quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Filme raro sobre Gilberto Freyre exibido em Porto Alegre (Ovelhas Desgarradas - 26)

A exibição do documentário em curta-metragem Gilbertianas Brasileiras, de Geneton Moraes Neto, nesta quarta, 5 de novembro, no Cine Santander Cultural (Porto Alegre) pode ser considerada histórica. Rodado em 1984, o filme fora exibido apenas uma única vez no Recife, logo após ficar pronto; em seguida, seu diretor mudou-se para a França, iniciando uma longa carreira no jornalismo que o levou a atualmente ser um dos editores do Fantástico (TV Globo). A sessão em Porto Alegre foi comentada pelo escritor e jornalista Homero Fonseca, ex-colega de Geneton na faculdade. Ex-diretor editorial da revista Continente Multicultural, Homero estava na capital gaúcha desde segunda-feira participando da 54ª Feira do Livro, e retornou ao Recife na manhã desta quinta.

Em Gilbertianas Brasileiras, as mesmas perguntas são feitas pela atriz Marilena Breda ao cantor e compositor Gilberto Gil e ao sociólogo Gilberto Freyre, sem que ambos interajam entre si ou com a atriz ao responder sobre temas como a ditadura militar, a juventude, a maconha ou a perguntas no estilo "o Brasil tem cura?". Homero Fonseca destacou que, mesmo considerando que na época um entrevistado tinha o dobro da idade do outro (Freyre estava com 84 anos, Gil com 42), as respostas de ambos são surpreendentemente parecidas. Ambos pareciam (para usar suas palavras) estar "pisando em ovos", muito preocupados com o caráter de "depoimento para a posteridade" que um filme desse tipo geralmente assume. Fonseca viu isto mais forte na participação de Gil: ao final, por exemplo, quando cabia a um opinar sobre o outro, Freyre classificou Gil como um grande artista, com personalidade artística definida; enquanto Gil disse ser Freyre uma pessoa "acima da mediocridade".

A sessão iniciou com outro curta sobre Gilberto Freyre: O Mestre de Apipucos, um dos primeiros trabalhos de Joaquim Pedro de Andrade, rodado em 1959 para compor um único filme com O Poeta do Castelo (documentário sobre Manuel Bandeira). O próprio diretor, porém, logo optou por desdobrar o que seria um média em dois curtas independentes. Em O Mestre..., mostra-se o que seria um dia na rotina do escritor Gilberto Freyre em sua casa no bairro recifense de Apipucos. No caso, uma rotina "produzida", já que Freyre encena - junto com sua esposa e os empregados da casa - os vários momentos de seu dia-a-dia. O texto que se ouve é do próprio Freyre, narrado por ele mesmo.

Os filmes tiveram exibição única ontem. Os  interessados em conhecer mais a obra de Gilberto Freyre podem visitar, também no Santander Cultural, a exposição Gilberto Freyre - Intérprete do Brasil, aberta à visitação até 15 de fevereiro de 2009.  


  • Making-off do texto - Minha terceira colaboração para o site do Café Colombo, publicado lá com o título "Gilbertinianas [sic] de Geneton Moraes Neto", em 6.11.08. Na breve introdução ao texto, o site me qualificou como "intrépido repórter". 
  • Geneton Moraes Neto, pernambucano do Recife, faleceu em 22 de agosto de 2016, aos 60 anos. 



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