sábado, 8 de abril de 2017

Como saber se uma proposta vale a pena? (Ovelhas Desgarradas - 3)



Porto Velho -  Na manhã deste domingo, eu estava a bordo do ônibus que me levava de Cuiabá para a capital de Rondônia, quando me chegou uma mensagem de uma colega jornalista, com quem já trabalhei. Ela recebera uma proposta de trabalho e queria minha opinião sobre quanto deveria cobrar.

E qual era a proposta? Minha colega deveria produzir textos a serem postados no Facebook de quem propusera o trabalho, como se dele fossem - o nome dela jamais iria aparecer. Apesar de ser um pouco estranha à primeira vista, esta atividade existe há bastante tempo, e quem a exerce é conhecido pela expressão inglesa "ghost writer" (ou seja, escritor fantasma). Há até um romance de Chico Buarque, intitulado Budapeste, que tem como protagonista um ghost writer. 

Imediatamente, tentei lembrar se eu já fizera algum trabalho assim. Na verdade, não: o mais próximo foi administrar o Twitter de algumas cantoras de quem fui assessor de imprensa, mas como  eu já recebia por fazer a assessoria, não era pago à parte para tuitar, logo não tinha base para sugerir à colega um valor a cobrar. Fora que um tweet tem no máximo 140 caracteres, e os textos encomendados dificilmente seriam tão curtos. 

Enfim, assim que o ônibus fez uma parada para almoço, consegui novamente sinal de internet e respondi à colega que eu não aceitaria o trabalho, por dois motivos básicos - a omissão do meu nome como autor dos textos, e o fato de que essa omissão não tornaria o contratante menos exigente em relação ao que eu produzisse. De todo modo, sugeri alguns valores caso ela de fato necessitasse financeiramente aceitar o trabalho, e também ponderei ser importante fixar alguns parâmetros de tempo: ter um limite de textos a serem demandados por semana, e estabelecer um prazo inicial de 30 dias de trabalho, findos os quais as duas partes poderiam avaliar se estavam satisfeitas uma com a outra, e se fosse o caso, renovar por um tempo maior. 

A colega agradeceu e respondeu ao possível-futuro-cliente, com os valores e condições que sugeri. Agora há pouco, ela comentou comigo que a resposta foi que o que ela pediu estava "fora da realidade" e que mesmo que ela cobrasse a metade, já seria "muito caro", afinal o que estava sendo pedido eram "simples comentários".... Comentei com a colega então que, se é algo tão simples, por que a própria pessoa não o fazia, e ia em busca de um profissional da escrita? 

Como mencionei no terceiro parágrafo, de início busquei algum paralelo para a proposta em minha própria trajetória, pois esta me parece uma forma simples de encontrar empatia com a situação vivida por outro profissional: relembro o que vivi, a decisão que tomei, os motivos que a embasaram, e suas eventuais consequências. Mas sabemos que nem sempre podemos usar essa forma de avaliação, afinal, quem é que pode dizer que já passou por todas as situações possíveis? 

Por este motivo, há algum tempo eu desenvolvi um método que intitulei Os 5 Valores de uma Carreira de Sucesso, e que permite uma avaliação objetiva de qualquer proposta de trabalho, considerando sua relação com estes cinco aspectos: Currículo, Experiência,  Contatos, Projeção e Remuneração. Basicamente, eu poderia ter respondido à colega que eu não aceitaria a proposta, pois ela não contemplaria os valores Currículo, Contatos e Projeção, apenas Experiência e Remuneração, e mesmo esta poderia não compensar. Na verdade, só não respondi desta maneira porque, como este meu método ainda se encontra inédito, minha resposta soaria como uma mensagem cifrada (risos). 

Mas, para quem acompanhou o texto até aqui, tenho uma boa notícia: irei acabar com esse ineditismo, nesta semana começo a publicar textos aqui no LinkedIn detalhando o meu método Os 5 Valores de uma Carreira de SucessoAcompanhem!

  • Making-off do texto - Sétimo texto que publiquei no LinkedIn, em 3 de novembro de 2015. O primeiro que ilustrei com uma arte que fiz no Canva. Teve 153 leituras, a maioria de Macapá e de Belém (foi meu segundo texto lá a romper a barreira dos 100 acessos), 6 "gostei" e 3 comentários. O domingo citado na abertura do texto é 30 de outubro de 2015. O caso vivido pela colega jornalista me pareceu um bom gancho para enfim publicar o método dos 5 Valores, que eu criara em 2009 e que já fora tema até de palestra em Belém e workshop em Macapá, mas que ainda era inédito em 2015; o texto foi publicado em duas partes no LinkedIn, e num único post aqui no Jornalismo Cultural

Nenhum comentário:

Postar um comentário