quinta-feira, 27 de julho de 2017

Opinião Cinema: Homem-Aranha - De volta ao lar

Por Bianca Oliveira,
do Rio de Janeiro



O Homem-Aranha foi criado em 1962 por Stan Lee e Steve Ditko, mas só ganhou destaque de fato, nos cinemas, com o filme Homem Aranha, de Sam Raimi, em 2002. Apesar de ser tão importante para o universo cinematográfico da Marvel, o aracnídeo não poderia ser usado pois seus direitos cinematográficos eram da Sony. Após acordos e mais acordos, finalmente temos o queridinho nas telas, com um filme leve, divertido e com a promessa de ser um dos maiores carros chefes do mundo da Marvel, agora resta saber se ele conseguirá...



A trama começa com o antagonista, mostra como Michael Keaton se tornou o Abutre, de uma forma bem detalhada e interessante. Depois dessa abertura, já acompanhamos a vida de Peter Parker pós-Guerra Civil, que dividiu os Vingadores, vemos o jovem com todos os seus medos, inseguranças e paixonites, tentando sobreviver à adolescência e ao mesmo tempo sendo um “super-herói”.

É interessante observar a passagem do tempo e amadurecimento do personagem. No início, temos um jovem imaturo, extremamente infantil e que persegue a todo custo o ideal de ser um Vingador, já no final percebemos a pessoa que ele está se tornando e aprendemos com ele as grandes lições que levará para o resto da vida.


O que eu mais quero elogiar nessa resenha é o vilão. Finalmente um vilão de verdade, com causas de verdade, que não está lá só para engrandecer o personagem principal. É uma história real que poderia acontecer com qualquer um - tirando a parte da tecnologia alienígena, é claro - mas vemos um cara normal, desempregado, que só estava cansado, sem saída e queria dar o melhor para sua família... E se fosse com a gente? Qual caminho seguiríamos? E se víssemos nosso sustento ser destruído por um megaempresário? Entende como isso é de verdade? Não são supermotivos vindos do além sem lógica alguma, ou um cara louco com uma arma, eu realmente queria ver muito mais daquele personagem. O mérito maior é de Michael Keaton, que com sua bela atuação trouxe um equilíbrio para seu personagem, algo que estávamos sentindo falta, que não vemos constantemente nas produções da Marvel.

Falando em elenco, Tom Holland foi outro que estava com uma grande química com seu personagem, ele estava à vontade com seu papel. Vemos um Peter como a gente, mais pé no chão, ansioso para ser um “adulto”, um nerd, fã de quadrinhos, que tem medos, que sofre, que se apaixona, mas, diferente dos outros filmes, esse carrega consiga problemas mais próximos dos nossos, a dor de se afastar do crush para salvar o mundo do pai do crush - quem nunca, não é? O elenco todo estava muito bem, inclusive os coadjuvantes, eu só queria um pouco mais da Tia May (Marisa Tomei) e Liz (Laura Harrier), porém, parecia que todos estavam com a mesma sincronia e energia, o que ajudou muito a criar a atmosfera de colegial.



A direção de Jon Watts estava normal, nada de imagens extraordinárias com lutas inesquecíveis, apenas um filme que estava tudo certo, no seu devido lugar e apesar de, no 3° ato, o tempo ter sido mais lento do que deveria, e não conseguir manter o sentimentalismo e a linguagem ser um pouco chatinha, tudo isso não tirou as coisas boas de um roteiro que também estava no caminho certo, cumprindo seu papel mas sem perder o carisma e que deixou vários ganchos à solta, detalhes que incitam algo a mais que talvez esteja por vir. Mesmo não sendo um filme de apresentação do personagem, pois todos já o conhecem, sentimos que tem coisa a mais, como se esse aracnídeo ainda estivesse no começo de uma longa jornada.

O filme é mais simples do que imaginávamos, nem desperta ódio da mídia e nem paixão dos fãs. Ele cumpre o que promete, faz seu dever direito, segue todas as regrinhas e não comete grandes deslizes. Não saímos do cinema com a sensação de ser uma grande obra-prima, mas pelo menos, não saímos também com a sensação de ter jogado dinheiro fora.







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