quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Opinião Cinema: Crô em Família


Por Bianca Oliveira,
de Macapá





Quem acompanha minhas críticas sabe que elas sempre têm um quê de opinião própria e o outro é mais técnico; pois bem, essa aqui será um pouco (muito) mais pessoal. Mas antes de chegarmos lá, deixa eu resumir um pouco do filme Crô em Família para vocês.

Crô (Marcelo Serrado) é o mordomo surgido na novela Fina Estampa, de Aguinaldo Silva (2011-12), seu sucesso foi tão grande que o personagem já está em seu segundo filme (o primeiro foi Crô - O Filme, de 2013). Aqui ele se encontra em uma péssima fase, mesmo com o sucesso da escola de etiqueta que agora comanda. Crô enfrenta um turbulento divórcio e ainda perde seu "filho" (um cachorrinho muito lindo), em suma encontra-se vulnerável e sozinho. Tudo fica ainda mais complicado quando uma suposta “família biológica” (obs: o personagem é órfão) aparece de surpresa em sua casa. Com a sua vida de cabeça para baixo e precisando se sentir amado, o mordomo acolhe sua nova família, mesmo que todos seus amigos digam que eles são impostores.




Dirigido por Cininha de Paula e com roteiro original de Aguinaldo Silva, o longa apresenta estereótipos absurdos, possui um desenvolvimento confuso, personagens entram e saem a todo momento sem acrescentar nada à trama, e ainda há uma montagem atrapalhada que chega a ser cansativa. Mas existe uma coisa que salva, na verdade, que faz tudo valer a pena. 

Lembram que eu iniciei a resenha falando que ela teria um caráter muito mais pessoal? Pois é: gostaria de agradecer as mensagens que tenho recebido falando o quanto as pessoas têm sentido saudade das minhas resenhas, que ando sumida etc. Eu desapareci por aqui, porque há três meses a minha mãe faleceu e isso me desmotivou completamente a escrever, na verdade, a viver como um todo.

Além da tristeza de perder uma mãe o que mais eu sinto é medo da solidão e como ela era a minha única família (filha única e nós duas fomos abandonadas pelo meu pai) eu estava com medo de viver sozinha, sem uma família.

Mas por que falar isso? O que tem a ver com vocês? Bom, era um dia comum em que fui ver um filme nacional, sem muita animação. E adivinhem sobre o que era esse filme? FAMÍLIA! Mas não uma comum, Crô era órfão e passou o filme inteiro fazendo de tudo para aceitar sua nova família, perdoando tudo a todo custo, se ferindo e machucando, tudo porque eles eram a única família que ele tinha (ou que acreditava que tinha). Não quero ficar dando spoilers, mas quero dizer que a mensagem final é bem simples: família não significa ter o mesmo sangue, o mesmo DNA, ter uma família é ter alguém que te ame, que se importe e cuide de você.

Agora imaginem como essa mensagem me tocou, eu que perdi a minha única família encontrei em um filme qualquer (que parecia besta) consolo; senti a mensagem de uma forma incrivelmente pessoal, e sem dúvida alguma, senti ali forças para continuar.

Dizem que o cinema é só ficção, que não tem importância na vida real, mas a minha ele mudou, ele me encorajou e me fez enxergar que eu vou ter minha família, mesmo não sendo de sangue e nunca se comparando a minha mãe, mas nós construímos nossa família, o que importa é termos pessoas que nos amam e que amamos. Hoje eu escolhi ser menos técnica e apenas absorver a mensagem, na verdade, eu escolhi agradecer a sétima arte por me ajudar a passar por essa fase. Viva o cinema!