terça-feira, 19 de setembro de 2017

Plauto Cruz: Choro Alegre (Ovelhas Desgarradas - 39)

Porto-alegrenses podem ouvir toda semana
um dos melhores flautistas do País – de graça


A estreia de minha coluna no Prosa em Verso, na terça passada, falando dos Retrofoguetes, repercutiu bem mais do que eu podia imaginar. Recebi ótimos comentários, o primeiro sendo do colega colunista GenteFina, me cumprimentando por ter entrevistado Altamiro Carrilho. Sempre digo que Altamiro é um dos dois maiores flautistas do Brasil. O outro é o gaúcho Plauto Cruz.

Altamiro e Plauto já dividiram o palco num show do projeto O Choro é Livre que marcou época em Porto Alegre. Em 11 de novembro de 1984, os dois tocariam no foyer do Theatro São Pedro, cuja capacidade é para... 90 pessoas. O local naturalmente se revelou pequeno e o encontro histórico foi transferido para o palco principal do Theatro (700 lugares). No livro Som do Sul (2002), Henrique Mann escreveu no capítulo dedicado a Plauto: “Uma multidão acorreu ao evento que reunia dois monstros sagrados da flauta brasileira. Lotação esgotada por um público múltiplo em faixa etária e classe social. Muita gente teve que voltar para casa sem conseguir entrar no Theatro São Pedro.”

Aquele show de 1984 eu não vi, nem morava em Porto Alegre. Atualmente, ouço Plauto todas as quintas no bar Odeon. Ele só não toca quanto tem algum show fora da cidade, ou por motivo de saúde. Assim foi no começo do ano: sofreu um infarto em janeiro, porém se recuperou incrivelmente rápido para alguém de 80 anos e antes do Carnaval já estava de volta, tocando ao lado da pianista Dionara Schneider, do saxofonista Mário Thaddeu e do cantor Celestino Santana, o Tino, o intérprete oficial da única música de Plauto que tem letra (escrita pelo próprio flautista): o samba-canção “Força Atraente”, composto nos anos 1950 e ainda inédito.

De fato, boa parte de sua obra ainda não foi gravada. Talvez pelas poucas oportunidades que Plauto teve para fazê-lo. Chegou a atuar como instrumentista em mais de 40 discos - acompanhando artistas como Lupicínio Rodrigues, Kleiton & Kledir, Ângela Maria e Silvio Caldas - porém, os discos que assinou se resumem a oito: O Choro é Livre (1977), Nós, os Chorões (coletivo, 1980), O Fino da Flauta (1981), Engenho e Arte (com Mário Barros, 1995), Em Novos Tempos de Seresta (1998), Choros e Canções (1999) e O Mago da Flauta (2002). Há mais um CD, gravado ano passado. Enquanto este lançamento não acontece, ouçamos o choro “Ginga no Samba”, do CD O Mago da Flauta. Curte o som!





  • Making-off do texto - Minha segunda coluna "Curtissom" para o Prosa em Verso, da escritora Tatiana Monteiro. Foi publicada em 30 de março de 2010. Chegou a ser republicada no site Brasileirinho.
  • Foi também a minha última colaboração publicada no P&V. Cheguei a enviar um terceiro texto em 4 de abril, porém Tatiana sofreu um infarto no dia seguinte, vindo a falecer com apenas 30 anos. Pouco tempo depois, seu site saiu do ar. 
  • O terceiro e último texto da "Curtissom" foi publicado no Som do Norte em 8 de abril de 2010: Curtissom: Boddah Diciro e o Prazer de Tocar. A publicação foi assim destacada no Fotolog da banda no dia seguinte (inclusive aproveitando a chamada do informativa Rapidola do mesmo dia, onde utilizei um bordão que seguidamente eu usava no Twitter do Som do Norte, parodiando antigo anúncio da Philips) - e que, salvo engano, é a única menção remanescente à coluna "Curtissom" fora as republicações que venho fazendo:
Curtissom: Boddah Diciro e o prazer de tocar

(...) Enquanto preparamos novidades segue uma quentinha para vocês aê =D

Banda do Tocantins segue tradição pouco comentada: a inclusão de faixas instrumentais em CDs cantados.
Então.....
O que une a Boddah Diciro, os Novos Baianos e os Paralamas do Sucesso?

Então o jornalista Fabio Gomes do super blog Som do Norte sabe! Porque tem coisas que só o Som do Norte conta pra você!

Leia Agora!

  • Ouvi Plauto Cruz semanalmente no bar Odeon entre fevereiro de 2009 e junho de 2010, quando me mudei para Belém. Ele seguiu tocando no bar até o final de 2011, quando então a saúde já não lhe permitia prosseguir com aquela rotina semanal. 


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