sábado, 25 de agosto de 2018

Leonel Brizola, o criador do Sambódromo

Foto: Fabio Gomes


O ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, falecido na segunda, 21, será sempre lembrado como o líder da Campanha da Legalidade (que em 1961 garantiu a posse de João Goulart como presidente) e como um grande incentivador da educação. Ele também ficará na história do carnaval carioca, como o responsável pela construção do Sambódromo.

De acordo com Sérgio Cabral, em seu livro As Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lumiar, 1996), a idéia do Sambódromo surgiu em 1983, para solucionar um impasse que vinha se arrastando, com a queixa da sociedade em relação ao monta-desmonta das arquibancadas, que deixava a Marquês de Sapucaí livre para o trânsito apenas 4 meses por ano. Após cogitações de realizar o desfile na Av. Presidente Vargas ou no Maracanã (!!!), Brizola anunciou em 11 de setembro que o desfile seria mesmo na Sapucaí, após a construção no local da Passarela do Samba - nome que em seguida o povo esqueceu, para consagrar o espaço como Sambódromo. As obras, supervisionadas pelo filho do governador, João Otávio Brizola, iniciaram em seguida, ficando prontas às vésperas do carnaval.

O desfile de 1984, o primeiro a ser realizado no Sambódromo, foi o único em que se cumpriu a finalidade social da obra projetada por Oscar Niemeyer. O espaço sob as arquibancadas, destinado a que a população carente pudesse assistir ao desfile, a partir de 1985 foi ocupado por mesas e cadeiras, vendidas por preços maiores que os dos lugares de arquibancada, só perdendo para o custo dos camarotes (felizmente, o espaço dos camarotes seguiu sendo aproveitado por 210 salas de aula fora do período de desfiles).

A obra foi muito criticada. O carnavalesco Fernando Pamplona questionou a decisão do secretário de Cultura, Darcy Ribeiro, de não querer decorar o Sambódromo, contrariando uma tradição do carnaval e indo contra concurso da Riotur para decoração com resultado já anunciado. O diretor de harmonia da Beija-Flor, Laíla, viu como negativa a distância entre os sambistas e os espectadores das arquibancadas, esfriando o desfile. O Jornal do Brasil questionava a origem dos recursos para o projeto - o próprio João Otávio admitiu à Última Hora o estouro do orçamento: a previsão inicial era de 5 bilhões de cruzeiros, mas o Sambódromo custou 24 bilhões.

Criticado ou não, Brizola agiu em relação a este assunto, guardadas as devidas proporções, de forma semelhante à Legalidade: identificou uma dificuldade, imaginou o melhor modo de resolvê-la e fez. Seu Sambódromo mudou o carnaval do Rio de Janeiro e inspirou obras semelhantes em São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.

  • Making-off do texto - Texto publicado no Mistura & Manda do site Brasileirinho em 28.6.2004, uma semana após o falecimento de Leonel Brizola, e republicado hoje aqui a propósito do aniversário de 57 anos do Movimento da Legalidade. Em 25.8.61, o presidente Jânio Quadros renunciou e os ministros militares se opunham à posse do vice-presidente eleito, João Goulart. Brizola organizou a resistência da sociedade civil a partir de Porto Alegre, garantindo a possa de Goulart no dia 7 de setembro.

  • A foto que ilustra o post é inédita, e mostra Leonel Brizola nos estúdios da Rádio Guaíba (Porto Alegre) e foi feita quando o ex-governador esteve no RS para a comemoração dos 40 anos da Legalidade, em agosto de 2001. Brizola participou do programa Espaço Aberto, comandado por Armando Burd (à direita). Vemos também à esquerda o radialista Fernando Veroneze. Em 2001 o dia 25 de agosto caiu num sábado, então como o programa ia ao ar de segunda a sexta, a foto ou é do dia 24 (sexta) ou 27 (segunda). Foi a única vez que vi Brizola vivo.

  • A Guaíba tinha um estúdio na esquina das ruas Caldas Júnior com Andradas, visível da rua através de um vidro (o que no jargão de rádio se chama "aquário"). Tirei a foto com minha Zenit de filme, aproximando a objetiva o máximo possível do vidro, de modo a reduzir o reflexo. Creio ter obtido um bom resultado ao captar esta imagem. 

  • Posteriormente, estive no velório de Brizola, no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, na noite de 23 de junho de 2004. O ex-governador foi velado entre a tarde deste dia e a tarde do dia seguinte, seguindo então seu corpo para ser sepultado em São Borja (RS).

