quarta-feira, 22 de março de 2017

Opinião Cinema: Logan

Por Bianca Oliveira,
de Macapá




Vou começar esse texto dizendo que ele terá spoiler, eu preciso conversar com você francamente, sem joguinhos, contando absolutamente tudo que vi naquela tela de cinema. Então tome uma água, sente aí e venha dialogar comigo.

Logan é o tipo de filme que faz a gente sair do cinema sem muito ideia do que aconteceu realmente, a gente fica pensando: “não pode ser, como assim?” Mesmo sendo um dos personagens mais intrigantes do X-Men, o Wolverine nunca teve um filme de fato à sua altura, que explorasse todo seu potencial. Me arrisco a dizer que o Wolverine dos quadrinhos nunca foi visto de verdade em qualquer um dos nove filmes em que ele esteve. Eu poderia fazer uma enorme revisão de sua história, mergulhar nas adaptações para as telas e fazer qualquer coisa do tipo, mas não o farei por um simples motivo: Logan é único e ele merece ser visto dessa forma.




Para relembrar um pouquinho o contexto do filme, vamos dar aquela revisada antes de tudo. O filme se passa em 2029, onde os poucos mutantes que existem são caçados. Logan está debilitado, doente, vive alcoolizado e trabalha como chofer de uma limusine para cuidar de Charles Xavier (Patrick Stewart), que já é um perigo para ele mesmo e toda a humanidade. Tudo muda quando aparece a pequena Laura (Dafne Keen), uma menina de 12 anos, uma cópia fiel de Logan mais novo. A menina é procurada por uma organização paramilitar e conta com a ajuda dos dois “supermutantes” para sair dessa.



Na primeira cena, a gente já tem uma pista da real intenção do diretor James Mangold. Ele quer um filme diferente, quer mostrar algo verdadeiro, Wolverine não é mais o mesmo, agora ele está velho, cansado e as lembranças do seu passado o atormentam constantemente. Sabiamente o diretor consegue mostrar isso tudo com os mínimos detalhes, as cores quentes da fotografia, o figurino desgastado, a trilha sonora. Ele poupou o uso de tantos efeitos visuais, colocou muito sangue, não escondeu nada, não manipulou a linguagem, ele conseguiu transmitir o seu protagonista de fato, o cara sombrio e amargurado. Além de tudo isso, outra dica que temos de quem é esse novo Logan é a cena do hotel, em que Professor Xavier assiste Os Brutos Também Amam, faroeste clássico de 1954 dirigido por George Stevens. Do mesmo jeito que o protagonista daquele filme, Logan está cansado de todo sofrimento e de uma vida cheia de violência, que referência, hein? Não tenha dúvidas que essa é o filme mais adulto da Marvel (ATÉ QUE ENFIM).


Este é o último Wolverine de Hugh Jackman, que explorou seu personagem de uma forma que nunca tínhamos visto, ele deu tudo de si. Adotou um ar vulnerável, voz desgastada, olhar intenso, sentíamos pena e medo ao mesmo tempo. Todos sentiremos saudades desse personagem, foi impossível não segurar as lágrimas ao ver sua despedida, seu último suspiro e a cena que a Cruz vira um X corta o coração de qualquer um. Patrick Stewart, junto com Jackman, mostrou uma cumplicidade pai e filho mesmo, Charles Xavier sempre será Charles Xavier, meio que o pai sábio de todos nós que crescemos vendo ele. Menina Dafne, que atriz, olha! É incrível o talento da pequena que passou mais da metade do filme sem falar uma palavra e ainda sim tomou conta de tudo. Nossa esperança está com você, Dafne Keen.

Deixando o saudosismo todo de lado - enxugue essa lágrima aí - precisamos falar dos pontos negativos. Há, como sempre no universo Marvel, uma falta de aprofundamento nos vilões, um olhar mais cuidadoso sobre eles, aqui eles ficaram totalmente despercebidos de verdade, não tinham carisma algum. Sem falar dos personagens coadjuvantes totalmente desinteressantes. Ou seja, queremos sim Logan mas queremos mais do meio que o cerca.

Tudo isso, não tira o brilho do longa por completo. Dói dizer, mas a morte foi um bem necessário para o nascimento de algo bom que vem por aí. Há esperança sim e ela bate aqui com força, brilho nos olhos e humanidade. Valeu a pena esperar, valeu a pena todos os filmes que antecederam a esse e principalmente só nos resta agradecer por tudo que Jackman fez nesses anos todos.






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