quinta-feira, 4 de maio de 2017

Não somos eternos (Ovelhas Desgarradas - 17)

Fabio Gomes


(O título se refere à sua, à minha, à nossa presença enquanto pessoas aqui no planeta Terra. Não vou entrar na questão de imortalidade da alma e vida eterna, ok? Sigamos.) 

O ser humano tem a estranha mania de se julgar eterno, ou mesmo imortal. Isso se reflete em vários aspectos de como funcionam nossas sociedades, ao menos no Ocidente. Contratos de trabalho, por exemplo. Creio que só jogadores de futebol e atores/atrizes de televisão assinem contratos por tempo fixo. A praxe do mercado é que, ao ser contratado por uma empresa privada, ambas as partes esperem que você só saia de lá aposentado - afinal, nem a empresa espera que você vá para uma concorrente, nem você almeja uma demissão. O próprio medo da demissão reflete um pouco como é forte essa expectativa de que o vínculo seja duradouro. 

Mas vamos pensar em termos de vida mesmo, não só trabalho. Quantas vezes adiamos um sonho, um projeto, uma viagem, tanta coisa!, com o pensamento de ah isso eu faço depois! uma hora aí eu faço isso. O problema desta equação é que nunca saberemos a variável que é = o tempo que nos resta neste planeta.

Na verdade, acredito que deveríamos, sim, nos pensar como seres finitos. Não estou dizendo para ficarmos o tempo todo pensando em nossas próprias mortes futuras, mas ao menos deixar de jogar tudo para um futuro tão tão distante. Isso serve pra muita coisa. Vou dar alguns exemplos pessoais:


  1. Em 2009, quando lancei meu blog Som do Norte, ainda morando em Porto Alegre, eu sabia que em algum momento iria morar em Belém, o que de fato acabou acontecendo no ano seguinte. Nesse meio tempo, me perguntei "O que tem em Porto Alegre que é absolutamente imperdível e que eu devo aproveitar nesses últimos meses aqui?". A resposta foi as quintas de choro e jazz, com o veterano flautista Plauto Cruz, no bar Odeon - que, detalhe: ficava a duas quadras da minha casa e onde eu só fôra até então apenas UMA vez. Passei a ir toda quinta até me mudar pro Pará.

  2. Ano passado, meti o pé na estrada com a cara e a coragem e fiz meu projeto As Tias do Marabaixo circular por três estados em cinco meses. Nesse processo, acabei ficando um trimestre inteiro na Bahia - o que simplesmente foi muito além de qualquer sonho anterior. A foto do post é desse período, um dos tantos pôres-de-sol que presenciei junto ao Elevador Lacerda (esse foi o de 28 de setembro de 2015). Qual seria a pergunta aqui? Talvez algo relativo a editais para circulação (cada vez mais escassos) e à minha própria vontade de passar mais tempo nesses lugares (além da Bahia, o roteiro incluiu Tocantins e Rondônia). 

Enfim, penso que isso vale pra tudo, ou ao menos pra bastante coisa. Comece a se perguntar: quando é que vou começar a caminhar/correr/fazer atividade física? O que tem na minha cidade que vem gente de fora pra ver e eu nunca fui? Etc etc Vai por mim: depois que você entender que é finito, pode começar a aproveitar a vida infinitamente melhor! ;)



  • Making-off do texto - Foi meu último artigo original para o LinkedIn (minha 55ª publicação no site). Foi publicado em 16 de novembro de 2016 e até hoje foi lido 53 vezes, em sua maioria por pessoas de Macapá, Belém e São José dos Campos, com 5 "gostei". O texto me ocorreu a propósito de um projeto que eu havia iniciado no dia 9 e que não é mencionado no texto, propositalmente (com este, resolvi retomar o procedimento que fiz quando lancei meus sites, cursos e livros, e só mencioná-lo quando estiver pronto para vir a público :)
  • Depois deste, só publiquei no LinkedIn o artigo sobre o incidente no hotel em Belém que acabou sendo meu texto mais lido na 'fase blog' (ou seja, de 2009 para cá). Falo de O que uma empresa ganha constrangendo as pessoas?. Publicado aqui em 31 de março, foi lido até agora 10.281 vezes, com 23 comentários, sendo o mais acessado e o mais comentado desde que o blog entrou no ar, em agosto de 2011. No mesmo dia 31 de março, o texto foi republicado no LinkedIn, sendo lido até hoje por 335 pessoas, a maioria de Belém, São Paulo e Rio de Janeiro, recebendo 3 comentários e 17 "gostei". Aliás, de modo geral, todos os textos que haviam saído só no LinkedIn e estão sendo republicados aqui na série "Ovelhas Desgarradas" recebem em poucos dias mais visualizações do que ao longo de meses por lá. Creio que os números falam por si e reforçam minha decisão de privilegiar a publicação de meu conteúdo em meu próprio blog. 

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