terça-feira, 8 de agosto de 2017

Música popular nordestina em destaque na terra do chimarrão


(Ovelhas Desgarradas - 30)

Os músicos populares são, sem sombra de dúvida, as atrações que têm reunido maior público, dentro da programação que Pernambuco trouxe para a 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, que homenageia o estado nordestino.

Se é certo dizer que, no primeiro final de semana da Feira (1º e 2 de novembro), os cantadores Ivanildo Vilanova e Raimundo Caetano e o cantor e compositor Allan Sales foram muito aplaudidos, não há como comparar com o grande número de pessoas que acorreu à Praça da Alfândega, ao lado do estande de Pernambuco, para assistir as duas apresentações dos emboladores Caju e Castanha, nas noites de sábado e domingo, dias 8 e 9.

A dupla esbanjou bom humor e demonstrou grande habilidade e velocidade no raciocinar e no cantar, arrancando aplausos e gargalhadas do público gaúcho com suas emboladas falando das diferenças entre os ricos e os pobres, da mulher bonita pra mulher feia ou musicando divertidas histórias de cordel como a que fala do "Futebol no Inferno" - onde a final do campeonato é disputada entre os times de Satanás e de Lampião. O futebol também foi tema do improviso da dupla no show de domingo, ao abordar os dois grandes times do Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional - naturalmente, um dos números que mais empolgou o público presente.

Entre uma e outra embolada, Castanha contou divertidas histórias como a da participação da dupla numa edição do Rock in Rio (sim!). A idéia é que os emboladores fizessem uma breve apresentação no intervalo de duas bandas de rock. Como levaram uma das maiores vaias de sua carreira (com direito a uma hola de "E... fora!"), o que era pra ser breve passou a ser brevíssimo: após cantar uma música, Caju e Castanha agradeceram e saíram. Também falaram dos apuros que passaram ao viajar aos Estados Unidos para um show em Los Angeles: eles não falam inglês e quem os contratou não providenciou intérpretes...

No domingo, Caju e Castanha fizeram questão de saudar seus conterrâneos Ronaldo Aboiador e Toinho do Acordeon, que assistiam a seu show. Ronaldo e Toinho cantaram na Feira nas tardes de sábado e domingo, com um repertório em que predominava o aboio. Chegado ao Nordeste como uma herança ibérica, de raiz moura, servindo então basicamente para chamar o gado, o aboio se desenvolveu como um interessante estilo musical, que tem sido utilizado pelos compositores da região para cantar amores e fazer crítica social, como bem demonstrou Ronaldo em seus shows, encerrados com um aboio-improviso sobre a participação de Pernambuco na Feira. Em ambos os dias, também foi homenageado o Rei do Baião, Luiz Gonzaga - no sábado, Ronaldo cantou "Asa Branca" (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)/"A Volta da Asa Branca" (Luiz Gonzaga - Zé Dantas) e no domingo "O Xote das Meninas" (Luiz Gonzaga - Zé Dantas). Toinho também variou as músicas que solou nas duas apresentações: dia 8, tocou "Milonga para as Missões" (Gilberto Monteiro); dia 9, "Brasileirinho" (Waldir Azevedo).



  • Making-off do texto - Sétimo texto da minha cobertura do evento para o site do Café Colombo, publicado lá em 16.11.08
  • Como de hábito, o título definitivo foi dado pela redação do Café, o meu original era: MÚSICOS POPULARES SÃO DESTAQUE NA PROGRAMAÇÃO DE PERNAMBUCO NA FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
  • No original, havia um último parágrafo, que suprimi ao republicar aqui. Dizia: "O áudio dos improvisos está disponível no boletim de 12/11/08 da Agência de Notícias Brasileirinho, no link http://www.brasileirinho.mus.br/arquivoanb/121108.htm". Porém o Brasileirinho já saiu do ar e os áudios foram hospedados por mim no site MP3Tube, mais um dos serviços pré-Soundcloud que saíram do ar e levaram com ele todos os nossos arquivos. Se eu encontrar esses áudios nos meus HDs, vou incluí-los aqui. Eram um improviso de Ronaldo Aboiador e o Desafio do Gre-Nal, por Caju e Castanha. 
  • Leitores atentos poderão ter percebido que houve um pulo do quinto para o sétimo texto. E o sexto? Este realmente é um mistério. Posso dizer que ele se chama A poesia matuta de Jessier Quirino em Porto Alegre e foi publicado no site do Café Colombo em 14.11.08. Porém não consigo abrir o site (pedi a ajuda de uma amiga jornalista que igualmente não conseguiu). Os textos que tenho publicado aqui eu estou resgatando do meu Gmail, porém este texto não localizo de modo algum! Isso é que é Ovelha Desgarrada: a que se recusa terminantemente a ser resgatada! Se eu um dia o achar, ou por outra o site resolver seu problema de codificação, publicarei então esta Ovelha perdida. Através da pesquisa do site do Café, consegui apenas acesso ao começo do texto: 

AS POESIAS MATUTAS DE JESSIER QUIRINO   Por Fabio Gomes   Pela primeira vez, nesta 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, um escritor do Nordeste teve grande público a assistir sua apresentação. A Tenda de Pasárgada lotou para acompanhar o bate-papo da jornalista Ivette Brandalise com o poeta paraibano Jessier Quirino, pela primeira vez (...)

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