sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Opinião Cinema: Minha Mãe é uma Peça 2



Por Bianca Oliveira,
de Macapá


Para iniciarmos 2017 escolhi falar sobre um longa que estava deixando a galera sem unhas já, de tanta espera, quatro anos para ser mais precisa. Minha Mãe é uma Peça 2 é o tipo de sequência que todos temos certeza que vai acontecer: a peça de teatro, em 2006, encantou o publico; o primeiro filme, em 2013, foi o maior sucesso nacional daquele ano e teve uma aceitação fantástica do público. Ou seja, o segundo filme já tem o seu público cativo e que esperou ansiosamente por ele, então era impossível Paulo Gustavo, com sua Dona Hermìnia, não voltar para o cinema, mesmo correndo o risco de repetir erros e apelar bastante. 

Minha Mãe é uma Peça - O filme termina com Dona Hermínia ganhando um programa de televisão,  no qual ela pode comentar sobre as felicidades e angústias da maternidade. O novo filme dá continuidade a isso; ela ainda é apresentadora, mais estável economicamente - para não dizermos rica -, é avó e aquela mãezona super preocupada com suas crias Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier), que dessa vez estão se mudando para São Paulo. Basicamente é essa a trama principal - sim, juro, não há tanta mudança no roteiro.


Aliás, nem sei se podemos considerar isso um roteiro. Ele foi desenvolvido por Fil Braz, em co-autoria com Paulo Gustavo, e possui uma narrativa confusa e desconexa. Há várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e nenhuma delas tem aquele famoso começo, meio e fim,  tudo fica pela metade, fica aquela ponta solta, nada é desenvolvido adequadamente. Sim, há situações que podem arrancar sorrisos mas depois que percebemos quão sem sentido é determinada sequência, aquilo perde a graça na hora. Até uma esquete do YouTube consegue ser mais produtiva, se bem que o filme inteiro parece uma união de varias esquetes.

Apesar de utilizar uma linguagem bastante dinâmica, a direção peca quando insiste em usá-la de forma mais novelística. Esteticamente falando o filme evoluiu bastante em relação ao primeiro, ele está mais bonito, refinado, “clean”, e isso é uma enorme ousadia, a fotografia do filme é bonita de verdade, porém todos falam o tempo todo em cena, quando alguém comenta algo mais interessante, aparece na outra cena a explicação didaticamente da cena anterior. Isso pode até funcionar em novelas, mas em filmes é bastante chato, não é mesmo?!



Paulo Gustavo é o coração do filme, a sequência aposta alto nele, as melhores sacadas são dele, ele, sem dúvidas,  é o centro do longa. Os estereótipos estão ali, é evidente, e Paulo Gustavo sabe como tirar o melhor de cada um. Ele também é ousado, usou uma dinâmica e linguagem diferente, mostrou que está tentando melhorar a franquia, o que nos deixa bastante empolgados já que Minha mãe é uma peça tem um público totalmente cativado já. Eu acredito sim que mesmo com tantos erros, vale a pena cada centavo gasto para ver o seu trabalho e a busca pela evolução estética, mesmo que o caminho seja complicado e um tanto looongo.