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Opinião Cinema: Jurassic World: Reino Ameaçado

Por Bianca Oliveira,
de Macapá




Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, que Steven Spielberg lançou em 1993, se tornou um verdadeiro marco no cinema mundial, ocupando atualmente o 27º lugar na lista das maiores bilheterias de todos os tempos. Sua arrecadação recorde na época motivou a produção de quatro sequências: The Lost World: Jurassic Park (1997), Jurassic Park 3 (2001), Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015) e agora este Jurassic World: Reino Ameaçado

A história começa três anos depois que o parque foi destruído pelos dinossauros no filme anterior. Essas criaturas - que sobreviveram mesmo após a ilha Nublar ter sido abandonada – estão com risco de extinção novamente, pois um vulcão está prestes a entrar em erupção na ilha. Para salvar os dinossauros, Owen (Cris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) voltam ao local, porém as coisas nem sempre são como planejamos e aí ocorre uma grande reviravolta no filme.



O roteiro da dupla Colin Trevorrow e Derek Connolly é preguiçoso. Os vilões são estereotipados, os personagens mal construídos, os temas são iguais aos dos filmes antigos, tudo soa batido, temos aquela sensação de que já vimos aquilo em cena.

Ainda bem que Reino Ameaçado tem como grande trunfo o diretor Juan Antonio Bayoná. Ele consegue transmitir um senso de iminente perigo com a manipulação de sombras e luzes. Diferente dos outros da franquia, nesse longa temos um tom mais próximo do horror e do medo, não é mais uma aventura, agora é suspense, há morte do início ao fim - não aquela morte nítida, escancarada, mas aquela que você percebe pela estética, pela movimentação. Isso tudo graças à direção e também pela fotografia de Oscar Faura, pela montagem dinâmica de Bernat Vilaplana e até pela trilha sonora de Michael Giacchino. São os detalhes que fazem a diferença aqui. Chris Pratt continua bem como Owen e Bryce finalmente incorporou a Claire; a sua atuação melhora 100%, a personagem dessa vez é mais humana, amável e está sem saltos (risos). 



O filme no geral não é ruim, mas também não é bom, está faltando uma conciliação maior entre direção e roteiro. Quem sabe no próximo isso aconteça. 

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Opinião Cinema: Os Incríveis 2


Por Bianca Oliveira,
de Macapá



Os Incríveis 2 retoma a história do mesmo ponto que parou o primeiro filme em 2004: no estacionamento com o ataque do Escavador. O mundo ainda condena os super-heróis, por causa das diferenças e pelo rastro de destruição que eles deixam durante as batalhas; dessa forma, a família Pêra é obrigada a ter um emprego comum e uma vida entediante. Tudo muda quando os multimilionários Winston e Evelyn Deavor resolvem influenciar a opinião pública e derrubar a lei que proíbe os heróis de usarem os seus poderes. E adivinhem quem é escolhida para isso? Nada mais, nada menos que a Mulher-Elástica. E o Sr Incrível? Para ele fica a missão de assumir a casa e a família.

Escrito e dirigido por Brad Bird, Os Incríveis 2 traz à tona questões importantes sobre gênero, sonhos e desejos. Vemos que o homem deve dividir as tarefas domésticas com a esposa, e que o papel de dona-de-casa, atribuído à mulher, é tão louvável e difícil quanto salvar o mundo. Tudo é questão de meio-termo, onde um pode cooperar com o outro; isso é visto não só na relação entre esposa/marido, mas com os irmãos milionários e até com as crianças Violeta e Flecha. O vilão é potencialmente perigoso e bastante atual: nós somos iludidos facilmente por telas, ficamos tão vidrados que esquecemos do mundo lá fora. O que é mais atual que isso?

As lições estão lá e são equilibradas com as cenas de ação e de humor – como falar da maravilhosa cena do Zezé lutando com o Guaxinim? Tudo tem uma harmonia, o roteiro comete algumas falhas, inclusive as mesmas falhas do primeiro filme – parece até proposital, né? Aliás, tem muita coisa de 2004 e isso é maravilhoso! O que é bom ficou, e a animação foi a que mais evoluiu. Cada textura se sobressai, os tecidos das roupas são bem realistas, e torna-se quase palpável a pele, o cabelo, a água. A experiência é real, mesmo sendo uma animação.

É muito bom ver essa família, que tanto amamos, em cena de novo. Os adultos ficam saudosistas, as crianças entram no mundo novo, no fim todo mundo ganha. Já quero o 3 logo, tomara que não precisemos esperar mais 14 anos.