terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Livro Macapá: Das Declarações de Amor que eu não fiz



A escritora e jornalista Mary Paes lança seu primeiro livro solo neste sábado. O evento terá música, exposição e performances inspiradas nos poemas do livro, com a participação de artistas amigos da autora, além de algumas surpresas.

Sobre o livro, o professor de Literatura e Língua Portuguesa Ezequias Corrêa escreveu:

O novo livro de Mary Paes, Das declarações de amor que eu não fiz, é uma experiência criativa que estabelece outra perspectiva do eu-poético para com suas frustrações, por assim dizer. Engana-se quem pensa que o livro trata de uma lamúria sobre amores que não vingaram, na verdade, o que temos aqui é o extremo oposto disso. Mary Paes promove, através de seus versos, um retorno, uma rememoração ou mesmo uma reinvenção da “vida inteira que podia ter sido e não foi”, a escritora usa sua escrita para reviver o que não foi vivido ou dar um novo fim a uma história cujo final não lhe apraz. Ao proceder desse modo ela dá continuidade a uma tradição poética que existe desde que a Literatura é Literatura. O título do livro é a um só tempo belo e instigante, pois desvela um tema não muito explorado entre os chamados poetas líricos. Neste livro de poemas Mary Paes opta por falar de amores não vividos, de desejos incontidos, de pensamentos que não se concretizaram, porém ao falar de tudo isso a poetisa sul-mato-grossense radicada no Amapá consegue, através de sua escrita fácil, dizer algo ao seu público sem carregar o peso que o próprio tema acarreta. Os poemas são curtos, de formas livres e marcados por um forte apelo erótico, marca registrada da autora que já teve alguns de seus poemas lançados em diversas coletâneas. Mary Paes faz poesia com a mesma intensidade com que ama a vida e a nós cabe apenas apreciar a boa literatura que está sendo produzida por aqui. 

  • O livro cabe na palma da mão, vai confortavelmente dentro de um bolso, não ocupa muito espaço em bolsa, sacola ou mochila - ele permite esta praticidade - é leve, é simples, mas carrega em seu bojo as impressões da autora sobre o sentimento mais inexplicável que existe: o amor. Ela nos vai fazendo breves revelações e aos poucos vai tornando visível as palavras guardadas como quem abre pequenas gavetas, as gavetas do não-dito que, na poesia, encontra o seu lugar, Mary escolheu o agora e decide que está na hora de fazer todas as declarações de amor que não disse. (Adriana Abreu


Serviço

LIVRO "Das declarações de Amor que eu não fiz "
LANÇAMENTO: 3/2/2018, 20h
LOCAL: Avenida Mendonça Júnior - 12H/Altos (próximo à praça de alimentação da Casa do Artesão) 
PREÇO DO LIVRO: R$ 25,00 
Contatos: (96) 98128-5712 \ 99179-4950 (Mary Paes) 
Classificação: 16 anos 
Produção/Realização: Tatamirô Grupo de Poesia

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Opinião Cinema: Extraordinário

Por Bianca Oliveira,
de Macapá





Eu ouvi vários comentários, a maioria dizia que eu deveria assistir Extraordinário - baseado no livro Extraordinário, de R.J. Palacio (pseudônimo da escritora norte-americana Raquel Jaramillo). No começo não conseguia entender o porquê de todo esse alvoroço em torno do filme, imaginei que seria apenas um filme apelativo, só que este não é o caso de Extraordinário. Nos 10 primeiros minutos eu já estava aos prantos, mas calma! Juro que vou ser menos emotiva e mais crítica e vou explicar tudinho sobre esse filme. Vem comigo!

No longa conhecemos um garoto de 10 anos chamado Auggie (Jacob Tremblay), que foi educado em casa por sua mãe Isabel (Julia Roberts). Um dia ela decide que está na hora de ele enfrentar o “mundo” e ir para uma escola. Acompanhamos a trajetória e adaptação de um menino como qualquer outro lutando nesse ambiente escolar, mas ele tem uma diferença: Auggie nasceu com a síndrome de Treacher-Collins, uma má formação facial congênita, e passou por 27 cirurgias que deixaram marcas na sua pele.

Dito assim, parece que estamos falando de um filme chato ou melodramático, porém a grande sacada do diretor Stephen Chbosky é justamente não ir por esse lado, e sim utilizar uma linguagem simples e delicada. Auggie é diferente? Sim. Ele sofre por sua aparência? Sim. Mas até onde isso é tão distante da gente? Não estamos falando da doença, explorando e mostrando uma “incapacidade” extremamente estereotipada; o diretor aproxima a história de seu público, ele aborda de tal forma que dá a sensação de entendermos um pouco do que ele sente. Como não rir ao ver o olhar da criança com o Chewbacca de Star Wars (aliás, essas são as melhores cenas)? Com uma analogia tão simples assim nos ligamos de uma forma fascinante com Auggie.



Mostrar o ponto de vista de quem está em torno de Auggie foi uma sacada de mestre, desde sua mãe que teve que deixar tanta coisa para ajudar seu filho, sua irmã que se sente excluída pelos pais, até seu melhor amigo e a melhor amiga de sua irmã, assim, podemos conhecer a luta de cada um, mostrando suas particularidades e angústias e o quanto são influenciados pelo menino. As subtramas não tiram o foco do personagem principal, mas acabam prejudicando o ritmo; algumas histórias são interrompidas e o desenvolvimento fica cíclico. O roteiro de Stephen Chbosky, Steve Conrad e Jack Thorne precisaria ser mais dinâmico, no meio do filme já estamos um pouco cansados.

Entretanto, isso não tira o brilho do elenco. Jacob Tremblay é uma das crianças mais talentosas da atualidade, mesmo que seu personagem exija bastante maquiagem e próteses, o êxito de sua atuação está no olhar, na sua expressão. O seu carisma transborda as telas, seu personagem não está ali para causar piedade em ninguém e sim inspirar e isso é evidente. Julia Roberts é a emoção, a força, a coragem, a atriz é espetacular - todos sabemos - porém nesse papel isso é assustadoramente surpreendente, suas cenas com Tremblay são sensacionais. A personagem de Izabela Vidovic parecia ser imperceptível, uma mera coadjuvante, e foi inesperado o seu crescimento em tela, Vidovic transmite muito bem a melancolia e sutileza de sua personagem; é emocionante o seu amor pelo seu irmão, isso é demonstrado nos pequenos detalhes, olhares e palavras. Diante de tantos mundos Owen Wilson é ofuscado, ele é carismático, competente, atua bem e pronto, faz bem o que se propõe mas nada assim memorável. A brasileira Sonia Braga não fica muito tempo nas telas, ainda assim domina a sua cena, entrega uma avó carinhosa e importante para seus netos.

Extraordinário demonstra que não é preciso ter vários efeitos especiais e uma megaprodução. O filme provoca sentimentos que vão de gargalhadas explosivas a lágrimas incontroláveis. Há um enorme amadurecimento no decorrer do filme, é lindo ver Auggie vencendo seus próprios desafios, encarando o preconceito, superando seus medos. Isso tem uma importância inimaginável, isso é representação, isso é gritar para que milhões de pessoas olhem para os outros, que não rotulem quem tem má formação ou qualquer síndrome como pessoas incapazes, porque eles podem conquistar o mundo!