sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Noel Rosa

Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), compositor, cantor, instrumentista, poeta e cartunista, é considerado pela crítica especializada como um dos mais geniais músicos brasileiros. Em apenas 26 anos de vida, transitou por quase todos os gêneros musicais conhecidos em seu tempo, como toada, valsa, rumba, embolada, marcha e fox-trot; foi ao samba, porém, que mais se dedicou, tendo sido o único autor da década de 1930 a ser parceiro tanto de músicos com formação erudita como Eduardo Souto e Ary Barroso quanto de autodidatas como Cartola e Ismael Silva.

Poucos artistas brasileiros produziram em tão pouco tempo uma obra tão vasta e de tamanha qualidade. Noel deixou um legado de 259 músicas, entre as quais clássicos da música popular brasileira como “Com que Roupa?”, “Palpite Infeliz”, “Fita Amarela”, “Conversa de Botequim” e “Feitiço da Vila” (as duas últimas em parceria com Vadico). Tematicamente, tanto abordou temas universais, como amor e tristeza, quanto traçou um retrato do Rio de Janeiro de seu tempo, ao descrever seus bairros e seus tipos característicos, em letras com humor, ironia e romantismo. Em suas melodias elaboradas, várias de suas soluções harmônicas antecipavam os avanços da Bossa Nova.

Também é incomum a perenidade de sua produção, toda escrita para veiculação imediata em meios de comunicação de massa como o rádio e o cinema, ou aproveitamento em obras culturais de caráter efêmero como o teatro. Talvez por isso, sua obra foi praticamente esquecida logo após sua morte e só voltou a ser valorizada em 1951, através da iniciativa de dois contemporâneos seus: Almirante, que produziu o programa No Tempo de Noel Rosa para a Rádio Tupi, e Aracy de Almeida, que gravou uma série de discos para a Continental, com arranjos especiais de Radamés Gnattali, numa edição luxuosa com capa de Di Cavalcanti, com vários sucessos antigos e algumas inéditas - entre elas o clássico “Três  Apitos”. Desde então, jamais a obra de Noel deixou de ser gravada e executada por intérpretes de todo o Brasil; muitos de seus sucessos, como “Com que Roupa?”, têm sido cantados por sucessivas gerações.

Pouca atenção tem sido dada à atuação de Noel como cantor, gravando 42 composições suas. Nenhum outro intérprete da época levou tantas músicas de Noel ao disco quanto ele mesmo. Desta forma, ele foi um precursor da tendência de o próprio autor interpretar o que compôs - hoje quase uma regra, mas algo raro à época. Menos atenção se dá a seu papel como instrumentista: foi tocando violão no Bando de Tangarás que Noel começou sua atuação profissional na música, em 1929. Até 1932, participou de registros históricos como o de “Na Pavuna” (Almirante – Homero Dornellas), o primeiro samba com forte percussão a ser gravado. É conhecida ainda sua presença nos grupos Batutas do Estácio, Turma da Vila e Noel Rosa & seu Grupo.



  • Making-off do texto - Escrito em setembro de 2009 a pedido de uma cantora que planejava gravar um CD unicamente com composições de Noel Rosa (inscrito num edital, o projeto não foi aprovado e o CD nunca saiu). 
  • Foi este texto  que escolhi para acompanhar o pacote de download do CD virtual Noel Rosa Cantor - Vol. 1, juntamente com a charge que abre o post, uma autocaricatura de Noel, que se retratou ao microfone da Rádio Mayrink Veiga; o desenho pertenceu ao acervo do ex-presidente João Figueiredo. O CD foi lançado no site Brasileirinho em 2.7.11.
  • Um parágrafo - o segundo - era até hoje o único trecho publicado deste texto, no post linkado acima. 

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