara seu personagem e mostra o porquê dele ser uma das melhores descobertas atuais, Dr. Estranho não é fácil ou comum, mas Benedict tira de letra. Outra que rouba a cena é a anciã que consegue mudar o ambiente com sua sabedoria e também abusa o sarcasmo (para nossa alegria). Além de Rachel McAdams, Chiwetel Ejiofor e Mads Mikkelsen - este ultimo é um ótimo ator mas que deu o azar de ficar com um vilão mal construído, com o qual ele não pôde demonstrar sua capacidade. Aliás, já é conhecida essa característica da Marvel de criar vilões rasos e mal utilizados (o que é uma pena).

No fim, todos fizeram sua lição de casa correta, não há um graaaande momento na história e nem um vilão que não te deixe dormir de noite. Mas há um visual que vale a pena, algo novo e impressionante e que abre portas para essa nova Marvel mais madura que vem por aí.






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