quinta-feira, 6 de abril de 2017

A dois passos do Paraíso

Bruno Vinicius M. Simões


O convite para que eu comece a publicar no LinkedIn encontrou-me em Palmas, capital do Tocantins, de onde daqui a pouco sigo a cidade de Paraíso para um momento bastante aguardado por mim. No evento que acontece a partir das 20h na Oficina Geral, pela primeira vez meus curtas-metragens sobre As Tias do Marabaixo, que filmei ano passado em Macapá (AP), serão apresentados para uma plateia de outro estado. Quem comparecer também poderá ver a exposição reunindo 18 fotos que fiz durante as filmagens com Tia Zefa, Tia Chiquinha (1920-2015), Tia Biló, Natalina e Tia Zezé, e ao final ouvir os músicos tocantinenses que interpretarão composições próprias em uma roda musical. 

A referência do título - a de estar "a dois passos do Paraíso", portanto, tanto tem a ver com a cidade que logo mais irei visitar quanto com o próprio evento, afinal, é para serem vistos que se fazem filmes e fotografias. Para mim, realizar uma sessão pública de meu trabalho nunca será um momento de rotina, mas no dia de hoje há um ingrediente adicional que dá mais sabor à mistura: para boa parte do público que comparecerá ao evento, o Marabaixo, tradicional manifestação cultural afro-amapaense, constitui uma novidade. Até por isso, sempre me coloco disponível para debater com o público após as sessões dos filmes (claro que também faço isso nas sessões realizadas no Amapá, mas neste caso o público já tem mais informações sobre o Marabaixo, então a curiosidade é mais direcionada para os filmes em si). Minha expectativa em relação à apresentação de hoje é, sem dúvida, bastante grande. 

De Paraíso, retorno a Palmas apenas para pegar um ônibus para Salvador (são 22h de viagem). Planejo ficar ao menos duas semanas na Bahia, agendando novas mostras e apresentando meu projeto para entidades como Secretarias de Cultura e cineclubes. Da capital, devo ir para algumas cidades do interior baiano, que estejam no caminho para Brasília, próxima capital da lista.  

A opção por viajar de ônibus não tem a ver com medo de avião (afinal, esse medo eu não tenho) nem se prende ao fato de estarmos em julho, mês em que o preço das passagens aéreas é proibitivo (para comparar: um vôo Belém-Palmas custaria R$ 2.800 no dia 7; isto é sete vezes mais que a soma das passagens de ônibus Belém-Goiânia e Goiânia-Palmas). O deslocamento por ônibus, além de mais econômico, permite uma flexibilidade maior, tanto no número de destinos ofertados, quanto em eventuais remarcações (os custos são bem menores que os cobrados por companhias aéreas) - sem falar que durante o dia você pode ir apreciando a paisagem, conhecendo de fato o nosso país. Por tudo isso, a prioridade ao deslocamento por ônibus (ou navio, onde for possível) já estava prevista quando eu pensei em não esperar apenas pelo resultado de editais e inscrições em festivais para fazer com que meus filmes chegassem ao público de outros estados, fiel à premissa expressa por Fernando Brant (1946-2015) na letra de 'Nos Bailes da Vida' (parceria com Milton Nascimento): todo artista tem de ir aonde o povo está.



  • Making off do texto: Publicado em 22 de julho de 2015, com 63 acessos (a maioria de Belém e Macapá) e 1 "gostei" desde então. Na véspera, eu recebera um e-mail do LinkedIn, informando que eu estava autorizado para postar artigos (daí a referência na primeira frase ao "convite para publicar"). O evento na Oficina Geral foi maravilhoso (embora sem a programada, e mencionada, participação de músicos locais) e gerou este relato. Já as duas semanas que eu imaginava ficar na Bahia acabaram se transformando em três meses (!).  A expectativa de ir a cidades do interior baiano acabou resultando na minha viagem a Jequié, onde estreei a Oficina de Cinema Independente. O letrista Fernando Brant falecera pouco tempo antes, em 12 de junho. Na foto que ilustra o texto, apareço ao lado de Tia Chiquinha, no dia que filmei com a Graphite Comunicação o depoimento dela para o documentário inédito As Tias do Marabaixo, em 7 de maio de 2014. Ah, na viagem inteira, que durou cinco meses, não consegui contato com nenhum cineclube, há um site da federação brasileira deles onde não consta o endereço de nenhum... .... .... 

Nenhum comentário:

Postar um comentário