terça-feira, 5 de junho de 2018

Opinião Cinema: Verdade ou Desafio



Por Bianca Oliveira,
de Macapá


A Blumhouse Productions já produziu vários sucessos - podemos citar Corra! (2017), Whiplash (2014) e os quatro filmes da franquia Atividade Paranormal (2009, 2010, 2011, 2012). Ela é conhecida, justamente pela habilidade de transformar filmes com pequenos orçamento em sucessos com grandes lucros. E com Verdade ou Desafio não tem sido diferente: com um orçamento de 3,5 milhões de dólares, o longa já atingiu a receita de 72 milhões. Mas qual será o motivo? Será a qualidade do filme ou o peso do nome da marca?



Antes de chegarmos lá, precisamos entender a trama. Nela, somos apresentados a um grupo de adolescentes, cruzando a fronteira dos Estados Unidos e indo para o México em busca de diversão, festas e bebidas. Porém, eles conhecem um “estranho” que os convida para jogar verdade ou desafio”; o que não sabem é que esse jogo nada mais é que amaldiçoado (caso se recusem a jogar ou contem uma mentira, eles são mortos). Eles correm contra o tempo, tentando entender as motivações e soluções para se livrar dessa maldição.

Com um elenco principal com Lucy Hale (Pretty Little Liars), Violett Beane (The Flash) e Tyler Posey (Teen Wolf), o diretor Jeff Wadlow utiliza uma linguagem atual, com formato de Stories do Instagram no início e dando cara ao “vilão” – sempre que o demônio desafia, os personagens demonstram uma expressão sinistra, meio Coringa, meio V de Vingança). Mas Wadlow falha com o ritmo lento e cansativo da trama, com a inserção de sustos desnecessários, com a falta de clímax e com as mortes dos personagens - elas se tornam tão comuns que nem sentimos o “luto”, nem os personagens sentem mais, não tem repercussão nenhuma.

O roteiro  - escrito por Wadlow em parceria com Chris Roach, Michael Reiz e William Jacobs - deixa pontos soltos. Exemplos não faltam: por que o demônio se interessa tanto em questões inúteis e infantis? Quem traiu quem, quem mentiu para quem... isso soa até engraçado, sabe? Pois não faz sentido! Não tem mistério, pavor, tudo soa meio fútil. As conversas são bestas e o trio protagonista, apesar de talentoso, não tem carisma e nem química em cena.

Mesmo com tudo isso, o longa levanta questões importantes no desfecho, criticando a sociedade por seu uso da internet, e como ela pode tanto nos beneficiar quanto prejudicar. A importância de pensarmos em como podemos utilizar melhor as redes, de forma a não nos tornarmos tão vulneráveis e influenciáveis. São sim questões importantes e que precisam de atenção; é uma pena que o filme não as soube aproveitar tão bem assim.