quarta-feira, 10 de maio de 2017

Opinião Cinema: Power Rangers - O Filme (2017)



Por Bianca Oliveira,
de Macapá


A série Power Rangers, criada em 1993 pelo empresário Haim Saban, que se inspirou na série japonesa Super Sentai, foi um grande sucesso nos anos 90. Cheio de cores e poses exageradas, o grupo conquistou uma geração inteira. E agora, em 2017, voltou com um reboot que promete deixar todo mundo nostálgico.

O longa começa há muitos milhões de anos atrás, com uma batalha da geração passada de Power Rangers que acaba sendo derrotada. O Ranger Vermelho então, enterra as moedas do poder, para que futuramente o próximo grupo possa salvar o planeta de Rita Repulsa (Elizabeth Banks). Daí já pulamos para o presente, onde conhecemos os cinco jovens que terão o futuro de sua cidade em suas mãos: Jason (Dacre Montgomery), Billy (RJ Cyler), Kimberly (Naomi Scott), Trini (Becky G) e Zack (Ludi Lin). Juntos, os cinco buscam muito mais do que se tornarem super-heróis, eles buscam o autoconhecimento.



Mas, vamos ser sinceros, Power Rangers não era a melhor franquia do mundo, muito menos a mais coerente, então o filme de 2017, não poderia nos dar tanta expectativa, não é? Não pra mim, pelo menos.

O longa tem momentos bem divertidos e outros sombrios, e essas mudanças acontecem muito rápido, sem uma transição ou uma explicação plausível, prejudicando assim extremamente o ritmo, sem contar todos os furos do roteiro e as conexões rápidas para que tudo tenha um “desfecho logo”.

Porém, o diretor Dean Israelite acerta em mostrar os Rangers humanos, jovens com todos os seus problemas e diversidades. Ele apresenta os super-humanos de uma forma mais realista, e esse é o ponto alto do filme todo.


Israelite reserva uma boa parte só para mostrar que Jason é o capitão do time de futebol americano da escola que se envolve em algumas coisas erradas em busca de atenção; Billy é o gênio autista, que tem sérios problemas para se comunicar; Kimberly é a patricinha, chefe das líderes de torcida, que resolve se rebelar; Trini (foto ao lado) não consegue se encaixar com sua família, não tem amigos, é totalmente solitária, e Zack é o famoso bad boy que finge ser mau só para esconder seus medos. Ou seja, Israelite consegue falar sobre autismo, homossexualidade, bullying, alienação... temas que não imaginaríamos em um filme assim. E isso é maravilhoso!

As atuações não são nenhum presente, exceto RJ Cyler que faz o melhor Ranger: o azul. Cyler está tão bem em seu personagem, tão carismático, interpreta com vontade, sabe? Aquele tipo de personagem que temos vontade de abraçar. A vilã caricata de Elizabeth Banks também é um prato cheio. Seu personagem é complicado, com muitas performances, caras e bocas e Elisabeth consegue fazer tudo isso com excelência.

Cheio de nostalgia e informações diferentes, esse novo formato veio para mostrar que há sempre uma forma de se morfar, de se modificar. Se a intenção foi deixar os adultos bobos e as crianças animadas com as pirotecnias do final, Power Rangers vale a pena assistir e cumpriu seu papel. Poderia ter feito melhor, mas quem sabe no próximo, não é?





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